Festival da Primavera em pleno dia de Verão

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O Grupo Regional de Moreira da Maia comemorou, recentemente, o seu 76º aniversário. Um dos pontos altos foi o XX Festival de Folclore Primavera 2010, que se realizou num dia que mais parecia de Verão. O calor fez com que as pessoas procurassem a sombra mas não arredassem pé do largo do Mosteiro, que acolheu o palco decorado com flores para mais um aniversário do grupo.

O dia começou com a chegada dos grupos participantes ao Mosteiro do Divino Salvador em Moreira, onde, às 12h30, se realizou a celebração eucarística. Seguiu-se um almoço. E a tarde foi preenchida com uma sessão solene, com a presença em palco das entidades convidadas e com os grupos que iam abrilhantar a festa de aniversário, dando vida ao festival da Primavera.

A tarde foi animada pelos Grupo Regional de Moreira da Maia, Grupo Etnográfico de Lorvão, Penacova; Grupo Folclórico de Faro, Grupo Folclórico da Região do Vouga, Águeda; Rancho Folclórico de Zebreiros, Gondomar e o Grupo Folclórico e Etnográfico de Castelo de Neiva, Viana do Castelo. Seis grupos folclóricos que são considerados os melhores de cada região representada. “Gostaríamos de trazer mais de outras regiões mas dadas as circunstâncias e o orçamento não nos foi possível, mas convidamos cinco grupos com uma carreira invejável para proporcionar uma tarde invejável e para mostrar que vale a pena ver folclore”, justifica.

O local também não podia ser mais adequado, uma vez que os seus fundadores foram “os senhores” da Quinta do Mosteiro. Depois deles, é que António Pereira, pai da actual presidente do grupo, orientou os destinos do rancho. Passado quatro anos, Lucília entrou como componente para o grupo e depois da saída do pai, assumiu a sua direcção. “E nunca interrompemos a actividade do grupo”, reforça.
Lucília Santos considera importante dar continuidade a um trabalho e a um grupo que foi “tão bem fundado e que não pode morrer nas terras da Maia”. Gostaria “imenso” de ver assegurada a continuidade, no entanto, tem consciência que os seus filhos não estão muito sensibilizados para essa questão. “É um pouco complicado mas eu penso que é apenas uma fase da vida e que tudo se vai conseguir”.

Mas a presidente do Grupo de Moreira tem esperança até porque os jovens gostam “cada vez mais” do folclore. “Há um retorno muito grande a começar pelas escolas, onde as próprias professoras querem aprender a dançar para ensinar aos alunos é sinal que há um retorno imenso, inclusive há muitos jovens licenciados que pertencem a ranchos de folclore e gosta de aprender, isso é sinal que os antigos ensinaram coisas boas e deixaram tradições que estão sempre na moda”
A responsável também recorda que o folclore é um espectáculo e que, por isso, tem que se modernizar para captar o interesse de novos públicos. “Temos que acompanhar os tempos”. E na recepção aos grupos e convidados isso já foi notório. A festa começou com quatro jovens componentes do grupo, que trajando vestidos pretos e lenço à vianesa, coreografaram um fado. Um fado que deu também espaço para o ballet clássico. Depois, um outro elemento do grupo, acompanho à guitarra e à viola, foi cantando um fado escrito por si, com quadras dedicadas aos convidados. À medida que “os cantava”, os grupos iam subindo ao palco.

Em dia de festa, as entidades responsáveis também não quiseram esquecer uma figura sempre presente nestes encontros. O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia e presidente da Assembleia de Freguesia da Vila de Moreira, António Freitas, falecido no dia anterior ao festival. Por ele, a sessão solene começou com um minuto de silêncio.

Isabel Fernandes Moreira