190 anos da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto comemorados em Gala no Coliseu

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Criada por decreto régio assinado por D. João VI em 1825, a Escola Cirúrgica do Porto foi sofrendo diversas evoluções, até adquirir, já em plena República, a denominação pela qual é atualmente reconhecida a nível mundial, graças à excelência da sua produção científica e ensino da Medicina.

Na Gala, que teve lugar no Coliseu, na noite do dia 25 de Novembro, marcaram presença membros do Governo, o Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, a Vice-Presidente da Câmara do Porto, o Reitor da Universidade e inúmeros convidados vindos de vários continentes, com especial destaque, para os reitores de algumas faculdades de Medicina de países membros da CPLP.

Maria Amélia Ferreira, Diretora da Faculdade de Medicina, proferiu um discurso pleno de significado simbólico, cuja substância continha relevantes referências aos carismas da sua instituição, com particular enfoque para as pessoas que quotidianamente animam a sua realidade, enfatizando sobretudo os seus alunos, sem contudo deixar de sublinhar a missão do extraordinário corpo docente, e funcionários.

A Música é imprescindível numa festa

O espetáculo iniciou com uma coreografia cuja encenação visava criar o ambiente evocativo do enquadramento histórico em que o Rei de Portugal decretou a fundação da Escola Cirúrgica do Porto que esteve na génese da FMUP.

De entre o elenco que realizou este momento muito conseguido, realce para o grupo de Teatro da FMUP.

António Pinho Vargas teve honras de abertura artístico-musical da Gala, tocando ao piano dois temas de sua autoria, numa interpretação marcada pela emoção de estar de regresso à sua cidade, ao Coliseu, e ao convívio dos muitos amigos que contava entre o público, sobretudo entre docentes da Faculdade de Medicina e médicos do Hospital de S. João.

Seguiu-se depois um momento de Fado académico, em que a voz solística não deixou os seus créditos por mãos alheias, demonstrando todo o seu potencial interpretativo.

Os “Be-Dom” levaram a palco um estonteante momento de Música percussiva, recheada de ritmos intensos que não deixaram ninguém indiferente.

abrunhosa

Para além dos vibrantes efeitos que os seus ritmos tiveram no público, os seus apontamentos de humor criaram um ambiente descontraído e bem-disposto, numa dinâmica interativa muito interessante.

Como não podia deixar de ser, as tunas, masculina e feminina, levaram a palco temas emblemáticos do seu reportório, agitando capas negras e pondo ao rubro o fulgor jovial de uma comunidade estudantil que nutre pelas suas tunas, um carinho muito especial.

Uma estreia no Coliseu

Esta Gala dos 190 anos da Faculdade de Medicina ficou ainda marcada por um acontecimento cultural histórico. Refiro-me à estreia do Coro da FMUP, que subiu ao palco para interpretar “Fui ao S. João à Lapa”, tema de referência do património coral popular português, para logo de seguida, entregarem as suas vozes, à interpretação harmónica, de “Long day”. A estreia do Coro ficou completa com o tema “Yé-Yé-Yé”, um jogo harmónico em cânone, apoiado por apontamentos rítmicos, com estalidos dos dedos e palmas, em que o público foi convidado a participar.

Mas o Coro da FMUP tinha na manga uma surpresa para mais tarde.

Pedro Abrunhosa – a estrela da noite

O melhor estava ainda para vir, e aconteceu já madrugada, quando subiu ao palco, alguém que se sente nesse ambiente, como um ser que está no seu habitat natural, quer dizer, como peixe na água.

Acompanhado por uma banda de luxo, os “Comité Caviar”, Pedro Abrunhosa demonstrou mais uma vez, o quanto sabe do seu “mettier”, provocando e agarrando o público, para o levar onde queria, ou seja, ao rubro.

Abrindo com “Se eu fosse um dia o teu olhar”, passou em revista algum do seu melhor alinhamento para grandes palcos, integrando uma diversão com referências à Música conhecida por “Disco Sound”, mostrando os seus dotes em matéria de falsete, para invocar “Bee Gees”.

Depois dessa parte mais dançável, Pedro Abrunhosa baixou o ritmo, e foi direto ao seu alinhamento mais emotivo, pleno de Poesia, belíssimas melodias e harmonias que entram bem no ouvido, como se diz na gíria musical, canções muito orelhudas.

A grande surpresa estava reservada mesmo para o final da sua prestação, quando subiu de novo ao palco, o Coro da FMUP, para acompanhar, sob a direção artística de Ana Lídia Rouxinol, Pedro Abrunhosa, na interpretação de “AMOR”, em modo Gospel e “Tudo que eu te dou”, sublinhando com uma harmonia suave e doce, a beleza da canção com que tudo terminou, abrindo a década, que segundo Maria Amélia Ferreira, levará a FMUP, à comemoração do seu IIº centenário de existência.

A Gala de comemoração dos 190 anos da FMUP, elevou a fasquia da qualidade a um nível, que redobra a exigência, em matéria de solenidade, cerimonial protocolar e festividade artística, para quem daqui a uma década, tiver a seu cargo, a responsabilidade de organizar as comemorações do seu bicentenário.

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