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Tenho por lemas de base da minha ação “Não deixar ninguém para trás” e “Todos contam e são importantes”

Emília Santos, vereadora da Educação, Ciência e Saúde na Câmara da Maia, está a terminar a Legislatura como deputada na Assembleia da República (PSD). Já anunciou que se vai dedicar por inteiro aos maiatos. Nesta entrevista ao Maia Primeira Mão fica traçado um balanço do trabalho efetuado nas duas vertentes políticas e os horizontes para o futuro.

Assumiu que vai dedicar-se a tempo inteiro aos maiatos e às funções de vereadora. O seu pensamento sempre foi esse desde as eleições autárquicas ou a decisão foi condicionada pela mudança de líder no PSD?

A decisão já estava tomada quando assumi um lugar na vereação. Naturalmente, podia ter abandonado o Parlamento nessa altura, mas entendi que podia ser mais útil à Maia e ao distrito do Porto se me mantivesse em ambas as funções. Sobretudo porque não está na minha natureza abandonar funções para as quais fui eleita e e para as quais obtive a confiança das pessoas.

A decisão do Tribunal de recusar o pedido do JPP para a sua perda de mandado, deixa-a confortável no rumo que vai tomar politicamente?

O conforto nas funções não é dado por decisões dos tribunais. O conforto é definido pela consciência que estamos a fazer o melhor pela nossa comunidade e pelo apoio que as pessoas nos dão. Imagine que o tribunal tinha decidido pela perda de mandato – porque os juízes, como qualquer pessoa, estão sujeitos ao erro – mesmo assim eu estaria segura que tomei as decisões que melhor defendem os interesses da Maia.

Como corolário da sua atividade na AR neste último mandato, que situações/medidas elege como as que marcam o seu percurso?

Creio que o meu trabalho foi marcado pela confiança conferida por todos os partidos que me elegeram para membro da Mesa da Assembleia da República. Foi uma honra e um desafio.

Do ponto de vista temático, tive a oportunidade de defender, em nome do PSD, muitos diplomas em matéria de Educação, Habitação, Descentralização e Poder Local. Curiosamente, as minhas áreas preferidas, pois nem sempre acontece podermos trabalhar no Parlamento nas nossas áreas de vocação. Mas comigo, felizmente, aconteceu.

Alguma vez se sentiu envolvida numa luta em prol dos cidadãos em que tenha havido um sentimento de impotência para alcançar uma solução afirmativa? Qual?

Para aqueles que, tal como eu, são convictos na defesa dos interesses da sua comunidade, naturalmente que já se depararam com as mais diversas dificuldades. No entanto, mesmo assumindo que não se ganham todas as batalhas, devemos ter a capacidade de afirmar a nossa estratégia e lutar afincadamente pelos interesses dos “nossos”.

Dou o exemplo do prolongamento da linha de metro Ismai-Trofa; construção da variante à Estrada Nacional 14 entre Maia-Trofa-Famalicão; como da falta de Assistentes Operacionais nas escolas básicas, que na Maia conseguimos ultrapassar graças ao apoio da Câmara Municipal, que só este ano contratou 26 Assistentes Operacionais e 5 Assistentes Técnicos, para salvaguardar a segurança das crianças e jovens que estava em causa, para além do bom funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

Assumiu na autarquia pelouros de áreas que marcam profundamente a vida das pessoas: Saúde; Educação e Ciência. Quais foram até agora as áreas mais desafiantes?

É precisamente a vida das pessoas e a sua vivência e convivialidade em sociedade que pretendo marcar profundamente. Da estratégia ao plano de ação, foco-me essencialmente no impacto positivo que inclui, facilita e potencia o valor de cada um de nós.

Tenho por lemas de base da minha ação “Não deixar ninguém para trás” e “Todos contam e são importantes”.

Trabalho diariamente na construção de uma sociedade coesa e sustentável, que integra e envolve, que facilita a participação e a inclusão e potencia a competência e o talento.

Como quem me conhece bem sabe, as áreas nas quais assumi funções são áreas que me apaixonam. No entanto, o impacto que pretendo criar nas pessoas e na minha comunidade é transversal a todas as áreas.

A Educação é um pelouro que envolve o presente, mas, acima de tudo, determina o futuro de uma comunidade. A Maia está a dar passos para melhores cidadãos no futuro? Em que aspetos?

A Educação tem sido uma clara prioridade da Câmara Municipal da Maia. Uma prioridade que a excelência do Parque Escolar da Maia, quer do ponto de vista das estruturas edificadas quer do ponto de vista dos equipamentos disponíveis e dos projetos que implementamos claramente atestam. As políticas públicas municipais em matéria de educação e ciência têm projetado a nível nacional o nosso concelho.

Hoje, a Maia é dos concelhos do país onde o paradigma ensino/aprendizagem proporciona melhores condições para que os resultados aconteçam com naturalidade, sob o pressuposto de que as crianças e jovens devem ser felizes na escola. O município da Maia alcançou o primeiro lugar do ranking Smart City Index, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, no indicador para a Qualidade de Vida/Sub dimensão Educação. Estratégia que continuaremos a aplicar com a mesma perseverança e responsabilidade.

Por isso, posso afirmar que estamos, sim, a dar passos firmes para educar futuros melhores cidadãos. A Maia tem apostado em três pilares: aplicação constante de novas pedagogias; trabalho em rede com todos os agentes educativos e a sociedade civil; e evolução tecnológica das salas de aula.

O pelouro da Educação não tem parado nestas matérias. Queremos estar sempre atualizados com as metodologias que o “mercado internacional” nos apresenta como mais interessantes para a aprendizagem; gostamos de envolver todos os técnicos, professores, diretores de escola, autarcas, e demais comunidade educativa, tendo sido notório e reconhecido o nosso esforço de envolver todos que tenham por missão fazer das crianças e jovens maiatos, seres felizes e preparados para um mundo competitivo e global que os espera.

O nosso objetivo é que as crianças cresçam enquanto alunos e enquanto cidadãos, e que tenham as ferramentas para perseguir os seus sonhos. Só assim teremos uma sociedade melhor. Sim, estamos no bom caminho.

No que respeita ao presente, em dois anos, o que pode afirmar que ajudou a construir na Maia no âmbito dos seus pelouros?

Ajudei a construir o que penso e defendo para a melhor Educação. Deixa de importar aquilo que sabemos e passa a importar o que fazemos com a informação disponível. O conhecimento, hoje, está “à distância de um telefone ou tablet” e a escola tem de adaptar-se a esta nova realidade. Não é uma construção pensada sobre as minhas perceções, mas sim sobre evidências e boas práticas.

Nos dois últimos anos, as nossas escolas sofreram enormes melhorias ao nível das infraestruturas, do reforço e da otimização das equipas técnicas e operacionais, dos projetos implementados desde o pré-escolar ao ensino secundário.

Na educação pré-escolar, uma prioridade da nossa política educativa municipal, implementamos o Projeto LUDI+, com o apoio da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, que nos permite oferecer diariamente às crianças com mais de 3 anos o contacto com a língua inglesa, o yoga, as oficinas de expressões artísticas e das ciências, como também, a musicalidade.

No 1º ciclo do ensino básico continuamos a aposta nas atividades de enriquecimento curricular, cada vez mais ricas em conteúdos e saberes complementares. Oferecemos novas atividades, atrativas e potenciadoras do conhecimento: a Filosofia para Crianças e a Experimentação Científica, no âmbito do Projeto CRIA+.

Permito-me destacar dois projetos: o “Desafios para a Equidade na Educação” e o “SUPERTABi.Maia”.

O primeiro, dirigido às crianças com necessidades de saúde especiais do 1º ciclo, que se desenvolve em dois formatos: um que ocorre durante o ano letivo e que, em complemento de outras terapias, oferece musicoterapia, natação adaptada e terapia assistida por cavalos aos nossos alunos dos centros de apoio à aprendizagem, permitindo-lhes que possam sair mais vezes da escola e ter contacto com outras realidades; e o outro formato está pensado para as interrupções letivas e férias do mês de julho, em formato de campo de férias, com diversas saídas ao exterior.

O SUPERTABi.Maia é entendido como o motor para a alteração de práticas pedagógicas que colocam o aluno no centro da sala de aula, permitindo favorecer a exploração de conteúdos, tendo a Câmara Municipal oferecido tablets aos alunos do 3º ano de escolaridade. Arrancamos com 7 turmas em 2018/2019 e já temos certo o alargamento do projeto a outras 7 turmas para o próximo ano letivo. O paradigma ensino-aprendizagem é atualizado, apostamos na formação especializada dos professores, na disponibilização de um tablet por aluno e na alteração do espaço físico e do mobiliário da sala de aula, tornando-a dinâmica, flexível e responsiva.

Há duas semanas demos mais um passo: a Câmara Municipal juntamente com as entidades formativas e a Associação Empresarial da Maia assinaram uma carta de compromisso para a criação da Rede Maia Qualific@, cujo objetivo maior é o de ajustar a oferta formativa às necessidades do tecido empresarial e da economia, contribuindo também para a elevação dos níveis de qualificação da população e para a promoção da empregabilidade.

Não posso deixar de sublinhar a aposta nos projetos de saúde escolar que educam para a saúde, numa perspetiva preventiva e têm sido um sucesso por todos reconhecido.

E por falar em sucesso, não posso deixar de destacar o trabalho do LABS MAIA – Laboratório Aberto de Biologia e Saúde, construído em parceria com o IPATIMUP e a Bial, cuja agenda está já com poucas vagas para o próximo ano letivo, ditando a pertinência que a experimentação tem na Educação. Um projeto que está instalado na Quinta da Gruta, no Castelo da Maia.

Com o foco na melhoria contínua, todos estes projetos e atividades são monitorizados, avaliados e alvo de ações de medição de impacto, que nos ajudam a corrigir caminhos a seguir e a responder às necessidades que nos vão surgindo na nossa prática diária e de contacto com as escolas e comunidade. É através desta informação recolhida no terreno que desenvolvemos os documentos estratégicos da Educação, os quais se encontram em fase avançada de revisão.

Planeamos hoje a Educação de Futuro. O novo ano letivo vai ser um desafio e estou plenamente convicta de que estamos à altura de garantir às nossas crianças um futuro de confiança.

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