Mostra evocativa do artista maiato Abílio-José Santos

Natural da Maia, Abílio-José Santos (1926-1992) foi poeta, desenhador e projetista. Este artista, com uma grande produção entre os anos 60 e 90, deixou-nos um vasto legado, o qual é revelado, agora, numa exposição que se completa em três momentos ao longo de três anos, acompanhando as Celebrações dos 500 Anos do Foral da Maia, nas galerias do Fórum.

A mostra ‘Abílio-José Santos revelação: concretos e visuais’ está patente até 8 de setembro.

«A obra de Abílio-José Santos é marcada por uma procura incessante de novos meios, renovados materiais e aprendizagens na senda de uma permanente politização da estética, com a insurreição contra todos os poderes dominantes a ocupar um lugar central. Sob a forma de versos, texto corrido, colagens ou outras manipulações gráficas, a justiça poética radicalmente crítica que está presente nas obras de Abílio impõe-se como implosão corrosiva dos discursos instituídos sobre arte, política e sociedade», pode ler-se na apresentação desta exposição.

O seu trabalho na área da poesia visual é tão pioneiro quanto radical. Estando representado nas principais Antologias do experimentalismo, o trabalho do autor é até agora muito pouco conhecido e publicado.

A exposição “Revelação: Concretos e Visuais”, promovida pelo pelouro da Cultura da Maia, tem curadoria de Cláudia Melo e Rui Torres e pretende ser um primeiro momento de descoberta das propostas de poesia visual e concreta do artista.

Uma das atividades paralelas a desenvolver no âmbito da exposição “Revelação: Concretos e Visuais” é a apresentação de leituras e releituras de obras de Abílio-José Santos, propondo homenagear e expandir as poéticas experimentais do autor através de interpretações vocais e remediações digitais e eletrónicas.

Intitulada “re:A-JS” (ou reage-se), com curadoria de Rui Torres, Bruno Ministro e Diogo Marques, alguns textos de Abílio são interpretados por atores (Américo Rodrigues, Anabela Garcia, Nuno M Cardoso e Sandra Salomé) e outras obras concretas e visuais são recodificadas digitalmente, através de processos de animação, geração textual combinatória e instalações interativas (por Bruno Ministro, Diogo Marques, Luís Aly, Luís Leite, Luís Lucas Pereira, Marco Jerónimo, Rui Torres e wr3ad1ng d1g1t5).

A programação paralela contará também com uma exposição em mupis da cidade, uma oficina para crianças: “Experimentos Poéticos a partir da obra de Abílio-José Santos” orientada por Estela Rodrigues e Daniela Duarte, além de várias visitas guiadas às exposições.