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Corte de árvores na via Norte origina alerta do presidente da Câmara ao governo

No início do mês, várias árvores à face da Via Norte, à entrada do concelho da Maia, foram cortadas, numa operação levada a cabo pela Infraestruturas de Portugal (IP).

A grande quantidade de árvores eliminadas e pelo facto de serem de grande porte – plantadas em 1962 – está a revoltar alguns maiatos, incluindo o presidente da Câmara, apesar do incidente ter acontecido em território do concelho de Matosinhos.

Ainda assim, António Silva Tiago, o autarca da Maia, referiu ao jornal Maia Primeira Mão, que a Maia deixou de ter uma entrada privilegiada com um “manto verde”, cuja eliminação considera ser uma “maldade”.

“Fiquei revoltado e indignado com aquela atitude da Infraestruturas de Portugal, pois não é assim que se resolve nada. Aquilo merecia uma maior ponderação por parte de quem fez a intervenção e essa entidade devia ter falado com a Câmara de Matosinhos, que é onde aquilo se passa. Apesar de não ser no território da Maia, aquilo era uma entrada verde que tínhamos ali e que devia ser devidamente preservada, até em respeito a quem plantou ali as árvores em 1962, que foi a Junta Autónoma de Estradas, entidade que antecedeu à IP”, afirmou António Silva Tiago.

O autarca apela a que aquele conjunto de árvores seja reposto o mais depressa possível por outro de dimensão semelhante, isto é, árvores de médio a grande porte, corrigindo “aquela maldade”.

O presidente da Câmara da Maia revela que já fez chegar o seu protesto ao Governo.

Silva Tiago enviou uma carta ao Ministro do Ambiente, ao presidente das Infraestruturas e também ao Secretário de Estado das Infraestruturas. Ressalva que a questão não está diretamente relacionada com o Ministério do Ambiente, contudo enviou um ofício de alerta também ao Ministro Matos Fernandes, porque, tendo a pasta do Ambiente, achou por bem informá-lo deste problema, explicou-nos.

Para António Silva Tiago, atitudes como esta do corte das árvores na Via Norte são demonstrativas da distância que ainda existe entre o poder decisório e diferentes realidades no país.

“As decisões são tomadas à distância e, embora o país seja pequenos, ainda assim parece grande”, afirmou Silva Tiago, que entende que, “se tivessem falado com a presidente da Câmara de Matosinhos, ela teria naturalmente salvaguardado a situação e ter-se-ia insurgido contra esta atitude”.

Silva Tiago revelou ao Primeira Mão que recebeu muitas cartas de protesto por parte de munícipes que pensavam que o corte das árvores se tinha verificado em território do concelho da Maia e que teve o cuidado de esclarecer os queixosos de que aquela área pertencia a Matosinhos e que, também ele se juntava “ao coro de protestos” contra o corte das árvores.