Sandro Norton & friends no Coliseu do Porto

Sandro Norton encheu, no passado dia 12 de Outubro, quarta-feira à noite, o palco do Coliseu do Porto com músicos de primeiríssima categoria, conseguindo o desiderato de realizar um concerto memorável que ficará para a história do Jazz na cidade.

Visivelmente empolgado de emoção pelo momento que estava a viver, Sandro Norton revelou as suas qualidades humanas mais dignas de serem reconhecidas, de entre as quais destaco a humildade de saber trabalhar em equipa, a sua imensa generosidade pessoal e artística e uma permanente rejeição do deslumbramento narcísico, que contamina por vezes alguns artistas, não raras vezes, bem menos talentosos do que ele.

Em palco, Pedro Abrunhosa, que teve a honra de ser a única voz do concerto e que também se sentou ao piano para tocar com o octeto, sublinhou precisamente as qualidades da pessoa humana do virtuoso mago da guitarra.

Interpretando “Se eu fosse um dia o teu olhar”, “Ilumina-me” e Não dar o corpo pela alma”, Pedro Abrunhosa reviu velhos amigos e serviu três dos mais belos temas de sua autoria, com arranjos instrumentais que provaram a qualidade intrínseca da sua Música e o potencial que encerra, podendo ser tocada com outras roupagens instrumentais, sem nunca perder o seu caráter original e toda a sua riqueza harmónica.

Claro está que para além da simplicidade na maneira de ser de Sandro Norton, o músico, acrescentou à singeleza das suas palavras, momentos de extraordinária qualidade interpretativa e técnica, revelando-se um exímio instrumentista, com particular brilhantismo nos temas que tocou a solo, demonstrando a magia da sua Arte na guitarra percussiva. Uma técnica que domina com inequívoca mestria.

A marcar a história do acontecimento cultural e do Jazz no Porto, esteve também Gary Burton, uma legenda viva do Jazz que averba no seu imenso palmarés artístico, nada mais nada menos que seis Grammies, entre muitos outros prémios de dimensão mundial.

Ao piano, João Salcedo, foi servindo lastro harmónico e fraseado cristalino, como base fundamental para os alicerces do contrabaixo de Carlos Barreto, emparceirando com o fantástico baterista Mário Barreiros, a talentosa violoncelista Micaela Ferrão, o harmonicista e acordeonista Filipe Trigo, o percussionista André No e, claro, o sensacional guitarrista Sandro Norton.

Com aquele elenco de luxo, a noite só poderia ter sido, como foi, toda ela Música para os meus ouvidos. Enfim, era mesmo um concerto imperdível, no qual tive o imenso prazer e privilégio de estar.

A Viagem que o público experimentou, conduzido pela máquina da Música que o Sandro Norton comandou em palco, levou-nos de asas bem abertas, planando num voo livre que passou pela bravura andaluz, pelo cheirinho tropical a café e canela, rondou a alma lusa e deixou-nos saborear o travo instrumental do caráter rítmico, harmónico e melódico, que marca a Música instrumental de culturas oriundas de diversas latitudes.

O guitarrista comunicou ao público que “Flying High…At The Heart Of It” – EPK” é parte de uma trilogia, o que nos deixa na ânsia do que está para vir, considerando que a julgar pelo que vimos e ouvimos ao vivo no Coliseu, será com certeza Música da melhor qualidade.

Sem tibiezas, declaro-me convictamente um indefetível fã da guitarra de Sandro Norton, com especial apreço pela sua incomparável guitarra percussiva.
Bravo, bravíssimo – Sandro Norton!…


Victor Dias