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CDU pede esclarecimentos ao ministro da Economia acerca do fecho da fábrica Remate & Silhueta

A CDU enviou ao Presidente da Assembleia da República um requerimento solicitando medidas acerca do encerramento da fábrica Remate & Silhueta, que deixou 60 trabalhadoras no desemprego.

No seguimento das informações vindas a público no início deste mês, a fábrica Remate & Silhueta parou o seu funcionamento. No dia 2, segunda-feira, as trabalhadoras compareceram na fábrica, após o período de férias, encontrando-a encerrada e sem ninguém que as pudesse informar acerca da situação.

De acordo com o requerimento da CDU ao parlamento, datado de 4 de setembro, «aparentemente, a carta de despedimento enviada pela administração da empresa, datada de 26 de agosto, terá chegado à mão das trabalhadoras em 28 de agosto, referindo o seguinte: “Vimos pela presente comunicar-lhe que em virtude do nosso único cliente nos ter informado que a partir do dia 1 de setembro de 2019 deixará de nos dar trabalho, vemo-nos forçados a encerrar total e definitivamente a nossa empresa, por inviabilidade económica. Deste modo, o seu contrato de trabalho caduca na data de hoje, nos termos do nº 3 do art.º 346.º do Código de Trabalho.”

Segundo as trabalhadoras, não existiam indícios que fizessem prever este desfecho. A fábrica produzia camisolas e t-shirts para marcas internacionais e terá justificado o encerramento alegando que, a partir de 1 de Setembro, o único cliente da empresa de têxteis iria deixar de fazer encomendas.»

A maioria das trabalhadoras ganhava o salário mínimo nacional, tendo, com esta situação, ficado com o mês de agosto e as horas extraordinárias por receber, além de pertences pessoais que ficaram dentro das instalações da fábrica.

«O sentimento de injustiça das trabalhadoras – que têm obrigações pessoais, familiares, contas para pagar – perante a situação relatada é muito grande. O PCP considera que é forçoso defender os direitos destas trabalhadoras e que é urgente o acompanhamento e tomada de medidas, por parte do Governo, em relação a toda a situação», pode ainda ler-se no requerimento da CDU.

O documento solicita que sejam solicitados esclarecimentos ao ministro adjunto e da Economia, com o objetivo de responder às seguintes questões: «1 – Governo tem conhecimento desta situação? Como a analisa?; 2 – Que medidas vai o Governo tomar no sentido de garantir que os direitos das trabalhadoras são integralmente respeitados?; 3 – Que medidas vai o Governo tomar para tentar salvaguardar os postos de trabalho e a viabilidade da empresa?»

Funcionárias revoltadas

A fábrica de confeções situa-se na Rua Eduardo Pereira da Silva, nº 224, em Gueifães, Maia. As trabalhadoras sentem-se revoltadas, porque a carta de despedimento foi enviada em cima do final do período de férias e o “patrão não deu a cara”. Quando chegaram para se apresentarem ao trabalho no início de setembro, não havia ninguém da empresa para lhes dar uma explicação.

Além da indignação contra esta atitude de cobardia por parte dos patrões, as funcionárias não percebem o encerramento, porque dizem que “havia muito trabalho, a fábrica estava cheia de trabalho”. Além disso, garantem que “já havia muitas encomendas para o mês de setembro”.

As funcionárias reclamam o pagamento do salário do mês de agosto e a abertura das instalações para a retirada de objetos pessoais, mas a administração não atende o telemóvel.