A Maia é “um dos municípios mais vanguardistas com boas práticas a serem seguidas em Portugal e na Europa”

Emília Santos

Aos 44 anos, Emília Santos afirma-se como uma mulher muito empenhada na política, que entende como uma missão de cidadania. Vê com otimismo o futuro do concelho e está determinada a continuar a esforçar-se pelo desenvolvimento do país, apesar das políticas adversas implementadas pela esquerda da “geringonça”.

Que balanço dos primeiros seis meses na Assembleia da República?

Nestes primeiros seis meses de mandato vivemos momentos que ficarão para a História. Pela primeira vez na democracia portuguesa, o partido mais votado pelos portugueses não governa e temos um governo suportado pelos partidos menos votados. A nova realidade mudou por completo o paradigma da democracia portuguesa, em que ganhar eleições já não chega para governar. Este novo “modelo” gerou tensões muito fortes na sociedade portuguesa e, particularmente, no Parlamento.
Quase no final desta sessão legislativa aquilo que se vê é um governo sem ideias para além da simples reversão de políticas, um grupo parlamentar do PS sem iniciativa e os dois partidos da esquerda radical a submeterem ao Parlamento tudo aquilo que tinham na gaveta e que nunca tinha sido aprovado no passado.
Seis meses em que o Parlamento está refém de partidos radicais, que representam apenas 15% da sua composição.
Apesar de ter visto a verdade eleitoral atropelada, o PSD não baixou os braços e continua a lutar pelo seu projeto para Portugal: corrigir no presente os erros que não quer ver repetidos no futuro.

Crê que António Costa conseguiu ser bem sucedido com a chamada “geringonça”?

Não creio, obviamente. E, independentemente da minha opinião, os factos assim o confirmam. A estratégia da “geringonça” é dar tudo a toda a gente para calar a boca à sua clientela e ganhar apoios para as próximas eleições.
No início, António Costa só queria ser Primeiro-Ministro; agora só quer manter-se Primeiro-Ministro! E vai torrar todo o dinheiro que puder para ficar nas boas graças das pessoas.
Porém, como toda a gente já percebeu isso, o resultado está à vista: a confiança caiu e o modelo de desenvolvimento do PS está centrado no consumo privado. Se há alguma coisa que o passado nos diz é que esse modelo falhou.

Acredita que a União Europeia irá aplicar sanções a Portugal?

Não creio que a UE aplique sanções a Portugal porque isso seria injusto para com os sacrifícios que os Portugueses fizeram aquando do ajustamento a que fomos obrigados, devido à bancarrota que o último governo do PS nos deixou. Contudo, isto não quer dizer que não tenhamos que cumprir as regras da UE.

Como encarou o resultado do referendo no Reino Unido?

Com preocupação, mas sem alarmismos.
Eu acredito no projeto europeu. Acho que é no espaço comunitário que os países são mais fortes; o espaço comunitário dá aos nossos jovens mais mundo para prosseguirem os seus sonhos; o espaço comunitário fez-nos evoluir enquanto país moderno e Estado Social.
Por isso, fico apreensiva quando um país importante como o Reino Unido diz que quer sair. E mais preocupada fico quando percebo que ninguém tinha um “plano B”, que ninguém acreditava neste resultado.
Isso é negativo, claro, mas sou otimista por natureza. Não há problema interno nenhum que estas 28, agora 27, democracias juntas não consigam resolver.

O PSD está preocupado com a possibilidade de perseguição política aos autarcas social-democratas. Há dados concretos para essa desconfiança?

Infelizmente essa perseguição já começou. E foi logo com a exoneração de dirigentes da administração pública que ganharam concursos públicos realizados pela CReSAP. O resultado é termos hoje os boys do PS praticamente já instalados na totalidade do aparelho de Estado. Mas isto não me surpreende porque o PS faz sempre isto quando chega ao Governo. Note-se que com a criação da CReSAP, o governo liderado por Pedro Passos Coelho impôs à administração pública um princípio muito importante: a competência antes da confiança política! Com António Costa…não preciso dizer mais nada! Os factos falam por si.

Como avalia os contactos que os deputados têm vindo a fazer no distrito com os municípios? Há ainda muitos problemas a ultrapassar?

Claro que sim. As necessidades ainda são muitas. Não podemos esquecer que o período 2011/15 foi muito difícil.
Veja-se o caso da variante à EN14, cujo concurso público foi lançado ainda pelo anterior governo PSD/CDS. Também no que respeita à extensão da linha de metro do ISMAI até Muro, só não se fará se o Governo não quiser porque deixou-se o modelo e as verbas para concretizar.
Reparemos no seguinte: antes havia 25 Milhões de euros de fundos comunitários para o metro e os municípios da Maia e da Trofa disponibilizaram-se a abdicar de cerca de 10% dos seus fundos comunitários para que a verba fosse alocada a essa importante obra. Assim, só não se vai fazer se o atual governo não quiser e preferir dar esses 25 Milhões aos seus amigos Presidentes de Câmara sem qualquer critério.

Que impacto terá na escola pública o corte de alguns contratos de associação com privados?

Um dos perigos dos governos populistas e eleitoralistas como a “geringonça” é fazerem passar meias verdades por verdades completas.
Nos dias que correm, não há oferta nas escolas do Estado para quem quiser dar aos filhos uma educação religiosa, cultural, artística, de inspiração francesa, de modelo americano, etc.
Eu não tenho nada contra as escolas do Estado. Muito pelo contrário. Sou resultado da escola pública, que em regra são boas escolas. Mas a esquerda tem de compreender que o direito à opção entre os diversos tipos de ensino enriquece a sociedade. Se esta esquerda populista e alarmista, de olhos tapados quiser fazer da oferta privada um papão, então os maiores prejudicados serão as famílias com menor capacidade financeira. Essas não têm “quereres”!

Como analisa a postura do Presidente da República e as recentes declarações de que António Costa não era muito diferente de Passos Coelho?

O Senhor Presidente da República está a fazer o que lhe compete: dar todas as condições ao Governo para governar.
Quanto às diferenças entre Passos Coelho e António Costa elas são mesmo muitas. A principal é que Passos Coelho nunca abdicaria da defesa do superior interesse de Portugal e dos Portugueses, por um interesse pessoal circunstancial. Estou segura que Passos Coelho nunca aceitaria Governar o País se não tivesse ganho as eleições. E isso já diz muito sobre as duas personalidades.

Emilia Santos_

O seu trabalho tem contribuído para a evolução do papel da mulher, no âmbito da igualdade de género?

Trabalhar com rigor, competência e dedicação é a coisa mais relevante que eu posso fazer para dignificar o papel da mulher na política e lutar pela igualdade de género.
Com o meu empenho no parlamento, nas causas da Maia, no trabalho político local, distrital e nacional sei que consigo motivar e mostrar que na política podemos mesmo fazer a diferença.
E venho notando que estou, de facto, a contagiar mais mulheres para a vida pública. O que me é muito grato.
Mas o mais importante é o espírito de missão com que encaramos os cargos públicos. Se isto não resultar, nada resulta!

Que ambições políticas tem Emília Santos para o futuro?

Quanto mais pensamos no futuro, mais tropeçamos no presente. Eu sou deputada pelo Círculo do Porto e assumi há pouco tempo funções nacionais no PSD. Quero continuar a fazer um bom trabalho no plano nacional, representando da melhor forma a Maia e esta região. Quero ajudar com muita energia o meu partido e a minha família “laranja” a continuar o bom trabalho no concelho.
Em suma, a minha ambição é desempenhar bem e até ao fim as funções que tenho em mãos.

Para as próximas Autárquicas, acredita que o PSD poderá sem muito esforço conservar a Câmara da Maia?

Acredito firmemente que o PSD vai ganhar as próximas eleições autárquicas na Maia. Mas, deixe que lhe diga que não é sem esforço. Há muito esforço envolvido nas vitórias do PSD na nossa terra!
Em primeiro lugar, o PSD tem obra feita e merece a oportunidade de continuar a fazer da Maia um dos municípios portugueses com melhor qualidade de vida e com mais pujança económica. Aliás, é bem conhecido que a Maia é um dos poucos municípios em que o número de postos de trabalho é superior à população ativa do concelho. Isso quer dizer que a aposta que a Câmara Municipal tem feito na captação de empresas para estas gerarem emprego está a dar excelentes resultados. Depois, também as políticas seguidas na educação, no ambiente, no desporto e na proteção social fazem com que a Maia seja um dos municípios mais vanguardistas, com boas práticas a serem seguidas em Portugal e na Europa. A Maia é uma terra com memória e continuará a confiar no PSD para prosseguir este trabalho frutuoso, primeiro, com Vieira de Carvalho e, depois, com Bragança Fernandes.

Como responde à crítica do deputado João Torres que disse, em entrevista ao Primeira Mão, que a Maia (com este executivo) perdeu a pujança de outros tempos?

Isso não corresponde à verdade. Em dinâmica empresarial e emprego, como referi atrás, dificilmente se encontrará melhor município do que a Maia; no Ambiente a Maia é o concelho que mais separa e recicla; na Educação comos o único concelho que cresce em número de alunos, em toda a AMP; na área social as políticas desenvolvidas pela Câmara atenuaram em muito os problemas causados pela crise, fruto da bancarrota em que o governo PS nos deixou; no desporto a Maia foi, em 2014, a Cidade Europeia do Desporto, e ainda há poucos dias, homenageou mais de 700 atletas na Gala do Desporto. Na cultura, ainda recentemente tivemos uma bienal extraordinária e um cartaz cultural sempre dinâmico. Recordo também que neste ano a Maia se tornou num dos poucos municípios que se certificou integralmente na qualidade, pela norma ISO 9001. Se isto é falta de pujança…
A Maia precisa de continuar este caminho e estou segura de que os maiatos confiarão na credibilidade dos nossos autarcas.
Eu percebo que ao Partido Socialista não reste outro caminho para além da crítica, mas têm de ser razoáveis, senão ninguém os levará a sério…

Emilia Santos_Capa

Emília Santos em primeira Mão:

Idade: 44 anos

Escolas onde estudou: Escola Primária do Gestalinho (Barca); Escola EB 2/3 do Castelo da Maia (ainda na Quinta da Gruta); Escola Secundária da Maia e Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Formação: Licenciada em Psicologia Clínica; Pós-Graduação em Comunicação e Marketing Político; Mestranda em Gestão e Políticas Públicas.

Passatempos favoritos: Conviver com os meus amigos e ler.

Livros preferidos: “As Vinhas da Ira” de John Steinbeck; “Depois de eu morrer todos os dias são meus” de Joaquim Matos Pinheiro…um Maiato.