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Encontro de inovação pedagógica apresentou o “pai do e-learning” Mike Sharples

O 3º Encontro SPERTABi sobre inovação pedagógica voltou a salientar a importância de as escolas serem espaços de encorajamento para voar, dando asas aos alunos para procurarem o conhecimento recorrendo aos mais modernos meios, que afinal, para eles, são os recursos mais naturais e atuais. A cimeira decorreu nos dias 4 e 5, no Fórum da Maia, com a participação de centenas de docentes.

Partindo de uma iniciativa de Marco Bento, no âmbito de uma investigação financiada no Centro de Investigação em Educação, na Universidade do Minho, o encontro de dois dias trouxe como novidade nesta edição a intervenção do convidado Mark Sharples, da Open University do Reino Unido, o “pai do e-learning”. A sua investigação envolve o estudo de novas tecnologias e ambientes de apresnedizagem numa perspetiva de Human-Centred Design. Foi responsável por criar a Conferência mLearn e foi fundador e presidente da International Association for Mobile Learning.

Sharples foi responsável pela primeira plataforma a permitir que os alunos adquirissem um grau académico numa das principais universidades do Reino Unido a partir dos seus tablets e smartphones – a FutureLearn Company.

Na conferência que proferiu para uma plateia completamente cheia no Grande Auditório do Fórum da Maia, Mark Sharples começou por se mostrar satisfeito por nesta sua primeira visita ao Porto e à Maia encontrar “tanta gente entusiasta com as novas tecnologias voltadas para a aprendizagem”.

Sharples destacou a importância da pedagogia e suas metodologias, que devem ter primazia sobre a tecnologia, pois esta vai-se alterando enquanto que aquela perdura.

Como exemplo da primazia à pedagogia, Sharples lembrou uma entrevista de Edison, o inventor da câmara de filmar, em 1913, em que o inventor considerava que o cinema iria revolucionar o ensino e prognosticava que os livros se tornariam obsoletos nas escolas. Uma previsão que não viria a tornar-se realidade, o que prova, frisou Mark Sharples, que “a tecnologia por si só não muda as escolas”.

Mark Sharples tem por isso desenvolvido um profundo trabalho de elaboração de novos métodos pedagógicos, que constituem um “recurso para professores e alunos, são novas formas de ensinar e de aprender”. Ao seu grupo de trabalho juntaram-se algumas dezenas de professores de todo o mundo, sendo que já elaboraram e sistematizaram cerca de 50 métodos pedagógicos em que o aluno é o centro do conhecimento. E esse foco começa desde logo na escolha das matérias que se irão estudar ao longo do ano letivo, “os alunos enumeram os temas que consideram importantes, que lhes interessam estudar”, explicou o investigador.

Esta conferência, organizada pela da Câmara Municipal da Maia, teve o apoio do Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho, os Agrupamentos de Escolas do Concelho da Maia e o CFAE Maia/Trofa, e contou com conferencistas nacionais e internacionais.

Na sessão de abertura, marcou presença o presidente da Câmara da Maia, que na sua intervenção afirmou que estes dois dias do SUPERTABi Maia Summit deverão ser “bem empregues”, num contexto de uma comunidade inovadora como é a Maia em termos de ensino.

Para a cidade da Maia, o encontro é muito importante tendo em conta que o município aposta muito na educação das suas crianças e jovens. O ensino e a aplicação das novas tecnologias é um assunto muito importante ser debatido, “desta forma plural e informal, para que as crianças se motivem, que os alunos ganhem novas formas de aprendizagem, com vista a termos cidadãos mais competentes e possamos ter um concelho mais forte, com uma economia dinâmica, onde os ordenados sejam potenciados. Só assim as pessoas poderão viver melhor e ser mais felizes”, sublinhou António Silva Tiago.

O presidente da Câmara da Maia acredita que este é um “envelope muito bem arrumado e estruturado” podendo o município utilizar esta “doutrina para bem de todos nós”.