A passo de CARAcol…

As recentes declarações de António Costa sobre a oportunidade de emigração dos Professores, foram sobejamente exploradas nas redes sociais, devido à semelhança (ainda que porventura mais contundentes) com as declarações de Passos Coelho no passado.
Insurgiram-se muitos cidadãos contra a discricionariedade de tratamento por parte dos media e até do próprio Presidente da República.
Confesso que na actual circunstância do nosso país, e no curto prazo, importo-me mais com a falta de alinhamento (assim como de perseverança, lucidez e clareza) do Governo, do que até mesmo com a apregoada e histórica dualidade de critérios de alguma imprensa.
O que o senhor Primeiro Ministro fez não foi, apenas, assumir que os Professores não têm as garantias de inserção laboral que lhes foram prometidas, mas também que o próprio Governo não acredita no desenvolvimento económico, nos moldes que defende publicamente. E assume ainda que o desenho político de suporte ao Governo é frágil, numa base de negociação por  dossier, sem sintonia programática.

 

Tal obriga a que em Portugal se discurse para agradar ao PCP e ao BE, e na Europa se construa uma dialéctica de maior rigor, a tentar escapar ao ridículo do escrutínio técnico das medidas políticas.
Ano e meio após início da fase de recuperação económica e estabilização social típicas de processos de resgate externo, o País pode até ter vários caminhos opcionais, dependendo da visão individual de cada liderança… O que não pode, nem deve, é vacilar ou ser incoerente nas medidas que toma.
A governação exige diálogo, humanismo, escuta permanente e análise. Depois destas fases, há que decidir e implementar sem receio de implicações políticas, e sob pena de perder o momento.
As políticas governativas devem ser ponderadas, mas firmes. Assim como devem resultar do diálogo, mas serem imunes a pressões corporativas ou partidárias.
Um político sem uma visão, não chega a líder nem a estadista.
E o país caminha a passo de…CARAcol!

Emilia Santos
Deputada à Assembleia da República