Banda Marcial de Gueifães deu um extraordinário concerto histórico

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O extraordinário concerto que a Banda Marcial de Gueifães deu no grande auditório do Fórum da Maia, no dia 26 de Maio de 2012, à noite, foi um momento memorável de altíssimo nível, quer do ponto de vista artístico, como no que se referiu à solenidade e carga simbólica de que se revestiu.

Nos minutos que antecederam o início do concerto, o Presidente da Direção, João Carlos Araújo, proferiu um discurso alusivo à efeméride que estava ali a ser comemorada, após o que distinguiu os instrumentistas, Carlos Alberto Teixeira Lemos e José Santos que completaram, respectivamente, 25 e 60 anos de dedicação exclusiva e consecutiva, ao serviço da instituição, que este ano fecha a bonita idade de 175 anos de existência e permanente atividade musical. João Carlos Araújo também ofertou ao Presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes e ao Vereador da Cultura, Mário Neves, lembranças que pretenderam expressar o reconhecimento por todo o apoio recebido da autarquia e do competente Pelouro.

O repertório selecionado para este concerto especialíssimo, porventura, o melhor de sempre, alguma vez realizado por esta Banda multissecular, permitiu ao Maestro, Albino Teixeira e aos 65 instrumentistas que estiveram em palco, um desempenho que em certas obras foi, de facto, brilhante. Acerca do palco, importa referir que estava festivamente decorado, com uma bordadura de flores que envolvia a Banda numa moldura floral belíssima, facto que muito enriqueceu a estreia dos novos uniformes, iigualmente bonitos e elegantes.

O programa musical começou com uma obra de cariz muito adequado, “Jubilance”, prosseguindo com um repertório diversificado que proporcionou uma inequívoca demonstração da excelente forma técnica e artística de todo o efetivo, bem como da sua enorme versatilidade musical. A destacar a interpretação solística do Saxofonista, Pedro Santos, instrumentista da Banda, na obra “Saxofone concertino”, do compositor Satoshi Magisawa.

O melhor da festa estava reservado para o fim, quando o Tenor Pedro Tavares subiu ao palco para cantar algumas das mais célebres e populares melodias que fizeram as delícias do público que não regateou aplausos, presenteando a Banda e o tenor, com vibrantes e demoradas ovações, chegando a reclamar com vivas e bravos, vários “encores”, fazendo-me lembrar, por momentos, um ambiente próprio dos grandes teatros de ópera europeus. O auge do concerto, claramente visível, por estar estampado nos rostos de todos os músicos e público que lotava a sala, foi atingido precisamente no final, com a interpretação do Hino da Banda Marcial de Gueifães, cuja letra foi escrita por Vítor Bastos e a Música composta por José Maciel.

Esta instituição artística e cultural, a mais antiga da Maia e uma das mais antigas de Portugal e da Europa, é credora da admiração e respeito de todos os maiatos e portugueses que gostam de Música Filarmónica, como também devia ser reconhecida, com todo o mérito, pelas mais altas instâncias do Estado, Presidência da República e Secretaria de Estado da Cultura, dada a sua infindável folha de relevantes serviços culturais e artísticos prestados a Portugal, ao longo de 175 anos, com estabilidade e sem interrupções, sobretudo se atendermos às inúmeras convulsões sociais e políticas, aos conflitos mundiais, às revoluções e mudanças a que assistiu desde a sua fundação no século XIX e às quais, até hoje, resistiu tenazmente.

Gueifanenses, maiatos e melómanos filarmónicos têm razões bastantes para estarem orgulhosos da longevidade da Banda Marcial de Gueifães cujos horizontes para o futuro são altamente promissores, tal é a a expressão que já assume no seu efetivo, a presença de jovens instrumentistas com uma formação musical de qualidade.

Termino registando uma nota muito positiva que diz bem do carácter das pessoas que constituem a atual Direção, e que, apesar das velhas e, a meu ver, salutares rivalidades e picardias que sempre obrigaram ambas as bandas a um esforço constante de melhorarem a sua qualidade artística e os seus desempenhos, não deixaram de convidar a Direção e o Maestro da Banda de Música de Moreira da Maia, facto que permitiu dar à comunidade um sinal de cordialidade e respeito recíproco que muito dignifica ambas as seculares instituições do concelho da Maia.

Nenhuma das pessoas presentes neste fantástico concerto, no palco ou na plateia, jamais esquecerá tão extraordinária experiência musical porque todos fazem parte deste mesmo momento histórico e absolutamente memorável.
Depois de um concerto com esta envolvência e grandeza, a exigência que fica para a comemoração do bicentenário tem uma fasquia altíssima. Convém ter isto bem presente porque já só faltam 25 anos.

Victor Dias

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