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«Márcia Passos será uma competente deputada», afirma o PSD Maia

O PSD Maia emitiu um comunicado pronunciando-se sobre o ato eleitoral em que «cumprimenta todos os maiatos que, cumprindo o seu dever cívico, votaram nestas eleições legislativas. A elevada abstenção merecerá a nossa atenta análise. Agradecemos a todos os maiatos que votaram no PSD e saberemos ser merecedores da confiança que depositaram em nós».

Apesar de o PSD ter perdido as eleições legislativas no município, os maiatos ajudaram a eleger a Márcia Passos para deputada da nação. Assim, a comissão política do PSD Maia «congratula-se com esta eleição e deseja à futura deputada os melhores sucessos nesta sua nova missão».

O comunicado dos social-democratas sublinha que «a Márcia Passos será uma competente deputada e foi a única independente eleita nas listas do nosso partido. A Maia soube contribuir para a abertura do partido à sociedade civil e os maiatos souberam premiar essa estratégia, contribuindo significativamente para que a candidata indicada por esta comissão política fosse eleita».

Por fim, remata: «Continuaremos a trabalhar com tranquilidade e reflexão, apresentando candidatos e projetos políticos credíveis, sendo para nós certo que o sábio escrutínio dos maiatos continuará a escolher o PSD e os seus candidatos. É um privilégio e uma responsabilidade acrescida ser a única estrutura partidária concelhia da Maia que elege deputados em três legislaturas consecutivas. Viva a Maia, viva Portugal, viva o PSD.»

Márcia Passos vai dar o melhor pela Maia e pelo país como independente na bancada do PSD

A deputada assegurou em entrevista ao Primeira Mão que vai levar vários dossiês importantes para os maiatos até à Assembleia da República, aos quais irá dedicar a atenção, a par das grandes preocupações com o país.

Como encarou o resultado global destas eleições?

Respeito a decisão do povo português. Sou independente, eleita nas listas do PSD e acho que se todos os partidos fizessem o mesmo que o PSD Maia, na indicação de candidatos, contribuiriam para a diminuição da abstenção. Creio que os resultados obtidos pelo PSD são curtos para as expectativas que tinha e registo como facto negativo a não eleição do 3º candidato da lista da CDU pelo círculo do Porto – o maiato Alfredo Maia.

Sublinho também que o Círculo de Lisboa elege forças políticas pela primeira vez para o Parlamento e que essas forças políticas têm uma expressão bem menor no resto do país. Congratulo-me, porém, com os resultados atingidos pelo PSD no distrito do Porto que foram manifestamente positivos e permitirão certamente a prestação de valiosos contributos na próxima legislatura.

Que expectativas tem para a próxima legislatura em termos de concretização dos objetivos do PSD na bancada da oposição?

O PSD apresentou-se a eleições com um programa ambicioso, mas realista, e será na oposição, que trabalhará para alcançar os objetivos possíveis e para demonstrar que tem uma visão para Portugal assente principalmente em cinco reformas estruturais e inadiáveis, como consta do seu programa.

Além disso, o PSD quer que Portugal seja reconhecido na Europa, não apenas como um excelente destino turístico, mas também porque tem um enorme potencial de crescimento económico com prioridades que passam pelo desenvolvimento humano e pelo investimento a vários níveis, desde logo num setor fundamental, como é a saúde.

É inconcebível termos hoje um doente internado num hospital à espera de uma cirurgia durante quatro dias ou mais, sem respostas eficazes. Enquanto isto acontecer, Portugal jamais será reconhecido na Europa, pois é de dentro para fora que se constrói um país e se potencia o crescimento.

Será uma estreia como deputada na AR, que contributos considera que poderá dar na sua bancada?

Creio estar em condições de dar contributos válidos em várias matérias e isso deve-se naturalmente, quer ao meu percurso profissional, quer à minha experiência como deputada municipal.

Trabalharei onde for mais útil, sendo certo que entendo estar melhor preparada para os assuntos relacionados com a Justiça e tudo o que isso significa em termos das várias profissões jurídicas, do mapa judiciário (modificação que acompanhei de perto dadas as funções exercidas naquela data no Conselho Regional do Porto da Ordem dos Advogados) e das opções legislativas, nomeadamente nas áreas do direito civil e processual civil, bem como nos assuntos inerentes ao ordenamento do território, à habitação e arrendamento e aos assuntos de âmbito europeu, áreas onde tenho desenvolvido de forma especial, a minha atividade profissional.

Sendo da Maia, e tendo sido eleita pelo distrito, assegura aos seus conterrâneos a atenção especial a alguns dossiês importantes para a região? Quais?

Claro que sim. Temos prioridades para a Maia e dissemos isso aos maiatos no nosso programa. Terei assim especial atenção às questões relacionadas com a habitação social e farei tudo para recuperar a responsabilidade que o Estado deve assumir para suprir as carências da habitação, lutando contra a demissão de funções a que temos assistido por parte do poder central.

Por outro lado, continuaremos a lutar pela supressão dos pórticos da A41 acabando com o enorme prejuízo que os mesmos representam para os maiatos. A conclusão do nó de ligação da A41 à Zona Industrial da Maia II e a construção da linha do Metro até ao Hospital de São João são preocupações que tenho em prol da melhoria da mobilidade.

No que respeita ao ambiente estarei muito atenta à conclusão do processo de despoluição do rio Leça e à devolução das suas margens à fruição de todos.

Na Justiça, e tendo em consideração uma eventual revisão do mapa judiciário, pugnarei pela criação de um Juízo Central no Tribunal da Maia, contribuindo para uma maior proximidade entre os cidadãos e empresas e o Tribunal.

No que respeita à região terei particular atenção ao regime jurídico de obtenção de vistos gold, pugnando pela criação de incentivos para o desenvolvimento dos concelhos fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
O arrendamento para estudantes e o regime do alojamento local farão igualmente parte das minhas prioridades.

Entende que o próximo Governo está preparado para assumir tempos mais difíceis na economia europeia e mundial, que têm sido previstos por alguns comentadores da área?

Subscrevo as preocupações do nosso Presidente da República e da recém-eleita Presidente do FMI. A geringonça no passado esteve mais preocupada em distribuir os benefícios do crescimento económico do que em fazer as reformas necessárias para tornar esse crescimento mais forte e sustentável.
Vejo com preocupação o envelhecimento da população. Portugal tem que adotar medidas urgentes neste âmbito pois, a não ser assim, está altamente comprometido o regime de pensões, da segurança social e da saúde.

A saída do Reino Unido da União Europeia é outro tema que deveria ter a atenção redobrada do Governo e anseio por ver quais as medidas que serão tomadas de forma a diminuir o impacto em Portugal, nomeadamente no que respeita às exportações.

Por outro lado urge fazer uma profunda reforma da Segurança Social e uma reforma fiscal, sendo incomportável Portugal poder evoluir com a carga fiscal que incide sobre os portugueses e sobre as empresas. A continuarmos assim, perderemos capacidade de investimento e de desenvolvimento nos mercados internacionais correndo o risco de sermos aniquilados pelos países que oferecem melhores condições, nomeadamente fiscais, aos investidores e veremos uma drástica redução do crescimento do PIB. É a tudo isto e muito mais que o PSD e eu estaremos atentos.