“Xutos é sempre Xutos” (Vídeo)

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Cerca de 7500 pessoas passaram entre quinta-feira da semana passada e sábado pelo Complexo de Ténis da Maia assistirem ao Maiact 2010. As contas são do vereador da Juventude da Câmara Municipal, Hernâni Ribeiro, tendo como base a receita da bilheteira e os convites distribuídos.
Foi a noite de sábado que encerrou com Xutos & Pontapés aquela que mais gente juntou, embora Hernâni Ribeiro afirme que todas as noites foram de qualidade e especiais, “dentro do estilo de cada uma”. Enquanto fazendo parte do público, assume que a noite de sexta-feira, em termos de musicalidade foi “especial e muito interessante”. Mas “Xutos é sempre Xutos, aquela explosão de energia, é brutal”.

E o restante público, composto por diferentes faixas etárias, concorda, a avaliar pela ovação que receberam mal se ouviram os primeiros acordes de “Contentores”, que abriu o concerto com cerca de 45 minutos de atraso. Foi uma das músicas que levou ao rubro quem assistia ao concerto. Mas clássicos como “À minha maneira”, “Maria”, “Minha Casinha” foram também momentos de grande euforia. Nas bancadas, foram poucos aqueles que resistiram e assistir ao concerto, que durou cerca de uma hora e meia, sentados. Toda a gente dançava, pulava e cantava.

Pela primeira vez os concertos do Maiact foram pagos e esse novo formato, assume o vereador, criou alguma ansiedade em termos organizativos. “Queríamos ver como é que resultava e penso que tivemos três noites belíssimas de concertos”, acredita. “Sábado esteve cheio, quinta e sexta-feira não esteve completamente cheio mas esteve uma casa composta por pessoas que foram exactamente lá para ver aqueles grupos e para se divertirem com aqueles grupos e isso fez um ambiente especial”.
O formato de entrada a cobrar será para manter, adianta Hernâni Ribeiro. “Temos a certeza que funciona melhor, acaba também por nos ajudar e, portanto, vamos repetir, com certeza”.

Fechada a edição 2010 do Maiact será tempo para começar a pensar na edição do próximo ano. Contudo, cauteloso, Hernâni Ribeiro afirma que “é preciso trabalho muito”. Recordando as dificuldades financeiras das autarquias locais, afirma que o PEC “veio complicar ainda mais e o próximo orçamento municipal tem que ser muito bem ponderado e muito bem pensado”. Da sua parte, garante que irá defender a continuidade do Maiact. Mas “a câmara municipal são mais vereadores, são mais pelouros, há muitas actividades e espero que esta seja uma das contempladas”.
Questionado sobre se haverá cortes nas actividades do pelouro da Juventude, o vereador apenas refere que é certo que o orçamento municipal tem que ser reduzido. Mas também é certo que a aposta em questões como o ensino e a acção social serão para manter. “Portanto, sendo o pelouro da juventude um pelouro que actua essencialmente para as pessoas mais jovens, que trata temas como a inclusão social e o emprego, estou optimista que esses cortes não terão grande significado”.

Lan Party ao rubro

Mas Maiact não são só concertos. Entre quinta-feira e domingo, no Parque Central decorreu a 13ª edição da XL Party, que contou com a participação activa de cerca de 800 jovens e a visita de alguns milhares.
De acordo com Pedro Silveira, da organização, a XL Party dividui-se em duas partes. A primeira, a Lan party, que acolheu cerca de 800 jovens, que trouxeram os seus computadores de casa com um único objectivo jogar em rede e competir. “É para isso que eles cá vêm, para os torneios de videojogos e nós temos torneios de Counter Strike, PES 2010, Call of Duty, TrackMania, Gears Of War, Halo 3, todo o tipo de jogos que eles jogam on line em casa e eles querem vir para o evento para poderem jogar com as equipas deles que, às vezes, nem sequer conhecem, só se conhecem on line e aqui acabam por se conhecer, vêm jogar com as equipas deles e competir uns contra os outros”.

E se há uns anos os jovens participavam por causa da velocidade da internet, hoje em dia, acrescenta Pedro Silveira, participam pelo espírito de competição. “Cada vez mais os videojogos têm uma característica que são os electronic sports, que é a competição. Ou seja, antigamente os miúdos com 14, 15 anos estavam na rua a jogar futebol , hoje estão em casa, nos quartos as jogar uns contra os outros e o que acontece é que, antigamente queriam ser jogadores de futebol, agora participam em jogos on line e depois também querem ter torneios e equipas e jogar uns contra os outros”.

Os participantes são jovens, maioritariamente rapazes, entre os 15 e os 23 anos e chegaram à Maia vindos de todo o país, incluíndo as ilhas da Madeira e dos Açores e até de Espanha, para participarem naquela que é considerada a maior Lan Party do país.
Tânia Santos foi um dos poucos elementos femininos presentes no evento e integra uma equipa chamada S4K, que conta com mais quatro elementos. A jovem de 27 anos, de Torres Vedras salientou o convívio como a maior razão para ter vindo ao concelho da Maia. “Em casa aquilo é tudo muito boca a boca, aqui as pessoas ou se controlam mais ou explodem mais, é de extremos”.
Tânia Santos afirmou ainda que o participar na Lan Party não tem nada a ver com o jogar em casa, em rede. “Estamos aqui todos pela camaradagem, não venho aqui para ganhar”, confessa.

Os “S4K”, ou “Skill 4 Kill” são uma das muitas equipas que participou na Lan Party. É composta por cinco elementos – três rapazes e duas raparigas, vindos de diferentes pontos do país, nomeadamente Lagos, Lisboa, Torres Novas, Coimbra e Oliveira de Azeméis, que jogam já com frequência on line. Vieram à Maia para participarem no Torneio de Counter Strike.
O elemento desta equipa que veio de mais longe é David Roque. Chegou de Lagos e confessou que o que o trouxe à Maia foi “o convívio, a amizade e jogar com a equipa”. Ganhar “é impossível”, afirma. “Há equipas muito boas e nós jogamos bem mas não somos aqueles tops, os melhores”.

Para este jovem de 20 anos esta é também uma oportunidade ir conhecendo o país, uma vez que é a terceira lan party em que participa, sempre na região Norte do país. “No Algarve não há nada disto porque não há muito jogadores, a maior parte é do Norte”.
E com a procura a aumentar, a XLParty decidiu criar um verdadeiro festival, com uma área menos competitiva e mais de experimentação. “Criamos uma área com simuladores, com shows de física, astronomia, pistas de carros digitais, jogos em 3D, tunning dos PC’s, ou seja, um evento que tem uma série de áreas ligadas ao entretenimento tecnológico e que permite aos participantes usufruir do seu computador mas também fazer muitas outras actividades”, enumera o organizador. Um espaço que também foi visitado por “alguns milhares de pessoas”, referiu Hernâni Ribeiro. Por isso, o vereador da Juventude faz um balanço “muito positivo”.

Destaca as condições “excepcionais” que este ano permitiram esta realização porque o Maiact coincidiu com a saída do Auto Museu da Maia do parque central, possibilitando a utilização dessas instalações para realizar a Lan Party. “Não sei se para o ano poderemos reproduzir exactamente as mesmas condições mas caso isso seja possível, com certeza que éum evento a repetir porque foi, de facto, uma aposta ganha”, sublinhou Hernâni Ribeiro.

Reconheceu que é um tipo de actividade que requer muito know how. E pelas críticas que leu em fóruns da especialidade, “toda a gente ficou muito agradada porque é difícil ter um lan party com 800 pessoas como esta em que não houve problemas de electricidade, nem problemas de rede, nem problemas de internet”.

Isabel Fernandes Moreira