Bonecas de trapos feitas por “avós” (vídeo)

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Num dia em que, normalmente se encontra encerrado, o Museu de História e Etnologia da Terra da Maia abriu as portas a cerca de 100 idosos do Lar e centros de dia da Santa Casa da Misericórdia da Maia. Foi esta a forma encontrada pela Câmara Municipal da Maia para assinalar o Dia dos Avós, que se comemorou na segunda-feira.
A visita tinha como objectivo mostrar o trabalho realizado por alguns dos utentes do Lar e centros de dia que estiveram envolvidos no projecto “Meia Velha, Boneca Nova”, que decorreu entre Março e Julho. Foi desenvolvido no âmbito da exposição “Brinquedos do Nosso Mundo”. A iniciativa enquadra-se numa política de “conquistar e fidelizar novos públicos”, referiu Liliana Aguiar, responsável pelos serviços educativos do museu.

Até agora, o museu tem trabalhado com o público mais jovem, as escolas. Este ano, estabeleceu o público sénior como principal prioridade. “É um público que tem uma experiência de vida muito grande e que a pode transmitir aos mais novos”, explicou. E nesse sentido, o projecto “Meia Velha, Boneca Nova” foi lançado como desafio aos utentes seniores.

Recorrendo a meias velhas ou desemparelhadas, restos de tecidos e de lãs, tinham que apresentar como trabalho final, uma boneca de trapos. Uma prática antiga e que o museu decidiu recuperar, recorrendo aos público sénior, que em jovens, criavam as suas próprias bonecas. “No fundo, eles estavam a reviver um passado, a transmitir conhecimentos e a conviverem uns com os outros”, sublinha Liliana Aguiar. Por outro lado, esta foi uma forma de contribuir para um melhor desenvolvimento da destreza das mãos.
“Meia Velha, Boneca Nova”, desenvolveu-se em quatro fases. Primeiro, visitaram a exposição “Brinquedos do Nosso Mundo”. Numa segunda e terceira fase, receberam a visita da equipa do museu, primeiro para construir, e depois para a vestir. A última fase, culminou com a vinda dos idosos ao museu no Dia dos Avós, para conviverem e verem o resultado final do projecto. Ao todo, foram criadas seis dezenas de bonecas de trapos.

Adelaide Barros foi a que fez mais bonecas, ou pelo menos, que mais ajudou os companheiros a fazer, dada a sua experiência, apesar de nunca ter ido à escola ou de ter aprendido a fazer costura. “Quando era pequena, fazia bonecas para mim. Quando fui servir, com a idade de ir para a escola, tinha um caixote cheio de bonecas de trapos”, recorda Adelaide Barros.

Serafim Costa e Silva foi um dos poucos homens que aceitaram pegar em agulha e linha para fazer uma boneca de trapos. Só fez uma, “porque tinha de fazer a armação do pára-quedas do espantalho que está no Parque de Avioso”, conta. Com 81 anos de idade, apesar das amarguras que a vida lhe reservou, não gosta de estar quieto. A habilidade que tem, faz com que Serafim Costa e Silva esteja sempre entretido com alguma coisa. Construiu a armação do pára-quedas de um espantalho, criou uma boneca de trapos, participa nas actividades do centro de dia, foi campeão em dominó no Inter-Freguesia, e ainda vai ajudando um amigo que foi operado ao coração, fazendo-lhe companhia e olhando pelos animais. “Não gosto de estar parado. Temos de arranjar alguma coisa para nos distrairmos”, diz.
A exposição “Meia Velha, Boneca Nova” poderá ser visitada durante a próxima semana, no Museu de História e Etnologia da Terra da Maia.

Fernanda Alves