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‘A Criança Diferente’ zela pelo bem-estar do deficiente adulto

A assinalar 21 anos, A Criança Diferente – Associação de Amigos tem como presidente da Direção desde janeiro deste ano, a professora de Educação Especial, Emília Fitas.

Juntou-se a um grupo de pessoas “muito jovem e com novas ideias” para se candidatar à Direção por considerar que “havia alguns constrangimentos na gestão” da instituição e que esta equipa poderia implementar uma mudança e melhoria na administração desta associação, que zela pelo bem-estar da pessoa com deficiência.

«A Criança Diferente – Associação de Amigos é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, fundada em Maio de 1998, com a vontade, dinamismo e perseverança de uma mãe de um jovem com deficiência, com os objetivos de melhorar a qualidade de vida dos clientes e das suas famílias».

A Criança Diferente tem em funcionamento dois Centros de Atividades Ocupacionais (CAO) e um Lar Residencial direcionados para integrar adultos com deficiência (com idade mínima de 18 anos). A Instituição tem ainda uma Quinta Pedagógica que, atualmente, funciona como estrutura de apoio para atividades desenvolvidas pelas três valências.

Equipa com dinâmica de organização

O CAO sediado no concelho da Maia, freguesia de Milheirós, foi inaugurado no dia 13 de Outubro de 2001 e apresenta capacidade para a integração de 20 clientes, enquanto o CAO sediado no concelho de Matosinhos, cidade de São Mamede de Infesta, foi inaugurado no dia 11 de Setembro de 2015 e pode integrar 20 clientes. Já o Lar Residencial também em Milheirós, foi inaugurado no dia 25 de Junho de 2004 e apresenta capacidade de 10 clientes.

Ao todo a instituição tem 40 utentes ou clientes, sendo que 10 dos utentes que integram o Lar frequentam o CAO de Milheirós, que recebe outros 10 utentes externos. O CAO de S. Mamede de Infesta recebe 20 utentes. A estrutura emprega 29 funcionários, desenvolvendo com os utentes diversas atividades de estimulação cognitiva e de vida diária, para além de ações lúdicas, no sentido de proporcionar melhor qualidade de vida.

Emília Fitas refere que não se torna difícil gerir as três valências, pois a estrutura funcional está organizada por equipas, que vão desenvolvendo o seu trabalho coordenado pelas respetivas Diretoras Técnicas. Emília Fitas acrescenta que o apoio destas equipas é complementado pelo serviço de uma Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Assistente Social, Médica Fisiatra e Serviço Administrativo.

Atividades também no exterior da instituição

A área geográfica de abrangência de A Criança Diferente é vasta, que procura dar resposta à área onde estão inseridos os CAO, mas também recebem jovens de outros concelhos, como por exemplo, de Gaia. Emília Fitas explica que, nalguns casos, há utentes que são transportados pela instituição, nos casos em que os pais não têm transporte próprio.

A presidente da Direção explicou que, A Criança Diferente procura que, “para além das atividades que desenvolvemos com eles ao nível da reabilitação, quer cognitiva quer motora e sensorial, cá fora também tenham atividades, fazem nomeadamente equitação terapêutica e natação. Duas vezes por semana vão para diferentes atividades no exterior.

No Plano Anual de Atividades são contempladas outras iniciativas e uma delas foi a recente visita do grupo dos CAO ao Jardim Romântico, em Gaia.

Quinta Pedagógica

Na Quinta Pedagógica os utentes realizam diversas tarefas ligadas à Natureza, à própria manutenção do espaço e dos animais, etc. E como possui diversas condições, como um Museu, uma cozinha em perfeito funcionamento, Emília Fitas adianta que pretende que aquele espaço funcione, a breve prazo, com uma “articulação com a comunidade, nomeadamente com as escolas e fornecendo a possibilidade de aluguer de espaços para festas de aniversário, entre outras iniciativas”.

Projeto de novo Lar implica um novo CAO

A responsável adiantou ainda que existe já um projeto, que vem de outras direções, para construção de um novo lar para mais 18 utentes e que já foi apresentado à Segurança Social e que, à partida, seria para instalar na antiga casa da Quinta Pedagógica. Mas ainda será necessário encontrar o “financiamento e dar início a todas as démarches de licenciamento junto da Câmara Municipal”.

No entanto, o projeto não se afigura fácil, diz Emília Fitas, que explica que, “subjacente a este novo Lar Residencial, a associação teria que ter a funcionar um novo CAO para dar resposta às atividades de integração e promoção da autonomia pessoal e social destes utentes”. Assim, não se trata da preocupação apenas com um projeto, mas com dois, o que a Direção, que só tem seis meses desde a tomada de posse, terá pela frente.

Emília Fitas está, ainda assim, otimista e salienta que a Criança Diferente tem tido ao longo do seu percurso o apoio das autarquias onde está inserida, dando o exemplo do funcionamento do CAO, cujas instalações foram cedidas pela Câmara da Maia, o que foi “uma grande ajuda”.

A nova Direção de A Criança Diferente vai trabalhar nestas ideias de expansão e de melhoria das condições da instituição, assegurou Emília Fitas.