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Empresas Familiares perante o desafio da profissionalização da gestão

Um dos maiores desafios que se colocam atualmente às empresas familiares é a profissionalização da gestão. Quem o disse foi Isabel Folhadela Furtado, da TMG Automotive e da direção da Associação de Empresas Familiares, na intervenção no III Fórum de Empresas Familiares, que decorreu esta quarta-feira, dia 23, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Maia.

Foi uma manhã de intervenções e debates para abordar o tema geral “Contributo das empresas familiares para a competitividade da Economia”.
O advogado António Lobo Xavier foi um dos oradores convidados, a par de Rui Amorim, da Cerealis, ou Isabel Folhadela Furtado, da TMG Automotive e da Associação de Empresas Familiares, entre outros.

Isabel Folhadela Furtado, da Associação de Empresas Familiares, traçou o cenário da importância deste tipo de empresas na economia global e nacional: “estas empresas familiares constituem 75 a 95% do tecido empresarial e garantem entre 50 a 80% do emprego; representam 65% do PIB – Produto Interno Bruto”.

“Empresas familiares geram estabilidade social”

Como grandes vantagens dos negócios de famílias empreendedoras enumerou a confiança e segurança dada a quem trabalha e aos “stakeholders”, dado que a uma empresa familiar corresponde um rosto, “as pessoas que trabalham numa empresa são a cara dessa empresa”. Há ainda a apontar aspetos positivos como “a flexibilidade na tomada de decisões, uma vez que não é necessário ouvir uma assembleia com vários accionistas”. Estas empresas geram estabilidade social, sendo que os seus objetivos não passam, ao invés das multinacionais, “por fazer dinheiro, mas sim por gerar riqueza”.

Apesar dos problemas de sucessão, que ainda persistem neste tipo de empresas, ainda assim, são as empresas que atingem maior durabilidade. De acordo com Isabel Folhadela há uma empresa familiar no Japão fundada no ano 705 e que ainda continua na mesma família. Em Portugal “existem 200 empresas familiares com mais de 100 anos”.

“70% das empresas familiares morrem na sucessão”

Depois da sessão de abertura pelo presidente da Câmara da Maia, Silva Tiago, a primeira intervenção esteve a cargo do presidente do IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, Nuno Mangas.

Este responsável deu a conhecer o trabalho que a entidade tem desenvolvido junto das empresas para apoiar a sua atividade garantindo que o negócio continue e cresça no âmbito dos processos de sucessão, um ponto fulcral da sobrevivência deste tipo de empresas. É que 70% das empresas familiares morrem na sucessão.

Assim, Nuno Mangas salientou como um dos instrumentos de apoio à capacitação das empresas familiares, uma linha de crédito designada “Linha de Crédito para a sucessão empresarial e incremento de escala”, no valor de 100 milhões de euros. A linha já está em funcionamento e permite financiamentos entre 250 mil e 2,5 milhões de euros, com um prazo de 10 anos e um período de carência de 3 anos. Toda a informação de apoio público pode ser consultada no portal financiamento.iapmei.pt

É preciso “criar enquadramento no sistema jurídico para a Empresa Familiar”, defende Nogueira da Costa

António Nogueira da Costa, da EF Consulting, abordou o desafio de criar enquadramento no sistema jurídico português para a Empresa Familiar (EF), dado que a legislação comercial não considera a Família Empresária. Nogueira da Costa considera que a ligação entre a Família e a Empresa deve ser feita de forma adequada sem geração de conflitos. “Nos últimos 25 anos tem havido uma maior sistematização desta ligação com a criação do Protocolo Familiar”, definindo-se a criação de Assembleia Familiar e do Conselho Familiar. É uma ferramenta que permite institucionalizar a EF.

Mas António Nogueira da Costa refere que pretende ir mais longe: “queremos que a profissionalização atinja realmente a Família Empresária, que tenha órgãos próprios, que possam representá-la, que tomem decisões racionais e que mantenham a ligação, embora com a separação entre a Empresa e Família. A ligação deve ser feita de forma adequada sem que os conflitos tenham influência negativa”.

Nogueira da Costa tem trabalhado com Rita Lobo Xavier no desafio de criar “uma proposta de decreto-lei que permita que se defina o que é uma FE, quais os seus objetivos e como vai funcionar, para que a empresa possa continuar”. O que se pretende é afastar o “amadorismo” das empresas.