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Câmara liderada pelo JPP é investigada por ajustes diretos no valor de 1 milhão de euros

A autarquia de Santa Cruz, na Madeira, liderada pelo JPP, Juntos Pelo Povo, está a ser investigada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas.

O JPP é o partido que pediu em tribunal a perda de mandato do presidente da Câmara da Maia, Silva Tiago, e do vereador do Planeamento e Cultura, Mário Neves.

O jornal Público noticia esta quarta-feira, dia 30 de outubro, que a Câmara de Santa Cruz, liderada pelo presidente do JPP, Élvio Sousa, está na mira de investigações devido a ajustes diretos, no valor de 1 milhão de euros, a uma sociedade de Advogados de Lisboa, a Santos Pereira & Associados, cujo sócio principal (Bruno Pereira) é dirigente do JPP.

A este junta-se ainda o nome de Miguel Pereira (irmão de Bruno Pereira), que é também o advogado que assinou todos os ajustes diretos, e o de Vanessa Carvalho (mulher de Bruno Pereira), a advogada que presta assessoria jurídica ao grupo parlamentar do partido, de acordo com o jornal Público.

É também Bruno Pereira que representa o JPP no processo de perda de mandato do presidente da Câmara da Maia e do vereador Mário Neves.
A sentença de perda de mandato foi confirmada em segunda instância e aguarda-se agora a decisão do recurso dos autarcas ao Supremo. Estes mantêm-se, por isso, em funções no executivo maiato.

Há ligações duvidosas entre o Partido JPP e a sociedade de advogados, já denunciadas também por uma investigação de Ana Leal, da TVI.

O vereador do Planeamento e da Cultura da Câmara da Maia, Mário Neves, referiu ao jornal Primeira Mão que esta notícia só vem confirmar que o processo de que ele e o presidente Silva Tiago estão a ser alvo tem na sua base motivações políticas: “é um processo de natureza política, que resulta de uma associação muito estranha entre um partido político – o JPP -, uma sociedade de advogados – que ao que parece é financiado pela única Câmara Municipal liderada pelo JPP – e também por alguém do Tribunal Administrativo do Funchal, diz a notícia, que recomendou a sociedade de advogados à gente do JPP, e depois essa mesma sociedade desafiou essa gente a formar um partido político”.

O vereador considera que esta “associação é muito estranha” e de todo “condenável num Estado de direito democrático”. Mário Neves lamenta ainda que essa ligação tenha “a conivência do Partido Socialista, através de alguns dos seus mais altos dirigentes, que nunca se demarcaram da cabala que nos foi montada pelo JPP e essa mesma sociedade de advogados”.

Agora só faz votos que esta notícia da investigação às ligações duvidosas entre a Câmara presidida pelo líder do JPP e a sociedade de advogados, liderada por um dirigente do partido, venha esclarecer os maiatos sobre o tipo de pessoas que integram o Juntos Pelo Povo e a forma como atuam.
“Pessoalmente o que me importa é que esta notícia dê alento às entidades policiais e ao próprio Ministério Público para investigarem profundamente todos os factos, todas as alegações e que a Justiça que nos cabe seja finalmente feita”, declarou Mário Neves.

O vereador alerta ainda a população maiata, apontando que o JPP quer conseguir por via judicial o que “não conseguiu nas urnas”. Por isso, afirmou: “é bom que a população perceba o que verdadeiramente está por trás deste processo, a ânsia do JPP e dos seus responsáveis e rostos locais de conseguirem na secretaria, e através de meios verdadeiramente sujos, o que não conseguiram nas urnas”.

Mário Neves finaliza este comentário convidando a população da Maia a refletir sobre “qual seria o destino do nosso município se porventura, alguma vez por desgraça nossa, o JPP conseguisse o poder na Maia”.