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Profissionais do circo querem estrutura que os represente

Cerca de meia centena de pessoas responderam ao primeiro encontro proposto pelo INAC – Instituto Nacional de Artes Circenses, para iniciar uma série de debates sob o lema “Vamos falar sobre o Circo”.

O pontapé de saída deu-se com 52 participantes no dia 29 de janeiro, nas instalações do Acro Clube (Complexo ArtGym, Maia), tendo-se seguido, cerca de um mês depois, outra discussão sobre os problemas relacionados com os profissionais do circo, desta feita, no espaço da Associação ADN/Armazém 13, em Lisboa.

Os responsáveis do INAC entendem que é importante reunir a comunidade de artes circenses, porque a área está desorganizada e sem apoios em Portugal.

E como o Circo “não serve só para entreter as festas de Natal”, de acordo com a organização, é fundamental colocar na mesma discussão de ideias “artistas, companhias, programadores, escolas, associações e demais agentes culturais do setor” para chegar “à conquista e criação de direitos das artes e dos artistas do Circo”.

Juliana Moura, do INAC, é uma das promotoras destas ações e referiu que as principais preocupações dentro deste setor dizem respeito à dificuldade em criar postos de trabalho, nomeadamente “a falta de contratos de trabalho” e a falta de “apoios à criação”. A relação entre formação académica e mercado de trabalho também foi um tema em cima da mesa, tendo em conta que, nos dias de hoje, o artista é encarado como “auto-promotor e gestor”.

Por outro lado, no que concerne ao Circo Contemporâneo, sublinha Juliana Moura que é consensual a grande “lacuna em espaços de treino, criação e exploração” em simultâneo com o que diz ser “desconhecimento por parte dos programadores sobre o circo contemporâneo”.

Depois destas primeiras abordagens dos profissionais aos seus problemas, refere Juliana Moura que ficou decidido trabalhar na “formação pedagógica como veículo para a capacitação da auto-promoção”, bem como “fomentar a comunicação entre escolas, CENA, associações, companhias e programadores (fomentar uma rede de comunicação)”. Os profissionais vão apostar ainda em “centralizar a comunicação e informação” e fazer esforços para criar “uma estrutura de representação, que poderá passar por uma nova associação ou cooperativa”.

Acima de tudo, será importante que se alimente a ideia do “reconhecimento do circo como propriedade intelectual”.

Angélica Santos