A Banda Marcial de Gueifães a passar pelos seus 175 anos

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A Ciência assegura-nos hoje que o limite máximo que o organismo humano pode sobreviver anda na casa dos 120 anos e que a partir daí não há condições para uma sobrevida com qualidade.
A Banda Marcial de Gueifães, uma instituição a que muitos homens e mulheres deram muito do seu tempo, esforço, sacrifício e preserverança está este ano a comemorar a bonita idade de 175 anos, perspectivando-se com todo o fulgor, para o bicentenário que já se começa a vislumbrar no horizonte.

Para melhor compreendermos a capacidade que esta instituição teve, para resistir a uma série de mudanças políticas, sociais e de mentalidade, basta que pensemos nos principais marcos históricos do século XIX português, e nos lembremos de acontecimentos que ocorreram no século XX, cujo impacto no rumo da nossa história foi enorme, senão mesmo radical, como por exemplo, o regicídio (1908), a implantação da República (1910), a 1ª guerra Mundial (1914-1918), o golpe militar que abriu caminho ao Estado Novo (1926), a grande depressão (1929), a 2º guerra Mundial (1939-1945) e a revolução dos cravos (1974). A todos estes tremendos episódios da História de Portugal e do Mundo que abalaram de uma forma quase telúrica, as estruturas que sustentavam a organização política, social e cultural dos países que directa ou indirectamente neles estiveram envolvidos, a Banda Marcial de Gueifães resistiu tenazmente, pese embora as imensas dificuldades com que teve de arrostar nesses tempos de grande dureza, ao longo dos quais, a sua acção não foi apenas cultural e artística, como é sua missão. Sabemos, pelos inúmeros testemunhos transmitidos por músicos veteranos que a ajuda social aos seus membros mais carenciados ou que passavam dificuldades temporárias, foi sempre uma prática quer da instituição, colectivamente considerada, como por parte dos seus elementos, a título pessoal, facto que sempre contribuiu para que a Banda fosse, de certo modo, uma comunidade quase familiar.

A Música, a Arte e a Cultura, na Maia, em Portugal e no Mundo tem uma dívida de gratidão para com a Banda Marcial de Gueifães, que foi sempre um baluarte na promoção e difusão dos valores estéticos da Música, tendo sido durante alguns anos, única responsável na Maia e na região, por essa missão.

É igualmente digno de nota, o facto da Banda ter tido sempre em actividade, a sua escola de Música, alfobre de formação e integração dos novos instrumentistas que foi para muitos, o seu verdadeiro Conservatório.

O património imaterial e o imenso palmarés de bons serviços culturais e sociais prestados, não só à Maia, mas à região norte e à comunidade nacional, é mais do que suficiente para que as mais altas instâncias do Estado, desde a Presidência da República à Secretaria de Estado da Cultura, distinguissem a Banda Marcial de Gueifães por esta comemoração ímpar. Têm sido atribuídas comendas e condecorações a personalidades e instituições que, a meu ver, não se podem honrar de dignidade semelhante ou tamanha folha de bons ofícios.

A Banda Marcial de Gueifães foi e continua a ser, um Conservatório de Música e uma orquestra do povo e para o povo.
A grande esperança que paira para o seu futuro radica justamente na mais valia de que dispõe actualmente, apresentando um efectivo constituído por instrumentistas habilitados com formação técnica e artisticamente muito qualificada, sendo também de referir que há nos seus naipes, uma predominância de jovens que abraçaram ou querem enveredar pela carreira musical profissional.

A última vez que tive o privilégio de ouvir a Banda, nas festas em honra de Nossa Senhora do Bom Despacho, confirmei a opinião que já vinha consolidando, reconhecendo-lhe uma capacidade para ombrear com repertório de uma certa dimensão, diria pro-sinfónica, cuja exigência de domínio técnico e artístico requer do seu Maestro, Albino Teixeira e dos seus músicos, uma entrega muito generosa.
O concerto que a BMG está a preparar para comemorar esta bela efeméride e que, em boa hora, o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Maia quis acolher no seu Festival de Música, vai revestir-se de várias surpresas que, no meio filarmónico, ou são pouco comuns ou mesmo inéditos.

Uma homenagem pessoal

Na minha qualidade de cidadão maiato e pessoa que ama a Música como a sua Arte predilecta, quero deixar à Banda Marcial de Gueifães e a todas as pessoas que se dedicam à sua missão, o meu tributo e os votos de vida muito longa, feliz e musicalmente rica, na certeza de que esse desiderato será motivo de alegria e satisfação para todos aqueles que, como eu, vivem com entusiasmo o prazer da Música.

Victor Dias

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