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Porto Editora renova instalações na Maia

As instalações da Porto Editora na cidade da Maia, que foram destruídas parcialmente em 2018 após a passagem da tempestade Gisele, foram esta terça-feira (dia 3) inauguradas e a administração anunciou uma capacidade de produção anual de 16 milhões de livros.

“Hoje abre-se um novo capítulo”, assumiu Vasco Teixeira, administrador atual do grupo Porto Editora e filho do fundador da empresa, durante a sessão de inauguração das renovadas instalações da unidade gráfica e logística da Porto Editora, localizada na na industrial da Maia.

José Mendes, secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, foi um dos convidados desta inauguração e referiu que se lembra bem do dia da tragédia que se abateu sobre a Porto Editora. Aproveitou para felicitar a garra deste grupo empresarial, sublinhando com coloquialidade, que na altura pensou “esta gente não é de desistir, ninguém vem com 74 anos – portanto, o ano passado – de caminho e desiste porque um dia caiu um telhado; esta gente é de reconstruir”.

Tendo em conta estas caraterísticas da empresa, afirmou José Mendes, e “tendo em conta que há pouco alguém referiu que, pela linguagem de hoje, a Porto Editora quando foi criada em 1944 seria uma ‘start-up’, então, agora neste recomeça, seria uma ‘restart-up’”.

Também esteve presente Silva Tiago, presidente da Câmara da Maia, que deu conta que acompanhou, enquanto autarca, “desde a severa ocorrência que originou a reconstrução da unidade que aqui ficou praticamente destruída e que deu lugar a esta nova e moderna unidade gráfica, o que me permite testemunhar a resiliência, a determinação e o arrojo da equipa liderada pelo engº Vasco Teixeira”.

O autarca elogiou ainda as “inspiradoras qualidades de liderança, que motivam e estimulam esta comunidade de trabalho na prossecução dos seus objetivos”.

A celebrar este ano o 75º aniversário, a Porto Editora, fundada em 1944 e que começou por ser uma editora de livros escolares e de dicionários, reabre com capacidade para produzir 16 milhões de livros por ano, desde manuais escolares ao género literário, num bloco gráfico com 12 mil metros quadrados de área.

A Zuslog, a unidade responsável pela gestão logística do grupo, com uma área de 14 mil metros quadrados, vai permitir, por seu turno, armazenar 12 milhões de livros, 70 mil contentores e 21 mil europaletes, bem como vai permitir expedir “12 mil encomendas por dia e 15 mil volumes por dia”, lê-se no dossiê de imprensa entregue aos jornalistas durante a cerimónia de inauguração.

“Passaram-se 538 dias desde que a 14 de março de 2018 aconteceu o inesperado. Eram 11h04 da manhã quando o céu ameaçou cair-nos em cima em consequência da tempestade Gisele”, recordou agora Vasco Teixeira, que na altura da fundação da empresa tinha 24 anos.

Vasco Teixeira recordou que a tempestade provocou “três feridos ligeiros” e “danos materiais de grande monta”, que afetaram seriamente a capacidade logística e de distribuição, bem como destruiu praticamente toda a unidade gráfica. Estima-se que o prejuízo tenha atingido quase 7 milhões de euros.

O responsável falou, na cerimónia de inauguração da remodelação das instalações, de um dos “maiores desafios de sempre” da história deste grupo empresarial. Todos os cerca de 180 funcionários voluntariamente compareceram para ajudar na reconstrução, recordou Vasco Teixeira, acrescentando que a empresa pagou-lhes os salários na íntegra durante cerca de um ano e meio, que durou a reconstrução.