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Espaço ‘Make It Pegagogical’ inaugurado na Maia

Único no Norte do país, o novo polo de formação contínua de professores e da investigação sobre os novos cenários de inovação pedagógica, mediados por tecnologia, já foi inaugurado.

A cerimónia decorreu no passado dia 11, na antiga Escola Primária de Pedras Rubras.

O Ambiente Educativo Inovador, denominado ‘Make It Pegagogical’, está disponível nas instalações daquela que agora é a sede da Associação dos Antigos Alunos da Escola Primária de Pedras Rubras. O espaço ‘Make It Pegagogical’ pretende afirmar-se como um espaço de formação de professores e de apoio a projetos de investigação.

O presidente da Câmara da Maia considera que é o registo da evolução da Maia que tem sido um concelho vanguardista na Educação. É de extrema importância tudo o que seja feito para que “as crianças se motivem, que os alunos ganhem novas formas de aprendizagem, com vista a termos cidadãos mais competentes e possamos ter um concelho mais forte”, afirmou António Silva Tiago.

O objetivo de um protocolo que surge no âmbito do projeto SUPERTABi é o alargamento a todas as escolas do concelho, nos sete agrupamentos de escolas do concelho da Maia.

Na altura em que teve lugar o SUPERTABi Summit Maia, no ano passado, Mark Sharples (Professor Emérito da Open University, Reino Unido) foi o orador principal e explicou que tem desenvolvido um profundo trabalho de elaboração de novos métodos pedagógicos, que constituem um “recurso para professores e alunos, são novas formas de ensinar e de aprender”.

Através da sua linha de pedagogia, um conjunto de professores de todo o mundo já elaboraram e sistematizaram cerca de 50 métodos pedagógicos em que o aluno é o centro do conhecimento.

Com este novo espaço de preparação dos professores para lidarem com novas tecnologias ao serviço do ensino e novos métodos pedagógicos, os docentes terão a possibilidade de melhoria de métodos e de aproximação às novas formas de aprender, que valorizam e capacitam o aluno como centro do conhecimento.

Ambientes Educativos Inovadores

Marco Bento, Investigador em Tecnologia Educativa e coordenador do Projeto SUPERTABi, explica em entrevista ao Primeira Mão as caraterísticas deste novo espaço, o ‘Make It Pedagogical’.

De acordo com Marco Bento estes são Ambientes Educativos Inovadores, isto é, consistem em “espaços de trabalho, pensados e desenhados para o desenvolvimento de situações de aprendizagem ativa, compatíveis com as exigências inerentes à evolução social e tecnológica.

A ERTE-DGE disponibiliza o apoio necessário para que as escolas continuem empenhadas na renovação da ação educativa e na adoção de novas práticas pedagógicas.

Este espaço surge no sentido de dar resposta à necessidade de fazer formação à medida, personalizada e centrada nos professores. Porque acredito que o processo de formação contínua de professores, algo que os professores fazem constantemente durante o ano letivo (devido à obrigatoriedade para a sua carreira) precisa de se tornar efetivamente em formação, que vise uma alteração de práticas nas suas salas de aula e não apenas um complemento burocrático da carreira de docente.

Sentimos que era necessário um espaço fora das Universidades, fora das escolas, que tivesse todas as condições para receber os professores em momentos de formação, onde possam aprender, redefinir práticas e replicar nos seus contextos específicos.

Assim, estar num local específico de formação de professores, que não está ligado a nenhuma escola, favorece o envolvimento da aprendizagem dos professores.

Também sabemos que no nosso processo formativo, a sedução dos professores para a formação acontece pela necessidade e pela envolvência e não por uma qualquer obrigatoriedade de o fazerem (um erro típico na formação contínua de professores)”.

Parcerias possibilitam esta inovação

Este novo espaço na Maia nasce de “uma parceria entre a Câmara Municipal da Maia, a Associação de Antigos Alunos da Escola de Pedras Rubras, Agrupamentos de Escolas do Concelho, FAPEMaia (Associação de Pais do Concelho da Maia) e um conjunto de empresas como a Promethean, Steelcase, BCN, Areal Editores, Bee Verycreative, SPC, Lenovo, Porto Editora (escola virtual), que cederam um conjunto de material, mobiliário e tecnologia que se encontra definido pela ERTE-DGE como sendo o usado para num Ambiente Educativo Inovador, desde a tecnologia – impressora 3D, tablets, painéis interativos a mobiliário flexível, que permite reconfigurar em minutos o espaço físico em tipologias diferentes – grupo, pares, apresentação, pesquisa… e depois tudo isso com pedagogias centradas no aluno, como o flipped learning, a gamification, game based learning, entre mais 50 formas novas de aprender”, explicou Marco Bento.

Existem cerca de 150 espaços com este, mas localizados em escolas, sendo usados numa perspetiva de salas de informática, requisitados para o efeito, no entanto têm pouco uso, pelo simples facto de os professores não saberem usar a tecnologia existente, gerir as tipologias de espaços, flexibilizar o currículo e inovar pedagogicamente, sendo muitos desses espaços usados como montras de tecnologias “paradas” sem utilização eficiente.

Diz Marco Bento que “a nossa estratégia foi dotar os professores de formação nesse espaço para irem para o terreno com formação, para que as escolas que recriem (como o estão e irão fazer) tenham professores dotados de conhecimento e com formação de uma nova forma de ser professores – estará para nascer um espaço destes na EB 2,3 Gonçalo Mendes da Maia e nas sete atuais salas SUPERTABi e nas futuras do mesmo projeto”.

Existe uma relação entre este espaço ‘Make it’ e o Projeto SUPERTABi?

A esta questão, Marco Bento é categórico: “na realidade o Projeto SUPERTABi é a essência de tudo isso, uma vez que andámos a realizar a formação em contextos de cada um dos Agrupamentos, agora toda a formação SUPERTABi acontece naquele local, com aquele material, criando cenários de inovação pedagógica, que com os recursos que essas turmas já têm nas suas salas lhes vai sendo mais fácil redefinirem a sua forma de ensinar.

O espaço nasce de forma objetiva para dar resposta ao projeto, na sua componente de formação e acompanhamento de professores, sediando o espaço de encontro, partilha e reflexão semanal dos professores e do projeto. Nas suas salas estes professores vão recriando este espaço físico, pedagógico e tecnológico com os seus alunos”.

Como irá funcionar e a quem se destina?

Este Ambiente Educativo Inovador denominado de ‘Make it Pedagogical’ tem algumas características que o diferenciam de outros existentes no país, como especifica Marco Bento, “nomeadamente, o facto de ser um polo exclusivo para a formação contínua de professores articulado com investigação em educação.

Assim, e neste mesmo âmbito, sedia-se neste espaço além do Projeto SUPERTABi, também o Projeto financiado pela FCT “Rekindle+50”, ou seja, um projeto que visa o reencantamento e ressignificação da carreira docente, dos professores com mais de 50 anos (cerca de 100 professores ao longo de 2 anos), numa parceira entre as Universidades do Minho e do Porto.

Muito brevemente, contaremos com outras iniciativas relacionadas com a formação e investigação, nomeadamente, com a Formação de Professores de diferentes países da Europa, que vêm a este espaço partilhar práticas pedagógicas ou fazer formação, nomeadamente, o Projeto “Gaming in action: Engaging Adult Learners with Games and Gamification”, numa parceria com Universidades, Empresas e Escolas (Grécia, Turquia, Roménia, Portugal).

Este espaço de aprendizagem de professores tornou-se num local de encontros, partilhas, workshops, um local privilegiado de aprendizagem profissional ao longo da vida (lifelong learning).

O espaço Make it Pedagogical tem em conta três dimensões fundamentais neste processo de transformação pedagógica: a Pedagogia, a Tecnologia e o Espaço – as três estão em igualdade de circunstância quando se leciona. Ou seja, partir do princípio que para qualquer tarefa de aprendizagem o professor tem um objetivo que deverá estar estreitamente ligado a algo de significativo para o aluno.

Mas também que cada desenho dessas tarefas considere sempre a tecnologia que mais se apropria ao desenvolvimento das mesmas, bem como a definição e a reorganização do espaço de aprendizagem (físico e virtual)”.

Recorde-se que o projeto SUPERTABi nasceu há três anos como projeto de investigação e teve como principal objetivo transformar as práticas pedagógicas dos professores através da utilização de novos modelos pedagógicos centrados no aluno, tais como: a aprendizagem invertida (flipped learning), aprendizagem com jogos (GBL), a gamificação, aprendizagem baseada em projetos (PBL), o trabalho cooperativo, o trabalho colaborativo, entre outros modelos, sempre mediado por e com tecnologia, nomeadamente, a tecnologia móvel, mas também tendo sempre em conta a flexibilidade curricular e dos espaços de aprendizagem.

SUPERTABi conta com participação de sete professores, um em cada agrupamento da Maia

Nesta altura o Projeto SUPERTABi conta com a participação de sete professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, um de cada Agrupamento de Escolas do concelho da Maia, estando a ser realizados os diferentes momentos de formação neste espaço com 20 professores, os sete atuais a que se juntam 13 a breve trecho.

Os espaços AEI ( Ambientes Educativos Inovadores) vão sendo implementados nas EB1s, nas salas SUPERTABi (7 deste ano, mais pelo menos 7 para o próximo ano, da responsabilidade da Câmara da Maia e dos Agrupamentos de Escolas), mas outros vão nascendo noutros níveis de ensino por autonomia dos Agrupamentos ou Associações de pais.

Marco Bento adianta que existem projetos com a sua supervisão nas EB 2,2 da Maia e Centro Escolas de Gueifães, mas sem datas de desenvolvimento.

SUPERTABi foi explicado no Reino Unido

Marco Bento esteve recentemente em Manchester, no Reino Unido, onde participou na Conferência Internacional Reconceptualising Early Childhood Literacies.

Investigadores de 38 países juntaram-se para repensar e apresentar práticas sobre a Educação na primeira infância e o Projeto SUPERTABi Maia também esteve presente para mostrar é implementado na Maia. Uma conferência que contou com mais de 180 participantes de todo o mundo.