Desafios à Educação durante o confinamento

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O esforço no concelho da Maia foi feito em várias vertentes educativas para que ninguém ficasse para trás.

A pandemia trouxe muitas adversidades, mas na área da Educação nem tudo foi negativo. Pelo contrário, em tempo de aulas à distância, houve quem não deixasse de dar asas à imaginação, reinventando métodos e adaptando-se à nova realidade.

Escolas de Acolhimento com serviço de refeições

A escola voltou a fechar no início deste ano, tendo o concelho da Maia mantido 7 escolas de acolhimento a filhos de profissionais de serviços essenciais e também com serviço de refeições para quem precisasse fornecidas pela Câmara Municipal. Quisemos saber junto de Aline Santos, professora coordenadora na EB1 de Gueifães (escola de acolhimento), como decorreu este período diferente com a escola mais vazia.

Aline Santos explicou que esta escola servia 29 almoços diariamente, distribuindo-os pelos alunos das escolas nº 1 e 2 do Agrupamento de Escolas da Maia. “À nossa escola vinham cerca de 14 crianças buscar refeições em regime take-away”, explicou.

As informações chegavam às famílias através dos professores titulares de cada turma e algumas iam comunicando diretamente as necessidades, o que permitiu uma rápida e eficaz entrega das refeições. “Alguns dos docentes também tentavam identificar as necessidades de antemão e nós contactávamos as famílias para perceber se estariam interessadas”.

“A equipa responsável pelo serviço era constituída por funcionárias que trabalhavam em turnos, evitando assim, aglomerados e consequentemente, possíveis contágios. Eu coordenava a equipa, fazendo questão que estivessem sempre disponíveis funcionárias em ambas as escolas, para que as famílias encontrassem uma cara familiar quando viessem buscar as refeições”, referiu Aline Santos.
As equipas além de integrarem os profissionais dos agrupamentos incluíam ainda assistentes operacionais, animadores e professores das AEC, sob a responsabilidade da Câmara da Maia.

Quanto ao acolhimento, “a escola recebia cerca de 15 crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos, abrangendo também, alunos do secundário. A maior parte do grupo tinha atividades síncronas durante a manhã, os alunos do secundário tinham um horário estipulado, também com aulas síncronas durante a manhã e a tarde e, por sua vez, os alunos mais novos tinham dois períodos por semana. Fora deste horário, também existiam atividades lúdicas, coordenadas pelos animadores”.

Os alunos gostaram muito de estar na escola neste período, assegurou, pois desenvolveram atividades “muito enriquecedoras e divertidas”. Aline Santos lembrou até que alguns disseram aos pais para os ir buscar mais tarde, porque estavam a divertir-se imenso na escola.

Alunos das turmas SUPERTABi mais preparados para a distância imposta pelo confinamento

Numa altura em que a escola passou para casa, os alunos tiveram de se adaptar aos ecrãs. É aqui que entra Carla Maia, uma das 28 docentes inseridas no projeto SUPERTABi e que dinamiza as aulas de forma diferente da tradicional, incluindo sempre as novas tecnologias. Ela refere que este projeto foi essencial para que as crianças não sentissem tanto o impacto das aulas à distância. “Os alunos SUPERTABi utilizam modelos híbridos, ou seja, para eles utilizar um tablet ou um computador em ensino presencial, já era normal”.

Crianças pequenas que nunca tiveram contacto com dispositivos tecnológicos precisam do apoio dos pais e, por isso, este projeto veio ajudar no processo. “O SUPERTABi permite aos alunos e professores trabalharem em contexto presencial com algumas plataformas digitais, e depois em casa os alunos já estão habituados”, explicou Carla Maia. “A única diferença é que os professores não estavam presentes”, acrescentou.
A professora adiantou que não utiliza livros escolares, porque os conteúdos estão todos disponíveis em plataformas e manuais digitais: “é uma das vantagens”.
“O meu filho por exemplo, não estava inserido no projeto e teve mais dificuldades, precisando da minha ajuda para coisas simples, como anexar um ficheiro. Acho que o projeto SUPERTABi devia ser alargado a todas as turmas do concelho”, considerou Carla Maia.
O Projeto SUPERTABi é da responsabilidade da Câmara da Maia e tem parceria dos sete agrupamentos escolares do concelho, onde funcionam as turmas piloto. Os equipamentos informáticos usados pelas turmas são da autarquia maiata, que durante o confinamento também cedeu a título de empréstimo para os alunos trabalharem em casa.

LUDI+ foi até casa das crianças

Existe também o LUDI+, um programa criado pela Câmara Municipal da Maia e que permite às crianças maiatas descontraírem, por meio de atividades lúdicas com a família.
Carla Barros, professora do centro escolar da Gandra, é uma das animadoras desta iniciativa e contou-nos que as atividades têm sempre como objetivo a aprendizagem de forma lúdica.

“Já tínhamos tido a experiência com o confinamento do ano passado e a Câmara Municipal da Maia criou através do seu site o campus LUDI+, onde aparecem os 5 módulos que estão inscritos no programa e onde os pais podem aceder a atividades relacionadas com os mesmos”. Algumas das atividades são destinadas aos alunos individualmente. No entanto, como explicou Carla Barros, “há sempre a necessidade de um acompanhamento por parte dos pais”.

A iniciativa contava com mais de 60 inscritos ao nível do ensino pré-escolar, antes do confinamento, apenas na escola da Gandra. No entanto, este número diminuiu ligeiramente. O confinamento expôs algumas dificuldades e os pais não conseguiram acompanhar o programa da mesma forma assídua. A nível do concelho, havia 850 crianças inscritas no LUDI+.

Carla Barros explica que, no caso da sua escola, existem agora atividades ligadas a um blog. “Para além das famílias poderem aceder ao campus LUDI+ através do site da Câmara da Maia, existe um blog, o LUDIGANDRA, que está sempre em funcionamento. É lá que colocamos todas as atividades realizadas com as crianças, para que os pais possam consultar o que os filhos fizeram”.

Atividades de Enriquecimento Curricular

Já Mafalda Aguiar, elemento integrante da equipa da AEC (um projeto da autarquia da Maia) e que, este ano, trabalha na escola Monte Calvário, conta-nos que as AEC – Atividades de Enriquecimento Curricular não pararam e continuaram a ser preparadas pelos professores, enquanto as escolas estiveram encerradas.

“Começamos com o trabalho online” desde as reuniões preparatórias até à preparação das aulas, explicou, sublinhando que o “objetivo era que as aulas se tornassem mais lúdicas e menos expositivas, que foi sempre a ideia das AEC, mantendo o mesmo formato do presencial através do online”.
Mafalda Aguiar afirma que as atividades decorreram de forma descontraída e que um dos objetivos durante o confinamento era “manter os laços entre alunos e professores”.

“Pedíamos para eles partilharem o que tinham feito no fim de semana e utilizávamos muito o elogio, como forma de agradecer a participação, cultivando assim as emoções e a ligação com os alunos. Isto fazia-os sentirem-se bastante acarinhados”, frisou.

“Somos Feitos de Palavras”

O projeto ‘Somos feitos de palavras’ continuou a decorrer na turma da professora Ana Reis, docente no Agrupamento de Escolas do Levante, mesmo em casa. “O projeto tem duas componentes: a primeira, que se concentra na construção de uma história, e a segunda, que se centra na conceção plástica das personagens”, explicou a professora.

Ana Reis, referiu que os alunos se mostraram bastante entusiasmados, mas que por ser uma atividade com elementos práticos, apenas metade da turma aderiu à iniciativa durante o confinamento. Nem todos os pais podiam ajudar os filhos na parte plástica, justificou Ana Reis.

Relativamente às competências que podem ser adquiridas pelos alunos, a docente afirmou que se inserem fundamentalmente na área da leitura e da criatividade, pois “quando o projeto é lançado, eles têm de ser imaginativos para o desenvolvimento do mesmo”.

Apesar de alguns alunos não terem conseguido acompanhar a parte prática durante a pandemia, a iniciativa volta agora a fazer acontecer.
Este projeto ‘Somos feitos de palavras’ é da responsabilidade da CMM, no âmbito do INEDIT Maia, sendo dinamizado em uma turma em cada um dos sete agrupamentos escolares.

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