Do desemprego para “Maiatas At Home”

A Cooperativa Polivalente de Solidariedade Social “Maiatas at Home” já está a funcionar e foi apresentada publicamente numa sessão, que teve lugar no último dia 21, no salão nobre da Misericórdia da Maia.

Trata-se da primeira cooperativa, fruto do trabalho de capacitação para o empreendedorismo de mulheres desempregadas de longa duração, desenvolvido pela Santa Casa da Maia, a partir de um projeto apresentado ao prémio Agir 2014 da REN, o projeto “As Maiatas”, e distinguido com o Prémio de Mérito.

Com vista a combater o desemprego feminino e de longa duração e em simultâneo o isolamento sénior no concelho, o projeto “As Maiatas” pretendeu capacitar cerca de 20 mulheres, desempregadas de longa duração e com idade média de 40 anos, para a constituição de uma cooperativa de solidariedade social e/ou resposta similar sem fins lucrativos que permitisse aos seus elementos desenvolverem uma atividade sustentada.

Projeto capacitou mulheres desempregadas

O grupo inicial que aderiu ao projeto e contemplava 18 mulheres, mas algumas foram ficando pelo caminho ao longo dos dois anos da formação, ou porque não se identificavam com a ideia ou porque foram conseguindo outros empregos, restando três maiatas que se tornaram as fundadoras da Maiatas at Home, CRL: Isabel Rodrigues, Paula Moreira e Carla Alves.

Os corpos sociais contam ainda com os elementos Maria Cristina Miranda e Elsa Brás. A apresentação e primeira assembleia da cooperativa contou com os convidados: Ana Miguel Vieira de Carvalho, vereadora da solidariedade social; Maria de Lurdes Maia, provedora da Misericórdia da Maia; Avelino Leite, diretor do Centro de Emprego da Maia; Manuel Maio, representante da Delegação do Norte da Cooperativa António Sérgio de Economia Social (Cases); Manuel Sola, representante da União das Cooperativas da Região Norte.

A intervenção junto das maiatas desempregadas dotou-as de competências pessoais, sociais e, em parceria com o Centro de Emprego da Maia, profissionais. Foram ministradas cinco unidades de formação – geriatria, saúde, apoio familiar e à comunidade, técnicas comerciais e de contabilidade. Todas as formações foram certificadas. Foram abrangidas nestas formações mais 29 mulheres desempregadas.

“Apoio no domicílio” e personalizado

Esta nova cooperativa permitirá dar resposta a grupos particularmente vulneráveis (idosos isolados e/ou sem respostas ajustadas ao seu perfil) ultrapassando os constrangimentos das respostas sociais tipificadas na área do apoio à terceira idade, nomeadamente no que toca à flexibilidade, aos horários e ao tipo de serviços prestados.

Paula Moreira esclareceu que o “apoio no domicílio em vez de apoio domiciliário” é o serviço que a cooperativa vai proporcionar “com um cariz diferente do tradicional, costumo dizer que somos, de certa forma, a substituição da família”.

E sublinhou: “podemos fazer companhia, sair com a pessoa a consultas, para além do trabalho de higiene pessoal no domicílio, queremos que os filhos e os cuidadores daquela pessoa relaxem e passem para nós esse trabalho, porque temos noção de que os cuidadores também precisam de muita atenção e descanso. Já estamos – as três sócias fundadoras – a trabalhar em três famílias”.

Neste momento, os esforços destas três empreendedoras centram-se, “com muita calma, em cuidar dos nossos postos de trabalho e, eventualmente, promover novos no futuro, em colaboração com o IEFP”.

A articulação com a Misericórdia deverá continuar, de acordo com Paula Moreira, que recorda que as três foram “formadas num projeto da Santa Casa e a ideia da cooperativa surgiu de uma lacuna que havia no apoio da instituição, que é feito de forma tradicional ao domicílio e nos centros de dia.

Não tinha este apoio mais personalizado na casa do utente, de que há muita procura. Vamos continuar a trabalhar de forma articulada com a Misericórida, que nos poderá angariar também novos clientes”.

Estas três fundadoras da cooperativa recorreram a um micro crédito (até 20 mil euros), que suporta o fundo de maneio e salários iniciais, possibilitando a sustentação desta nova micro empresa e a possibilidade de um crescimento futuro.

Mais que um emprego, um modo de vida

Maiatas At Home presta serviços na área do Grande Porto e está contactável através da página do Facebook, do email maiatasathome@gmail.com ou do telemóvel 917 412 389. A Santa Casa e as Juntas de Freguesia do concelho também têm o contacto da nova instituição.

Paula Moreira frisou ainda que “tem que se gostar muito deste trabalho para abraçarmos esta atividade, pois estamos a lidar com pessoas numa situação mais fragilizada e que necessitam de muita atenção e cuidados. Não é um emprego normal, mas sim um modo de vida que precisa de um empenho especial”.

Angélica Santos