Feira de Artesanato da Maia: A mostra das tradições e sabores de Portugal

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Até segunda-feira, dia de feriado municipal, pode visitar a 15ª edição da Feira de Artesanato da Maia, no Parque Central. O evento conta com a presença de quase duas centenas de artesãos de todas as regiões portuguesas. No local, pode apreciar, entre outras coisas, trabalhos em cerâmica, vidro, cortiça, madeira, lousa cestaria, tecido e cera. Seja para decorar, para vestir ou para calçar, é muito variado e para todos os gostos a oferta da edição deste ano da feira de artesanato.

Maria João Dias é da Maia, participa pela primeira vez na feira enquanto expositora e representa a marca Vermelho Cereja. Desenvolve trabalho em porcelana ilustrado à mão, ou seja, o trabalho é realizado directamente na porcelana. “As ilustrações são todas originais por ser feito à mão”. E a jovem designer cria artigos de decoração, chávenas, pregadeiras, colares, brincos e acessórios no geral.
À sua formação do design gráfico, Maria João juntou o gosto que a mãe lhe incutiu das porcelanas porque sempre pintou. Faz do artesanato a sua actividade principal e garante que até tem corrido bem. “Não tão bem quanto se gostaria mas hoje em dia também é um bocadinho assim em todas as áreas, por isso, o que vai dando vai sendo bom”.

Com esta sua primeira participação conta contactar “mais directamente com as pessoas”. É a primeira que está na Maia mas já participou em outras feiras e a adesão das pessoas “é sempre muito positiva”. Em casa, “espero que aconteça o mesmo”.

Mas também não falta uma área dedicada à doçaria tradicional e conventual, aos vinhos e licores, ao pão, ao presunto e aos enchidos das diferentes regiões. Vindo directamente da Ilha da Madeira, pelo segundo ano consecutivo, Inácio Barbosa mostra alguns dos produtos e vinhos regionais da Ilha. No seu stand não faltam os bolos de mel, os rebuçados tradicionais, os vinhos e licores e a famosa poncha. É precisamente esta última a mais procurada na sua barraquinha, confessa. “É a que tem mais sucesso”.
Mas Inácio Barbosa garante que aproveita também estas participações “para trazer o máximo de produtos para dar a conhecer ao público outro tipo de iguarias menos conhecidas da Madeira”. E como na primeira participação correu tudo bem, este ano, decidiram regressar com a expectativa que ainda corra melhor do que no ano passado.

O espaço da feira tem também ao dispor uma zona de restauração, bar e esplanadas para que se possam provar todas as iguarias. Também não falta a música ao vivo e muita animação.
Todos os anos, o certame conta com a participação de um país ou uma cidade diferente, no entanto, este ano o convidado é o Comércio Justo, que trouxe à Maia um pouco da sua filosofia, cultura dos povos, música, dança e artesanato. Elisabete Moura e Estefânia Sousa são voluntárias da Quercus. É a associação ambientalista quem está a dinamizar a questão do Comércio Justo. No fundo “é tentar apoiar os artesãos e todos os produtores de algumas peças para que possam desenvolver as mesmas de uma maneira sustentável e com algum rendimento também para eles, para que não sejam desfavorecidos em relação ao grande comércio”, explicam.

Já existem várias lojas de Comércio Justo na Europa e em Portugal, acrescenta, o conceito também começa a fazer algum sentido. A primeira loja surgiu em Amarante mas já existem várias em vários pontos do país, nomeadamente Barcelos, Guimarães, Porto, Coimbra, Peniche, Lisboa e Almada. Os artesãos entregam nas lojas e as lojas tentam dinamizar de uma maneira colectiva este tipo de produtos de maneira da dar visibilidade a estas pessoas que, “se calhar de outra forma não o conseguiam”. Na sua maioria, explica Elisabete Moura, são trabalhos que estão apoiados em produção biológica, materiais biodegradáveis, reciclados. Daí a Quercus associar-se ao conceito. “Julgamos que é uma maneira muito interessante de apoiar, de rentabilizar e promover a utilização de materiais reciclados porque as pessoas chegam aqui e vêm que há muitas coisas que podem ser feitas com materiais reciclados”, sublinha a voluntária.
O programa de animação é vasto e privilegia a música tradicional portuguesa. Todas as noites, a partir das 21h30, há espectáculos musicais. No sábado há o Dia da Família, com actividades para os mais novos, onde não faltam os insufláveis, os ateliers, passeios de pónei, actuações de teatro, música e dança.

Isabel Fernandes Moreira