Hortíssima é um conceito com futuro

Crianças participaram ativamente na Hortissima

A cidade da Maia acolheu recentemente um evento cujo conceito me agradou de sobre maneira e, muito em particular, à minha família. Ao longo dos dias em que esteve patente, fui passando pela Hortíssima e, em momentos diferentes, tive ocasião de observar quem por lá estava, o que fazia e o que dizia.

Na verdade, não encontrei ninguém que criticasse, com fundamentação séria e razoável, um evento que trouxe animação, colorido e alegria à cidade, bem pelo contrário, as inúmeras pessoas com quem falei estavam entusiasmadas com a possibilidade de fruir de um espaço verde, que naquela configuração, se tornou ainda mais aprazível e útil. Um espaço que foi apetrechado com mobiliário muito apropriado, com uma lógica de circulação interessante e um enquadramento paisagístico harmonioso, que não conflituava com o chão verde feito de Natureza.

Hortíssima: dinamismo urbano e ruralidade

O alinhamento concetual da Hortíssima, na sua essência, compagina de forma harmoniosa, o dinamismo urbano que o sopro de evolução das últimas décadas trouxe à cidade, com uma relação multissecular com uma ruralidade que convive paredes meias com a urbe. Tanto assim é, que basta afastarmo-nos um pouco das centralidades urbanas e rapidamente regressamos ao verdejante dos campos e das belíssimas casas de lavoura que pontuam o nosso território concelhio.

A par destes vínculos que a Hortíssima nos avivou, também nos trouxe, ao quotidiano urbanita, o conceito de uma agricultura que nos traz à mesa, verduras e produtos agroalimentares seguros e saudáveis, cujos sabores, aromas e aspeto, os diferenciam daqueles que são objeto de uma normalização imposta por regras mercantilistas.

Por fim e, a meu ver, não menos importante, a Hortíssima reposicionou de um modo natural, a necessidade de darmos o devido valor, à nossa relação com a Mãe Natureza, que no caso concreto da Antiga Terra da Maia, é matriz histórico-cultural de génese, sobre a qual se edificou a nossa identidade, na expressão da forma de ver, ser e estar no Mundo, muito própria dos maiatos. Expressão que se corporiza nos usos, costumes, tradições e formas artísticas, algumas delas presentes no programa que animou o evento.

Comunidade

São iniciativas deste género, que contribuem efetivamente para fortalecer os sentimentos de pertença a uma comunidade, reforçando a coesão e a paz social no seu seio, perspetivando pela via da partilha e da convivialidade social, a integração de quem escolhe a Maia para nela habitar e, não apenas, ter residência fixa.

Enquanto cidadão e maiato, fico á espera da próxima edição, na esperança de que o seu calendário seja mais dilatado no tempo, considerando que a Hortíssima 2016 me soube bem, mas soube-me a pouco. Gostava de lá ter ido com a minha família, para me encontrar e conviver mais vezes com amigos e vizinhos, saboreando produtos maiatos de excelência, ao ar livre, num ambiente descontraído e muito agradável, em que o sorriso das pessoas era o sinal mais inequívoco da sua alegria.

Isto é construir comunidade!…

Victor Dias