Francisco Moreira apresentou novo álbum na Maia depois do adiamento pela pandemia

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Fotografia cedida pelo artista, ao Primeira Mão
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Em 15 de janeiro deste ano, Francisco Moreira, um jovem fadista, viu a apresentação do seu álbum “Todos os Fados são Meus” ser cancelada devido ao segundo confinamento pela Covid-19. 

Depois de 4 meses de espera, finalmente no passado dia 21 de maio, conseguiu voltar ao projeto e apresentá-lo publicamente, no Fórum da Maia.

O jovem de 21 anos está a tirar um mestrado em ciências da educação, no ISMAI e apesar de ser natural de Vila do Conde e residir em Vilar do Pinheiro, Francisco considera-se maiato, pois foi na Maia que cresceu e estudou. 

Francisco nasceu numa “família de pessoas ligadas à música”. “Cresci num rancho folclórico. O meu avô era presidente, a minha avó cantava e os meus pais dançavam”. E com apenas 6 anos, a família já o incentivava a perseguir os sonhos. “Começaram a dar-me feedback positivo, o que me encorajou a cantar mais”, afirma o jovem fadista.

Mas Francisco confessa que o percurso dele na música não começou pelo fado. “Fui descobrindo e no início rejeitei. Eu não queria e até dizia que não gostava, talvez seja a reação natural de uma criança a quem lhe apresentam o mundo do fado”, reflete. Mas a sua opinião mudou e rapidamente conseguiu estabelecer uma conexão com o estilo. “O fado apareceu e eu comecei a cantar mais vezes, comecei a aparecer mais onde se faziam as coisas relacionadas com ele e aprendi a gostar”.

Na sua opinião, o fado tradicional era alvo de um estereótipo que atualmente já não se apresenta tanto na sociedade, “talvez pela sua comercialização e pelo facto de se ter tornado mais próximo daquilo” que as pessoas ouvem. Talvez por esse motivo, Francisco também acreditasse não gostar. “É um pouco como quando dizemos que não gostamos de uma comida, mas nunca a provamos”, explica.

Um artista versátil e autodidata

Francisco Moreira nunca realizou nenhuma formação oficial no âmbito da música. “A única formação musical que fiz na minha vida foram umas aulas de acompanhamento da mudança de voz, na altura em que eu estava a mudar a minha, pois senti que precisava dessa ajuda”. De resto, Francisco toca guitarra de forma autodidata desde os 10 anos e recentemente comprou um piano “para aprender a tocar da mesma forma”. “Olhando para trás, se calhar arrependo-me um bocado, porque gostava de ter outro conhecimento musical e outro à vontade”. No entanto, nunca é tarde demais para fazer o que se deseja, por isso “acho que ainda vou muito a tempo de ter alguma formação musical”.

“Todos os Fados São Meus” é o mais recente álbum de Francisco, que segundo o mesmo “assume uma visão tradicional do fado”, algo que o jovem defende bastante, apesar de “não ser a minha única visão”. Assim, o disco “inclui fados tradicionais, adaptações de temas antigos que eu gosto muito, temas de fadistas que eu aprecio e também temas originais, um deles escrito por mim”. É importante referir também que este álbum é totalmente “made in Norte”, já que foi “gravado em Gaia e editado em Santo Tirso”, revela Francisco.

O estudante do ISMAI também referiu que uma das razões (“não a principal”) pela qual compôs um novo álbum foi “o facto de trabalhar profissionalmente numa casa de fado” e lá “vendemos discos”. Francisco já tinha um disco lançado há 4 anos e sentiu a necessidade de atualizar as suas canções.

Francisco ia apresentar “Todos os Fados São Meus” em janeiro, mas viu-se forçado a cancelar o espetáculo devido à pandemia. Foi só a 21 de maio que conseguiu revisitar os planos que tinha feito e concretizá-los.

Apesar de nos primeiros meses “ter sido um bocado complicado”, o jovem acredita que “quando as coisas más acontecem temos de reagir e tentar retirar o bom que podemos delas”. Francisco não ficou parado no confinamento, pois em alternativa optou por divulgar o seu trabalho de forma virtual. “Decidi lançar o disco no spotify, lancei também o videoclipe, mantive-me ativo nas redes sociais, fiz concertos online e dei entrevistas para rádios e jornais”. Determinado a continuar musicalmente ativo, o jovem teve de adaptar-se “às condições” do momento.

O fadista refere que “nunca na vida tinha estado mais de duas semanas sem cantar e sem dar um concerto”. Uma paragem que serviu para “me descobrir como pessoa e como artista”, explica Francisco. Também “aproveitei para compor e agora estou cheio de projetos”, acrescenta. Assim sendo, a pandemia fez com que o artista, que canta “profissionalmente desde os 9 anos”, parasse pela primeira vez e se focasse no mais importante: nele próprio e na sua música.

Francisco apoia a abertura da cultura após quase dois anos de paralisação 

O jovem aproveita para comentar o estado atual da cultura e demonstra esperança em relação ao setor. “Estou a ver que as coisas estão a melhorar e que a sociedade está a abrir-se. A nível cultural fico muito feliz pela quantidade de coisas que se têm feito, porque à medida que estas vão acontecendo com mais frequência, o público vai ficando mais confortável”.

No futuro, Kiko (como também é conhecido) espera “lançar mais álbuns e acima de tudo, espero continuar a criar coisas e a cantar, porque é disso que eu preciso, MESMO!”.

Apesar de deter uma visão “tradicionalista do fado”, Kiko considera que “para além de fadistas, somos músicos, e uma carreira deve ter um percurso sempre na perspetiva de evoluirmos e renovarmos a nossa sonoridade, para mostrarmos ao público que conseguimos fazer mais, e para irmos de encontro àquilo que gostamos de ouvir. Como eu não gosto de ouvir apenas fado, acabo por ter vontade de criar outras coisas também”.

Este é o testemunho de um artista que, apesar de novo, já tem uma carreira bastante assinalável. Como muitos, teve de adiar os seus planos para um futuro incerto e apesar das adversidades, conseguiu agarrar-se à criatividade.

Para terminar, deixamos “Todos os Fados São Meus” de Francisco Moreira, para ouvir e guardar.

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