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Nova linha do Metro do Porto entre Hospital de S. João e Maia em análise para depois de 2021

Metro do Porto ISMAI

A empresa do Metro do Porto vai mandar fazer estudos técnicos para alargar a rede, no futuro, a três novas linhas para Gondomar, Maia e Gaia. Ainda sem garantias de financiamento.

O anúncio foi feito pelo ministro do Ambiente na sessão de apresentação da nova etapa de alargamento da rede, com as ligações entre Casa da Música – Estação de S. Bento, no Porto, e Santo Ovídeo – Vila D’Este, em Gaia.

Na reunião do conselho de administração da Metro do Porto, que contou com a presença de Matos Fernandes, “ficou combinado que há três outras linhas que irão ter, do ponto de vista dos estudos, igual calendário” às duas novas ligações no Porto e em Gaia. Estas serão construídas até 2021.

O ministro do Ambiente referiu que os estudos serão efetuados para uma nova ligação a Gondomar, que ligará o Estádio do Dragão (Porto), por Contumil, até ao centro de S. Cosme, para uma ligação entre o polo universitário da Asprela, junto ao Hospital de S. João (Porto), e a Maia, e uma terceira que ligará a Casa da Música até às Devesas, em Gaia, com uma nova ponte sobre o Douro.

No entanto, para estes três percursos não há financiamento garantido, pelo menos no âmbito do atual quadro comunitário de apoio, que se estende até 2020. “Só será possível num futuro pacote financeiro integrado noutro quadro comunitário de apoio”, disse Matos Fernandes.

O governante disse ser “errado” não se prever a expansão das redes dos metros do Porto e de Lisboa neste quadro comunitário de apoio, uma vez que “outros países da Europa têm projetos como estes a serem financiados”.

Metro não chega à Trofa

Tendo em consideração os estudos agora feitos, a ligação entre a estação do ISMAI, na Maia, e a Trofa não é rentável. Por isso, o projeto de extensão da linha fica na gaveta, onde já estava há diversos anos. O Governo vai, no entanto, analisar uma solução de mobilidade que garanta a ligação à Trofa.

“Porque sabemos e reconhecemos a injustiça cometida com o retirar do canal de comboio na Trofa, estamos a estudar uma solução”, acrescentando tratar-se de “um estudo de transporte que não inclua o modo ferroviário”. Esta “solução”, que será construída e desenhada com a Câmara da Trofa.

Metro do Porto na Maia

Concursos em 2018

Os concursos públicos para a construção das vias entre Casa da Música – Estação de S. Bento, e Santo Ovídeo – Vila D’Este, deverão ser lançados em maio de 2018. As obras devem começar em 2019.

O ministro do Ambiente, que tutela os transportes, diz serem aquelas “que fazem mais sentido e geram maior procura”. Os estudos apontam para mais de 30 mil clientes por dia.

O Metro do Porto passará a servir o Centro Materno-Infantil e o Hospital de Santo António, no Porto, e o Hospital Santos Silva, em Gaia. Estas são três das novas sete estações, sendo que a rede cresce mais seis quilómetros.

Linhas Rosa e prolongamento da Amarela

A nova ligação no Porto será a linha Rosa e fará a ligação subterrânea entre a Casa da Música, na Boavista, e a Estação de S. Bento, na Baixa. Custará cerca de 181 milhões de euros. Além de uma nova estação na Casa da Música, que terá uma ligação pedonal à atual estação, terá paragens em Galiza, Hospital de Santo António e, claro, Estação de S. Bento. Aqui com uma ligação subterrânea à histórica estação ferroviária.

A extensão da Linha Amarela de Santo Ovídio até Vila D’Este deve custar cerca de 106 milhões de euros. Será feita à superfície e integra três paragens: Manuel Leitão, na proximidade da escola EB 2,3 Soares dos Reis e da RTP, Hospital Santos Silva e, claro, Vila D’Este, junto de uma urbanização que é uma pequena cidade, com mais de 17 mil residentes.

Prolongamento do Metro do Porto para VN Gaia

Linha Metro do Porto da Estação de São Bento e Casa da Música

Número de clientes

O estudo do CITTA – Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto adianta que a ligação Santo Ovídio-Vila D’Este tem uma procura estimada de 5520 novos clientes em dia útil.

Já a linha Rosa terá cerca de 27 mil. Esta surge como apresentando uma elevada atratividade e melhor potencia a rede existente, contribuindo para a sustentabilidade do Metro do Porto.

Os mais de 30 mil clientes diários estimados para este dois novos troços representam um acréscimo de cerca de 20% no tráfego anual de passageiros.

A revolta da Trofa

No anúncio das novas linhas não se ouviram vozes discordantes e foi elogiado o espírito de consenso na Área Metropolitana do Porto. Mas, algumas horas depois, começaram os protestos.

O presidente da Câmara da Trofa prometeu “denunciar às instâncias europeias” o facto dos diversos governos terem cancelado a prometida extensão do metro do Porto até àquela cidade. “Se havia dinheiro para a extensão da Linha C até à Trofa, se a União Europeia fez chegar esse dinheiro via Governo – e em causa estão todos os governos até ao dia de hoje – onde é que foi gasto esse dinheiro? Vamos pedir para que as responsabilidades sejam averiguadas”, disse o presidente da câmara da Trofa. Sérgio Humberto acusou o PS de “não gostar da Trofa”.

A alegada falta de rentabilidade da ligação de Metro ao centro do concelho trofense não convence Sérgio Humberto, para quem a população da Trofa “merece e exige mais”. A promessa de uma alternativa e que esta será construída e desenhada com a Câmara da Trofa, também não chega. Por isso, o autarca promete o envio de uma “denúncia às instâncias europeias”. E quer conhecer em detalhe os estudos que levaram às opções atuais.

Os protestos do edil são secundados pelo PCP da Trofa, que considerou a decisão do Metro do Porto como “particularmente negativa”, e também da estrutura local do PS. “O PS Trofa continua a defender a expansão da linha de metro até ao centro da cidade da Trofa, por uma questão de justiça para com as populações, mas também pelo posicionamento estratégico para a Região”, assinala a concelhia ‘rosa’.

Gondomar dividido

O autarca socialista de Gondomar, Marco Martins, mostrou-se contente com a integração da sua nova proposta de ligação, entre o Dragão e S. Cosme, numa próxima fase. Mas o PCP local “considera inaceitável que a ligação ao centro de Gondomar não só não seja considerada no imediato, como não seja perspectivada a sua construção num horizonte razoável”.

Matosinhos à espera

Já a Câmara Municipal de Matosinhos salienta esperar que o anúncio de que vão ser estudadas três novas linhas não sirva para adiar, mais uma vez, a criação de uma linha a Matosinhos através da Boavista.

O independente Eduardo Pinheiro quer, desde já, que o Governo estabeleça um cronograma claro para a concretização desta via entre a Casa da Música e Matosinhos-Sul.

Apesar de considerar a linha no interior da cidade como uma boa notícia, a concelhia do Porto do PSD criticou Rui Moreira por assumir uma posição submissa. É “lamentável que Rui Moreira se resigne à construção de uma segunda linha, que não consideramos prioritária, para a Baixa do Porto, em detrimento da prometida e consensual Linha do Campo Alegre, essencial para aliviar o trânsito caótico da zona ocidental da cidade, ou mesmo da expansão da linha amarela do Hospital de São João para a Areosa – com ligação à linha laranja no Parque Nascente”, refere o PSD.

PSD Porto

A Distrital do Porto do PSD esperou por esta semana para criticar as opções do Governo. Diz que são “insuficientes, desequilibradas e altamente injustas”. Em comunicado, a distrital liderada por Bragança Fernandes refere que as escolhas do executivo prejudicam as populações do norte da Área Metropolitana, particularmente as da Trofa, “que estão sem transporte ferroviário há mais de 15 anos, com a promessa da sua substituição pelo metro de superfície”.

Por isso, diz a distrital em comunicado, “só depois de resolvido o problema da Trofa é que o PSD do distrito do Porto aceitará discutir soluções credíveis para a expansão da rede de metro do Porto, de forma equivalente a todos os municípios, nos mesmos moldes em que o Estado expandiu e expande a rede do metro de Lisboa”.

A Distrital do Porto do PSD vai propor ao seu Grupo Parlamentar que leve o assunto novamente à Assembleia da República.

Metro bate novo recorde em 2016

O Metro do Porto fechou o ano de 2016 com a maior procura de sempre. Transportou mais de 58 milhões de clientes (58.027.526). Em relação a 2015 há a registar um aumento de 0,4%, o que faz de 2016 o 13º ano de crescimento do Metro do Porto em catorze anos de operação comercial.

Os melhores meses do 2016 foram Maio e Outubro, com mais de 5,3 milhões de validações cada, sendo Agosto, como é hábito, o mês com menos clientes.

A Linha Amarela (D) continua a ser a líder, com 17,4 milhões de viagens e um aumento de 3,3 em comparação com 2015. Já o tronco comum às linhas Azul (A), Vermelha (B), Verde (C), Violeta (E) e Laranja (F), manteve-se como o principal eixo da rede do Metro, com cerca de 31 milhões de clientes.

A linha que serve o Aeroporto do Porto, a Violeta, teve mais de 1,7 milhões de passageiros, representando um crescimento de 16,7% face a 2015.