Setembro na Quinta da Caverneira

Em setembro, impõe-se uma visita à Quinta da Caverneira para ver exposições ou teatro.

De 1 de setembro a 21 de dezembro, ainda pode visitar a exposição “Ex-votos Teatrais – José Caldas, 40 anos de Teatro”.

“Ex-voto” designa a prenda que o fiel oferece ao seu santo de devoção em cumprimento de uma promessa, pelo que a mostra reúne cerca de quatro dezenas de objetos, onde se incluem pequenos oratórios com adereços de espetáculos de José Caldas.

Desta forma, o artista lança um olhar retrospetivo sobre quarenta anos de criação teatral, identificando em cada obra um fragmento que, polido e investido de intencionalidade, possa exprimir a sua essência. Segundo José Caldas, a exposição consiste numa “soma de objetos encontrados, procurados, reencontrados no vulgar dia-a-dia e transfigurados num extra quotidiano a desafiar o racional”.

O objetivo é “fixar o efémero”, conceder-lhe memória, como se de um santuário se tratasse. A entrada na exposição tem o custo de cinco euros e a inauguração decorre no dia 4, às 16h00.

José Caldas estudou Teatro no Brasil, em Londres e em França, e fundou várias companhias em Lisboa e Porto. Trabalhou com a maioria dos grupos independentes portugueses como encenador, ator e dramaturgo, tendo recebido três prémios da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, o Prémio Biennale du Théâtre Jeunes Publics (Lyon) e o Prémio María Casares (Galiza).

José Caldas encenou ainda em Portugal, França, Itália e Brasil, e foi professor na ACE, ESMAE, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e Universidade de Évora. Crítico de teatro em “O Jornal” e no “Jornal de Notícias”, José Caldas distingue-se também como autor: publicou os livros “20 Anos de Teatro”, “Teatro na Escola – A Nostalgia do Inefável”, “Transgressões Disciplinares” e “40 Anos de Teatro”. Atualmente, é diretor artístico da Quinta Parede.

Xerpo Teatro

Nos dias 13 e 14, às 21h30, a companhia Xerpo Teatro, do Porrinho (Espanha) apresenta “#interferenciavarada”.

«A proposta nasce da iniciativa de transcender como limitações de tempo-espaço que nos ligam para podermos possibilitar ou trabalhar com Rosa Romero, criadora de Cádiz, como resultado das primeiras propostas começamos a pensar mais profundamente no espaço e no tempo e não podemos evitar pensar num género poético que enfoca a arte de não discutir esse conceito, ou Haiku, e pensar sobre este género poético levou-nos diretamente para Helena Villar Janeiro, escritora e encenadora galega com uma maravilhosa produção de haikus.

Irene e Álex aprofundam nesta proposta a linguagem corporal e cénica, sem mais comunicação direta, com um toque de técnica, com sensibilidade natural. Uma conversa entre a textura e a luz que atinge o calor no olhar e alude aos sentidos.»

Direção de cena e Dramaturgia: Irene Moreira; Interpretação: Álex Sobrino e Rossa Fontao; Desenho tecnológico e iluminação: Álex Sobrino; Haikus de Helena Villar Janeiro procedentes de “Poesía mínima/Minimal Poetry” (Alvarellos, 2018) e do blogue “Tirar do fío” (helenavillarjaneiro.wordpress.com); Espaço Sonoro: Irene Moreira.

Revista Ensaios de Teatro Nº 7 (oitava edição)

Para 20 de setembro, às 21h30, está agendado na Biblioteca da Quinta da Caverneira o lançamento da Revista Ensaios de Teatro Nº 7 (oitava edição). Uma iniciativa através do Fundo Teatral Art’Imagem e da Câmara da Maia, com a Coprodução TEatroensaio/Makeup Design.

Na ocasião serão ainda apresentados: Encontro Galaico-Português de Dramaturgia – Projeto em coprodução com a Revista Galega de Teatro – ERREGUETÉ; Texto vencedor do DramaTEns 2018 – Concurso Anual de Dramaturgia do TEatroensaio (Cinema Jenin de Ligia Souto e Pamella Martelli).

Em 2018 o TEatroensaio comemora 10 anos de atividade, espelhada na sua publicação anual “Ensaios de Teatro”, na sua oitava edição. Esta publicação pretende contribuir para a divulgação do Teatro e da Dramaturgia em português, sendo uma coprodução do TEatroensaio e a Makeup Design, uma publicação única a Norte do País.

Integra textos sobre os autores e peças apresentadas pelo TEatroensaio, a publicação do texto vencedor do DramaTEns 2018 – Concurso Anual de Dramaturgia do TEatroensaio (em parceria com o Teatro Nacional São João) e a secção EntreEnsaios, com temas mais abrangentes que promovem o pensamento e a criação artística. Desde 2017, fruto de uma parceria com a Revista Galega de Teatro – ERREGUETÉ, é publicado anualmente um texto de um autor galego.

Escoria” pela Baal 17 Companhia de Teatro

Lá mais para o final do mês, no dia 28 de setembro, às16h00, pode assistir a “Escoria”, pela Baal 17 Companhia de Teatro, Serpa.

«Dois seres, de humanidade duvidosa, transportam consigo tudo o que precisam para sobreviver, numa relação equilibrada mas desigual. Um manda, o outro obedece. E assim continuariam, em direção a lado nenhum, não fosse o aparecimento de um terceiro que vem baralhar as contas. E que, apesar das suas intenções igualmente duvidosas, acaba por perturbar o equilíbrio e pôr a nu o lado cinzento, individualista e destrutivo desta relação. De metáfora em metáfora, Escória fala de respeito, de empatia e de esperança numa Humanidade que também tem um lado doce, construtivo e colorido».

Criação coletiva Encenação e Dramaturgia: Filipe Seixas; Interpretação: Ana Bárbara Soares, Joana Saraiva e Marisela Terra.