Cascata centenária exposta em Vermoim

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Uma barbearia à moda antiga, profissões como a de tanoeiro, ferrador, tamanqueiro, ferreiro, pedreiro, calceteiro, guarda-soleiro e carpinteiro, os moinhos de vento, o moinho do Pedro, a Filarmonia de Vermoim, o cantar da serenata, o malhar do centeio, os bombeiros de Moreira da Maia, a Banda de Música de Moreira e o Rancho Regional de Moreira da Maia, a procissão e a fonte dos desejos.

Estas são algumas das 300 peças que compõem a Cascata do Quim do Pedro, que pode ser visitada na antiga Junta de Freguesia de Vermoim. A inauguração foi no passado sábado à tarde e contou com a presença dos dois artesãos, autores de parte dos trabalhos, Rodrigo e Augusto Pedro, e do presidente da Junta de Freguesia local, Aloísio Nogueira, que fez as honras da casa, devidamente acompanhado pela Orquestra Filarmonia de Vermoim, que tocou algumas músicas populares, parceiros nesta iniciativa.
Dizia Aloísio Nogueira, na sessão de abertura, que se tratava de uma monumental e antiquíssima cascata que vai ser agora exibida em pleno funcionamento. Uma Cascata São Joanina “que desde os princípios do século passado maravilhou sucessivas gerações de vermoenses e maiatos por altura dos Santos Populares”.

E se na sua origem era movida pela força do Ribeiro de Guindes, hoje dá-lhe vida um simples jogo de roldanas e fios, que movimentam centenas de figuras esculpidas artesanalmente e que representam diversos quadros representativos da vida quotidiana do trabalho e do lazer das Terras da Maia. Dito isto, iluminou-se a cascata e as 300 peças começaram a marchar ao som de uma marcha popular interpretada pela Filarmonia.

As 300 peças são da família Pedro. Nos dias de hoje são feitas por Augusto e Rodrigo Pedro que aprenderam o ofício com o pai e com o avô. “Existem umas sete ou oito peças que são centenárias, as restantes foram feitas de há 25 anos para cá”, conta Augusto Pedro, que não esconde que este gosto pelos trabalhos em madeira foi-lhe incutido pelas duas figuras paternas.

As peças são feitas em madeira, com fios e arames. “Aqui é tudo artesanal, não há nada feito com máquinas”, ressalva. Por vezes, conta, usa o motor de uma máquina de lavar, um veio e depois fios e roldanas. As cambotas (veio de manivelas é a componente do motor para onde é transferida a força da explosão ou combustão, transformando a expansão de gás em energia mecânica) são feitas com varetas de guarda-chuvas. “É o artesanal puro”, reitera.

Os últimos trabalhos elaborados por Augusto Pedro representam a Filarmonia de Vermoim, composta por mais de 50 músicos, uma réplica da casa do pai, bem como do moinho do Pedro, um outro moinho e um carro de incêndio à antiga portuguesa porque “antigamente não havia nenhum carro a acartar a água, era um carro de mão”, conta. “Vocês não imaginam o gosto que eu tenho por isto”, desabafou.
Já se passaram 14 anos desde que a sua família montou esta cascata pela última vez. Foi na altura que o pai faleceu. No entanto, há cerca de dois ou três anos falou com o irmão no sentido de voltarem a montar a cascata. Mas Rodrigo dizia-lhe que dava muito trabalho. No entanto, este ano, Augusto lá o conseguiu convencer. “E começamos a trabalhar e é o que se pode ver, é a alegria do povo de Vermoim”.

Quando questionado sobre se o futuro desta tradição familiar está assegurado, Augusto Pedro deixa algumas reservas. “Os meus estão ligados à música, mas vamos ver se eles se interessam. Pode ser que sim. Eu também comecei tarde mas, no meu tempo, o meu computador eram os bonecos de madeira, hoje em dia não, os tempos livres são ocupados de outra forma”. Mas não esconde que gostava “muito” de manter na família a tradição do seu pai e do seu avô, de quem fala com emoção.
A cascata pode ser visitada até ao dia 29 de Agosto, no edifício da antiga Junta de Freguesia de Vermoim, de terça a sexta-feira entre as 17h e as 23h e aos sábados, domingos e feriados das 10h às 12h30 e das 16h às 23h, encerrando às segundas feiras.

Isabel Fernandes Moreira