,

Presidente da Câmara defende que Regionalização “é necessária para revitalizar e mudar Portugal”

Silva Tiago defende Regionalização

O presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, defende que “a única forma” de mudar o “marasmo” do país é através da regionalização, modelo “necessário para revitalizar e mudar Portugal”.

“Votei contra no referendo sobre a regionalização. Achava, na altura, que o país não tinha dimensão para que fosse criado um novo nível político de decisão entre os municípios e o Estado central. O certo é que a minha experiência de autarca veio demonstrar que o centralismo atávico, quase doentio, que vivemos há séculos, entorpece e impede o país. Por isso, eu acho agora que a única maneira de mudar este status quo de marasmo é mesmo a regionalização”, disse António Silva Tiago.

O autarca da Maia falava à agência Lusa no dia em que foi tornado público que a Comissão Independente para a Descentralização defendeu a criação de Regiões Administrativas em Portugal, o que prevê a realização de um novo referendo (na quarta-feira, dia 31 de julho).

António Silva Tiago considerou que “só com o cumprimento da constituição, com a criação de regiões, com legitimidade e autonomia política e financeira é que se mudará o desperdício de recursos e talentos” em Portugal.

“Todos os dias sou confrontado com a necessidade de um despacho de um subdiretor anónimo, em Lisboa, para autorizar, por exemplo, o aumento em primeiro grau da temperatura do ar condicionado”, contou o presidente da Câmara da Maia.

António Silva Tiago considerou que “o país mirra aos pés dos pequenos poderes de Lisboa que floresce” e, salvaguardando que não tem esta convicção por ser “bairrista ou contra a capital”, frisou que esta é “apenas a constatação da doença que existe independente do local onde ela existe”.

“A regionalização é necessária para revitalizar e mudar Portugal. Mas estou convencido que isso já não será para os meus dias. É bem verdade que quando se quer adiar um problema, cria-se uma comissão”, concluiu.

No relatório agora entregue na Assembleia da República, a Comissão Independente para a Descentralização defendeu o “aperfeiçoamento” do modelo de referendo, suprimindo a necessidade da “segunda pergunta, de alcance regional, no sentido de eliminar a possibilidade de flagrante enviesamento antidemocrático”.

Esta Comissão foi criada em 2018 para “promover um estudo aprofundado sobre a organização e funções do Estado aos níveis regional, metropolitano e intermunicipal” em Portugal continental e centrou a sua análise “nos níveis compreendidos entre a administração central e os municípios e freguesias”.

(c/ Agência Lusa)