António Azevedo faz uma incursão na Escultura

O artista maiato António Azevedo, que deve a sua notoriedade pública à fotografia, depois de ter evoluído e passado pelo domínio da composição com fotomontagens e colagem de elementos imagéticos, explorando técnicas que exibiu nas exposições dedicadas a Marilyn Monroe e às borboletas como representação da feminilidade da Natureza, faz agora uma incursão na Arte da Escultura, sem contudo renegar a sua paixão de sempre, a fotografia.

Assumindo-se inequivocamente como um autodidata, a sua incursão nesta área da Escultura tem sido, segundo o próprio, uma verdadeira terapia mental, que lhe tem permitido através do manuseamento dos materiais e da sua composição alinhada numa linguagem muito própria, construir diversas peças que na sua visão assumem significados que aderem à realidade psicológica, emocional e material do seu universo vivencial.

Ainda que outros não consigam alcançar tais significados, no intelecto de António Azevedo, eles fazem pleno sentido e traduzem um imaginário criativo único e irrepetível, afinal, duas das condições essenciais que conferem existência material à Arte.

Esculturas aludem a momentos contrastantes

No átrio da Torre Lidador está patente ao público, uma emblemática exposição, onde se poderá contemplar as suas criações escultóricas, claramente concebidas em momentos contrastantes que alternam entre uma melancolia triste e uma exuberante alegria de viver.

Nesta exposição em que o mote são os 18 anos da Torre Lidador, António Azevedo contou com a participação de outros artistas que o ajudaram a exibir uma visão multifacetada sobre um edifício emblemático da cidade da Maia e de toda a Área Metropolitana do Porto.

Fotografia e outras formas de expressão conferem densidade expressiva às formas de olhar e ver a Torre Lidador (até 13 de setembro), segundo uma perspetiva de quase metamorfose…

António Azevedo em três dimensões

De acordo com José Maia Marques, que conheceu o autor da exposição em 1991, aquando da inauguração do Fórum da Maia, António Azevedo revelou-se-lhe em três dimensões, sendo a mais surpreendente a última delas, a da Escultura.

A primeira dimensão será a Fotografia, a segunda, as colagens, no seguimento da primeira. “Tendo sempre, ou quase sempre, a fotografia como base, ele parte para recriações que conferem ao resultado final um aspeto muitas vezes inesperado de criatividade”, escreve Maia Marques na folha de sala da exposição na Torre Lidador, inaugurada a 26 de julho.

Na terceira dimensão, que é novidade, Azevedo encontra um objeto e compõe a peça final. “Oferece-lhe uma forma. Dá-lhe um significado”. Maia Marques faz votos para que “António Azevedo seja o António Azevedo. O resto virá na sequência disso”.

A folha de sala conta ainda com apreciações de Victor Dias, Luísa d’Alte, Emília Dias e Paulo Furtado.