Festival Fazer a Festa presente na Maia apesar dos tempos difíceis

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Fazer a Festa

O Teatro Art’ Imagem, Pé de Vento, Chão d’Oliva, Te-Ato e os galegos Elefante Elegante são as cinco companhias que apresentarão espetáculos na 39ª edição do Fazer a Festa – Festival Internacional de Teatro para a Infância e Juventude, que decorrerá de 10 a 19 de Julho.

Desta vez o Teatro é apresentado ao ar livre, nos Jardins da Quinta da Caverneira, em Águas Santas, concelho da Maia, numa iniciativa do Teatro Art’Imagem em colaboração com a Câmara Municipal da Maia.

Todos os espetáculos decorrerão aos sábados e domingo e são de acesso gratuito, mediante marcação prévia.

Os espetáculos e companhias participantes serão “Contos do Lápis Verde”, proposta do Pé de Vento, a partir de um texto de Álvaro Magalhães com direção de João Luíz.

Apresenta pequenas histórias, todas com finais inesperados, tratadas em divertidas prestidigitações verbais e que desafiam os espetadores.

“O Rei Vai Nu”,  do grupo Chão d´Oliva, de Sintra, a partir de um texto de Hans Christian Andressen, tem encenação de Nuno Correia Pinto, e conta-nos a conhecida história em que se desmontam as aparências dos poderosos que nos querem enganar e se ridicularizam e castigam as suas hipocrisias.

O próprio Teatro Art´Imagem fará uma leitura expressiva de algumas histórias de um seu espetáculo estreado em 2003 e dirigido por Roberto Merino chamado “Histórias de Pássaros”.

Trata-se de um olhar sobre contos sul americanos dos tempos pré-colombianos e da Índia, que falam dos rituais humanos de sacrifícios de aves e do conto de Anabela Mimosa, “O Menino Pássaro”.

“O Fio da Linha do Horizonte” é a peça de João Lázaro, interpretada pelo mesmo, que o Te-Ato, vindo de Leiria nos traz.

Por fim, a presença internacional da jovem companhia galega, Elefante Elegante, que apresenta “Lobo Bobo”, um trabalho de Gonçalo Guerreiro, que nos vai revelar o que acontece quando  a madrasta da Branca de Neve se converte num dos 3 porquinhos olhando-se no seu espelho mágico. 
 
Do programa consta ainda, no dia de abertura, uma Tertúlia em torno do tema “O Teatro para a Infância e Juventude em tempos de Covid-19. Que fazer?”

A iniciativa juntará cerca de 20 profissionais, autores diretores e atores de companhias, Festivais de Teatro, programadores, teatrólogos e educadores, para falar da atual situação do Teatro em Portugal e no mundo, enumerando o que se perdeu, as dificuldades perante a situação e estudando formas de ultrapassar a presente crise.

Completam este dia inicial, uma Exposição “Um Percurso de Teatro Singular” e uma Homenagem – “O(s) Nosso(s) Amigo(s) Dedicado(s)” – à companhia portuense Pé de Vento e ao seu fundador e atual diretor João Luiz, que fizeram do teatro para os mais novos, em mais de 40 anos, uma artística e bem sucedida carreira, dando a conhecer os grandes cultores da língua portuguesa, nomeadamente as obras do poeta Manuel António Pina.

A “Pé de Vento” fez, durante muitos anos, do seu Teatro da Vilarinho, em Aldoar, Porto, a única sala então no país em que se apresentavam espetáculos de teatro para as mais jovens camadas de público.
 
Antes da sessão de encerramento e depois do espetáculo programado para as 18h00, decorrerá a apresentação e lançamento do exemplar número 3 da Revista “Novos Cadernos Fazer a Festa”, que documenta as atividades realizadas no Festival de 2019, como as intervenções do debate desse ano “O Lugar da Palavra no Teatro para os Jovens Públicos”, críticas aos vários espetáculos realizados, bem como o texto ao homenageado nessa edição, o encenador José Caldas.
 
Recorde-se que este Festival estava já completamente programado para ser realizado de 28 de Abril a 3 de Maio e que devido à pandemia e ao confinamento, foi adiado. 

«A presente edição, reagendada em tempo recorde e condições adversas, foi revista e teve de se sujeitar aos condicionamentos que o tempo, as precauções e a segurança sanitária obrigam, não contemplando a programação regular, completa e o figurino das últimas edições», explica o Art’Imagem, entidade organizadora.

Este Festival, que não se esgota na apresentação pública de espetáculos. É acrescentado pela presença de mais de três dezenas de profissionais e companhias, criadores nacionais e internacionais, numa Tertúlia animada e informal, com intervenções gravadas para memória futura, debatendo as especificidades deste teatro.

Pelos críticos que visionam as peças apresentadas e falam sobre elas, em presença do público e dos seus criadores num encontro final apelidado de “Último Ato”.

Pelas “Vozes do Público”, conversas dinamizadas com os espetadores no final de cada apresentação com os atores em palco, e um programa denominado “Assim se Fazem as Coisas” em que que seis criadores, programadores, companhias ou festivais, nos dão a conhecer os seus trajetos, o que estão a fazer e seus futuros projetos.

Tudo isto, refere o Art’Imagem, «torna este Festival num encontro de guardador de memórias, e ao mesmo tempo numa espécie de “observatório” do que se faz e que se deve fazer do teatro para os públicos mais novos.»
 
Resta esperar que, em 2021, “o possamos retomar, desenvolvendo e redefinindo novas metas e desafios que a “peste” trouxe ao nosso quotidiano e que o Teatro ajudará a debelar”, conclui o diretor artístico, José Leitão.