,

World Press Photo com maior número de fotógrafas vencedoras

No Fórum da Maia já se encontra patente a exposição do concurso World Press Photo, a principal competição do mundo para fotojornalistas.
A exposição apresenta, de 31 de outubro a 22 de novembro, os eventos de 2018 em revista nas imagens a grandes dimensões na galeria do Fórum. O concurso deste ano atraiu mais de 4.700 fotógrafos de 129 países.

A foto vencedora deste ano é de John Moore e retrata o problema dos migrantes junto à fronteira dos EUA com o México.

De resto, o problema das migrações, é um dos assuntos em destaque na mostra, como referiu ao jornal Maia Primeira Mão, na inauguração, que aconteceu a 30 de outubro, a Comissária da Fundação World Press Photo, Samira Damato: “Há um conjunto de temas que podem ser vistos ao longo da exposição. Como se sabe a World Press Photo divide-se em oito categorias específicas. Todas as fotografias são selecionadas por um júri independente e todas as fotografias submetidas anonimamente. Por isso, todas as imagens e temas que resultam desta seleção, são assuntos considerados de alta importância a nível global para este júri independente.

São temas como a migração, principalmente, este é um assunto que sobressai em diferentes categorias na exposição, bem como ambiente e as questões contemporâneas que afetam o ambiente”.

Samira Damato apontou outro dado que se torna novidade na mostra deste ano, o domínio da “mudança no estatuto da mulher”. Damato sublinha o “orgulho” que tem em dizer que “nesta edição temos a maior taxa de mulheres fotógrafas vencedoras, mais de 30%, o maior número que alguma vez tivemos”.

Samira Damato afirmou também que a exposição no Fórum da Maia é um retrato realista do mundo em 2018 com as histórias reais e mais variadas.

“Se não contarmos com as categorias ‘Spot News’ e ‘Notícias generalistas’ somos confrontados com mais frequência com outras histórias jornalísticas. Mas como temos oito categorias, variam desde Desporto a Natureza, a par de Projetos de longa duração, que por vezes, refletem toda uma carreira ao longo de uma vida de um fotógrafo, por isso, diria que sim, que o público é frequentemente confrontado com uma realidade e o World Press Photo culmina com a criação de uma coleção com as mais importantes imagens de fotojornalismo. É um retrato do mundo contemporâneo e os visitantes podem ver verdadeiras histórias, desde as mais belas até às trágicas…”

Mário Cruz recebeu prémio Ambiente mas fala em imagens humanistas

Há um português premiado na categoria Ambiente. Mário Cruz ficou em 3º lugar com a imagem de uma criança sobre um colchão no rio de lixo de Pasig, nas Filipinas.

Mário Cruz refere que foi premiado na categoria Ambiente, mas as suas fotos têm sempre uma vertente humanista: “para mim a parte humana está sempre presente e interessou-se, sobretudo, as consequências que o meio ambiental tem na vida das comunidade que vivem ao longo do rio Pasig. Este é um rio extremamente poluído ao ponto de ter sido considerado biologicamente morto na década de 90”.

Mário Cruz aponta que, muitas vezes, estes cenários negros em relação ao ambiente “são descritos e tratados de uma forma superficial, ou seja, vemos os lugares poluídos, vemos esse nível de poluição, mas não enxergamos o que está por trás e as diferentes camadas do problema. Foi isso que me interessou. A imagem premiada mostra uma consequência muito direta desta vivência com a poluição que já dura há demasiado tempo em Manila”.

Fotografia como meio de intervenção na sociedade

O fotógrafo português aprecia também a intervenção na sociedade, através das suas fotos. Já depois do prémio em 2016, com a fotografia de crianças talibés escravizadas no Senegal, procurou agitar consciências com a publicação de um livro.

Agora com esta fotografia da poluição no rio Pasig a intervenção alia-se a outras ações de sensibilização. Mário Cruz explica que foi criada uma exposição, que “esteve patente em Algés, em que quem quisesse visitar a fotografia tinha que atravessar uma sala cheia de lixo, tinha que enfrentar o problema. Mas também foi criado um livro produzido de resíduos de plástico. Ao todo as capas dos livros usaram 160 kgs de lixo. A própria exposição, além das imagens expostas, tinha fotografias coladas e rasgadas”.

O objetivo é levar essas colagens até Manila, pelo menos é uma missão que Mário Cruz vai tentar concretizar.

No ano passado cerca de 9 mil pessoas visitaram a exposição World Press Photo no Fórum da Maia. Aí está nova oportunidade.