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Festival de Teatro Cómico em torno do Foral da Maia…ou do riso

De 4 a 14 de outubro acontece mais uma edição, a 24ª, do Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia (FITCM), uma iniciativa da Câmara Municipal em colaboração com o Teatro Art ́Imagem, e que trará 21 companhias de teatro ao concelho.

Dessas mais de duas dezenas de companhias presentes, 10 são portuguesas e 11 provenientes de várias regiões da Espanha, como da nossa vizinha Galiza ou do País Basco, ainda de França, Itália, Grã-Bretanha, Bélgica, Ucrânia, mas também dos Estados Unidos e da Argentina.

Serão apresentadas pela primeira vez e em estreia em Portugal sete espetáculos de companhias estrangeiras e duas nacionais de grupos portugueses.

Durante nove dias, já que a 6 de outubro não haverá espetáculos devido às eleições para a Assembleia de República, cerca de 150 profissionais das artes de palco estarão presentes na cidade da Maia, no ano em que o município celebra os 500 anos do seu Foral, por isso mesmo o tema global relaciona-se com este mote: Foral do Riso.

Estes profissionais irão apresentar 25 sessões de 24 espetáculos diferentes que celebram o Teatro através das suas vertentes cómica, do humor e do riso, numa diversificada gama de propostas artísticas que atravessam várias disciplinas e técnicas clássicas até às abordagens contemporâneas, «questionando o homem e o seu mundo, na função mais importante desta tão antiga arte que ao vivo confronta públicos e artistas com a fragilidade e força da nossa própria condição humana».

Festival começa na Praça Dr. José Vieira de Carvalho

O primeiro dia do Festival, sexta, dia 4, começará na Praça Dr. José Vieira de Carvalho, às 21h30, com a apresentação dos madrilenos do Kanbahiota Troup com um espectáculo de circo contemporâneo “Vaya Circo”, onde o humor, as acrobacias aéreas e a destreza técnica e artística dos intérpretes farão passar bons momentos de alegria e tensão, perante as seus divertidas e arriscadas proezas.

A seguir, às 22h30 e no Grande Auditório do Fórum da Maia, subirá ao palco o ator portuense Óscar Branco e sua companhia Atitudes para a estreia de “Humor Próprio”, uma peça em estreia nacional, que comemora os 40 anos da sua vida artística e a que o FITCM se junta numa homenagem ao ator que, durante estas 24 edições, foi presença constante na programação.

Sábado, dia 5, no Exterior do Fórum, às 16h00, poderá ver-se a peça “Tentación Divina” para todos os públicos. Da argentina Maité Esteban Oliva e o seu grupo Maiclown, em que o deus Mercúrio, disfarçado de anjo, desce à terra para desastrada e divertidamente conhecer os humanos.

Às 21h00, os Kopinxas trazem o “D. Quixote” e seu cavalo Rocinante mais Sancho Pança, que imaginam à sua volta moinhos, inimigos e aventuras do arco da velha, antecendendo o espectáculo das 21h30, no Grande Auditório, que será protagonizado pelo Teatro de Montemuro e o os britânicos do Absolute Theatre, denominado “4 Clowns do Apocalipse”, que provocarão o riso com um fim do mundo bem engraçado e que se não concretiza. Este sábado termina às 23h00 com a estreia em Portugal de “Soñando a Chaplin”, uma homenagem a Charlot do espanhol Jesus Pablo Mimo.

Dia 7 Gonçalo Mendes da Maia estará no exterior do Fórum da Maia

Depois da pausa de domingo, dia 6, devido às eleições para a Assembleia da República, teremos na segunda, dia 7, às 21h00, no exterior, a presença de Gonçalo Mendes da Maia e de Afonso, o príncipe que foi rei, numa comédia de rua “Poderia indicar-me …para Trastamires?” de um novo grupo de teatro chamado TriActo e que mescla história(s) e modernidade das Terras da Maia.

Pelas 21h30, a sempre bem-vinda Companhia Chapitô apresentar-se-á com “ATM” contando à sua maneira uma história de um lugar, talvez Portugal e de quatro vidas que se expõem ao público, no registo a que já nos habituamos e tão bem cultivado por este coletivo.

Dia 8, terça, 21h00, em cenas de rua pela mão do Encerrado para Obras teremos duas personagens que “vagamente” nos fazem lembrar um jovem casal de assaltantes de Bancos e que o cinema celebrizou na peça “Boldie & Cloide”, uma cantora e um músico numa viagem musical pelos loucos anos 20, para depois, às 21h30, e através dos sicilianos do Dandy Danno&Diva G, assistirmos ao espetáculo “Los 4 Cobres”, uma magnifica combinação da arte da máscara, do teatro físico e da arte do palhaço e da comédia musical, num atribulado trama familiar, pai, mãe, filho e filha, com a internet de permeio.

Senha 1519 é a performance de celebração do Foral da Maia (dia 9)

Quarta, dia 9 e às 21h00 voltam os do TriActo com “Senha 1519”, uma estreia nacional de uma alegre perfomance em ano de celebração dos 500 anos do Foral da Maia.

Às 21h30 e num espectáculo que os tão aclamados Yllana nos propõem chamado “Solo Fabiolo”, uma comédia para conhecermos na primeira pessoa, Fabiolo de La Mora y Leja, tenista, uma personagem dos nossos dias, cabelo antiderrapante, mais dinheiro que neurónios e que abre o seu coração transbordando de amor pelas “pessoas humanas”…que de tudo sabe e fala e tem uma opinião definitiva… como tantas pessoas que conhecemos.
Dia 10, quinta, pelas 21h00, de novo o Encerrado para Obras, agora para apresentarem “Da Cruz One Man Band”, um Homem-Orquestra que toca nada mais nada menos do que 17 instrumentos em simultâneo e em andamento, um feito invulgar.

Pelas 22h00, será a vez dos franceses da Cie La Volubilie apresentarem um espectáculo singular que mistura várias técnicas e disciplinas desde o teatro físico, mímica, movimento, clown e música, num “duelo” entre um cliente com uma imaginação desbordante e um empregado de café taciturno e desagradável que tudo faz para o contrariar.

O Misterioso Caldeirão da Bruxa é a proposta do grupo Boca de Cão, que às 21h00 abre a programação do dia 11, sexta-feira. Dois aprendizes de uma bruxa passeiam-na por entre o público com um caldeirão cheio de feitiçarias e que, com a sua cumplicidade, vão procurar ajudar os que sofrem das maleitas da vida.

Alerta à intolerância para rir e… risistir

Pelas 22h00, acontece um dos momentos mais esperados, a presença do inigualável Leo Bassi na sua mais recente peça “Yo, Mussolini” provocatória e de humor corrosivo, um alerta teatral e artístico sobre o estado das coisas no mundo, contra a intolerância política e o ascenção de extrema-direita e das manifestações que procuram normalizar um discurso fascista de má memória. Não é só para rir e ficarmos indiferentes, segundo Bassi, é um encontro para “Risistir” com inteligência e senso de humor contra quem utilizando o medo e a mentira nos quer atirar para um abismo.

Esta jornada termina com o Trigo Limpo – Teatro Acert que apresenta “Fogo”, espetáculo cómico e musical para exorcizar o medo, jogando com as emoções que a palavra fogo nos propõe, do amor, da paixão e também da destruição, tudo à volta de uma fogueira.

Sábado, dia 12, começa às 16h00, com a Cia Shakti Olaizola, do País Basco, oferecendo-nos uma peça chamada “Baldin Badán” em que uma endiabrada pintora e um paciente músico fazem de tudo em palco. Ela pinta com os pés, faz equilíbrios impossíveis, canta em posições desconcertantes… sempre acompanhada de melodias e habilidades musicais do seu companheiro.

Mais tarde, pelas 21h00, será o momento teatro-musical com “A Chiclateira” que o Encerrado para Obras faz a sua última representação no Festival, com dois chefes chegados da Chocolatonga e que, com um estranho carro nos querem dar a provar o melhor cacau do mundo.
Às 21h30 voltam ao Festival os famosos e hilariantes “palhaços” e “pantomineiros” do Mimirich, da Ucrânia com “Los Sombreros Locos” para nos fazerem rir a bom rir, com as histórias que inventaram, em que entram chapéus e penteados, danças exóticas, barbatanas, acrobacias, malabarismo e muita interatividade com o público.

Às 23h00, fecha a noite com “Memórias de um Labrego”, contado e representado com mestria pelo galego Cândido Pazó e que nos dá a ver, com humor e emoção a partir da história de um menino camponês, o que era a Galiza nos anos 40.

O derradeiro dia do Festival inicia-se às 16h00 de domingo, 13, com o Theater Gili Gili, da Bélgica, que apresenta “Clown Barto” um idiota cómico que exibe o seu espetáculo numa corda bamba utilizando feitiços e contorcionismo para chamar a atenção dos espetadores.

Às 21h00, haverá “O Estrambólico Circo”, com a terceira incursão do “TriActo” nesta edição. Veremos um malabarista que não sabe contar, um gladiador que queria ser palhaço e até um domador de formigas.

O último espetáculo do FITCMaia, às 21h30, é do Teatro Meridional que traz uma alegre “Feira dell’Arte”. Entram no jogo Columbina e Zanni, criados de Pantaleone, mais Isabela e Octávio… num verdadeiro jogo de quiproquós, amores e desamores e um final inesperado.