Emília Santos representa uma mudança geracional

A Democracia portuguesa entrou na idade dos quarenta, aquela idade que na vida, em princípio, significa amadurecimento, temperança e estabilidade. Idade que no entanto, à luz dos conceitos do empresariado agrícola, se pode ainda considerar juventude, tendo em conta que até aos 45 anos, as mulheres e homens da terra, são jovens agricoltores.

A deputada maiata Emília Santos é contemporânea do 25 de Abril, porque nasceu, cresceu e fez-se pessoa, vivendo precisamente essas mesmas etapas que a nossa Democracia cumpriu, porque efectivamente, também nasceu por esses anos, cresceu e fez-se regime, passando pelas dificuldades e tribulações que os seres humanos têm que passar.

Na verdade, a vida faz-se, constrói-se, vivendo e arrepiando caminho.

A nossa deputada, muito para além do seu percurso pessoal e profissional, tem feito um percurso político gradual e evolutivo cuja ascensão tem sido fulgurante, estando hoje no centro de uma mudança geracional que recebe o testemunho de uma classe política, que a pouco e pouco, vai largando o seu apego à presença activa no espaço público, como aconteceu recentemente na Madeira.

Tirando Mário Soares, que não resiste à sua predestinação quase biológica, há uma estirpe de políticos que estiveram na primeira linha do acesso ao poder, no pós 25 de Abril, que embora muito a custo, se vão resignando à necessidade de dar lugar aos novos e abrir espaço à renovação geracional.

O Parlamento tem hoje uma apreciável percentagem de sangue novo, que paulatinamente vem operando essa mudança geracional. Uma mudança que tem expressão também no poder local e no Governo central.

Emília Santos

Confesso que como maiato, me sinto mais confortável, sabendo que nessa nova geração de políticos, há gente nossa, e em concreto uma mulher, a deputada Emília Santos, maiata dos quatro costados, que tem sido uma voz proactiva, quer na defesa dos interesses do norte, e muito em particular da Maia, como na afirmação do interesse nacional, tanto nas várias comissões parlamentares que integra, bem assim, como nas intervenções parlamentares e públicas que tem tido.

Reconheço-lhe inteligência política, espírito aberto, e uma lealdade às suas raízes locais e ideológicas, que fazem dela uma protagonista política com potencial para servir o bem comum, porventura também, noutros órgãos e noutros cargos de natureza política, a nível local ou nacional.

Quando há tempos tive a oportunidade de a entrevistar para a Rádio 5, no programa que realizo e apresento “Praça da Liberdade”, fiquei impressionado com o domínio dos assuntos que abordamos, mas também com a sua humildade, mostrando-se disponível para regressar às suas origens, das quais afirmou estar orgulhosa.

Emília Santos sublinhava-me nessa altura, estar ciente de que o exercício de cargos públicos democraticamente legitimados é transitório, e nesse entendimento, declarava-se sempre pronta para regressar à sua matriz originária, a Maia.

Esta deputada, que de algum modo se pode considerar, expressão da geração de Abril, porque nascida no fervilhar dos tempos soprados pelos ventos da Liberdade e da Democracia, é a meu ver, uma das figuras políticas nortenhas que vai estar no âmago da necessária, desejável e até imprescindível, mudança geracional, que a política tanto precisa em Portugal.

Tenho seguido de perto a sua trajectória parlamentar, e considero que esta mulher do norte é uma mais-valia no parlamento, em Lisboa, pelo que julgo ser de todo o interesse, para a região e para o país, poder continuar a contar com o seu serviço, em nossa representação.

Creio que já não faz qualquer sentido defender a participação das mulheres na política, apenas pelo facto de termos de salvaguardar a igualdade de género, e fazer cumprir quotas mínimas. Penso inclusive que esse imperativo legal, embora ainda necessário, não é desejável, porquanto impõe por decreto uma prorrogativa que devia decorrer do reconhecimento público, das competências e habilidades políticas das mulheres, enquanto méritos próprios e irrefutáveis.

Na sua condição de mulher e de activista determinada, do movimento de mulheres social-democratas da Maia, Emília Santos, não só conseguiu afirmar por direito próprio, o papel das mulheres na política, como logrou no momento adequado, fazer compreender à hegemonia masculina, que as mulheres tinham uma palavra a dizer, uma missão a desempenhar, e uma voz que teria de contar, e conta.

Foi do seio desse movimento, o secretariado concelhio das mulheres social-democratas que tal como a deputada da nação, Emília Santos,

saíram igualmente algumas das mais destacadas personalidades femininas da política maiata, como por exemplo, entre muitas outras, a Presidente de Junta da Cidade da Maia, Olga Freire, a vereadora, Marta Peneda e as deputadas da Assembleia Municipal da Maia, Filipa Rafael e Madalena Nogueira dos Santos.

 

Victor Dias