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João Torres promete dar atenção a questões como a descentralização, habitação e mobilidade

Entrevistado pelo Primeira Mão, o deputado maiato (reeleito pelo PS) congratula-se com a vitória clara dos socialistas no país e na Maia, afirmando que, acima de tudo, as vitórias são conjuntas e não individuais.
Quanto à eventual continuidade do trabalho no governo, ainda não avança qualquer possibilidade e aguarda serenamente a decisão do primeiro-ministro.

Como encarou o resultado global destas eleições?

O Partido Socialista venceu claramente as Eleições Legislativas. Venceu no país, em 15 dos 20 círculos eleitorais apurados e na esmagadora maioria dos municípios e das freguesias de Portugal. Venceu também no distrito do Porto e no concelho da Maia, invertendo os resultados de 2015.

O PS reforçou o seu resultado percentual em todos os distritos do continente e essa análise confirma o voto de confiança que os eleitores expressaram nas urnas. Por outro lado, a direita e, em particular, PSD e CDS saíram claramente derrotados. A soma do resultado percentual destes dois partidos em 2019 é, em todos os círculos eleitorais apurados, sem exceção, inferior aos valores alcançados pela coligação «Portugal à Frente» em 2015.

Tendo estado em funções no governo sentiu esta como uma vitória também pessoal?

Não creio que as vitórias em política tenham uma natureza individual, mas coletiva. Tive o enorme gosto de, nos últimos quatro anos, ter servido o país como deputado à Assembleia da República e, neste último ano, em particular, como Secretário de Estado do XXI Governo Constitucional.
Encaro, pois, a vitória eleitoral como uma vitória do Partido Socialista no seu conjunto, que tem um líder absolutamente incontornável: o atual e já indigitado primeiro-ministro, António Costa.

Que expetativas tem para a próxima legislatura em termos de concretização dos objetivos do governo PS mas sem maioria absoluta?

O facto de o Partido Socialista ter governado o país nos últimos anos sem sequer dispor do apoio do grupo parlamentar mais representativo na Assembleia da República não impediu uma melhoria muito substantiva das condições de vida dos portugueses.
No essencial, espero que o caminho a seguir seja o mesmo, no sentido da recuperação dos rendimentos, da valorização do Estado Social, da dignificação do trabalho, da modernização das atividades económicas, da promoção da sustentabilidade, da convergência com a União Europeia, da consolidação das finanças públicas e da aposta na coesão territorial e social. A maioria absoluta nunca foi, nestas eleições, um tema crítico para o Partido Socialista.

É provável que seja chamado a assumir uma posição no Governo dando continuidade ao trabalho que já vinha desempenhando nos Direitos do Consumidor?

Essa é uma questão à qual não posso responder. As Eleições Legislativas servem o propósito de definir, por intermédio de um escrutínio eleitoral, a composição da Assembleia da República. Já a composição do Governo é uma responsabilidade do primeiro-ministro. Estou de consciência tranquila quanto ao trabalho que desenvolvi nos últimos quatro anos, quer na Assembleia da República, quer no Governo.

Sendo da Maia, e tendo sido eleito pelo distrito, assegura aos seus conterrâneos, a atenção especial a alguns dossiês importantes para a região? Quais?

Com certeza que sim, e respondo afirmativamente em todos os domínios, desde logo disponibilizando-me para dialogar, interagir e responder. Permito-me destacar a problemática das infraestruturas, onde, desde a Educação e Saúde até ao domínio das vias de comunicação, há certamente muito a fazer.

Mas há dossiês sobre a organização do Estado, em geral, que necessitam de um grande envolvimento de todos, designadamente no que diz respeito à descentralização, um processo que foi – e bem – iniciado ainda na presente legislatura.
A habitação e a mobilidade, onde os progressos nos últimos quatro anos foram assinaláveis, são duas matérias que merecem igual acompanhamento e atenção.

Entende que o próximo Governo está preparado para assumir tempos mais difíceis na economia europeia e mundial, que têm sido previstos por alguns comentadores da área?

Portugal tem hoje melhores condições para enfrentar contextos económicos complexos e inesperados. Nos últimos quatro anos, as exportações, o investimento direto estrangeiro e o turismo atingiram valores históricos e positivos para o nosso país. A consolidação das finanças públicas, que é agora um dado adquirido, a par da avaliação das agências de rating à dívida pública, colocam-nos numa circunstância muito mais favorável do que aquela que encontrávamos há quatro ou dez anos.

A credibilidade internacional de Portugal é absolutamente inquestionável e deve-se à ação do Governo mas, sobretudo, ao esforço e dedicação dos portugueses.