“Imprensa Clandestina” na Maia

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imagem CMM
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A manifestação realizada em 1944, na Maia, contra a saída de bens alimentares para a Alemanha Nazi, é um dos factos que está presente na mostra “A Imprensa Clandestina”, no Fórum da Maia.

Foi há apenas 47 anos que se deu a revolução do 25 de abril, conhecida como uma cortina de liberdade e o salto para a Democracia em Portugal. Mas nem todos se recordam de factos da vida quotidiana dos chamados tempos da clandestinidade, até porque não os viveram. A exposição “A Imprensa Clandestina” é uma janela aberta para essa época e estará patente no Fórum da Maia, de 27 de maio a 16 de junho.

Por ocasião do centenário do Partido Comunista Português, a Câmara Municipal da Maia e a Direção da Organização Regional do Porto do PCP promovem, entre 27 de maio e 16 de junho, uma exposição sobre imprensa clandestina, destacando a sua importância, mas também o heroísmo de todos os que a produziam e difundiam, enfrentando a ditadura fascista e as prisões.

O vereador da Cultura, Mário Nuno Neves, refere que em muitos aspetos a exposição é “focada no território maiato e nos muitos maiatos e maiatas que pagaram muito caro o facto de imprimirem, distribuírem e lerem, durante a ditadura do Estado Novo, publicações – e não apenas o “Avante” – editadas pelo PCP”.

Apesar de ter na génese a organização de um partido político, o PCP, a Câmara da Maia, após reflexão, entendeu que valores mais altos se impunham a “eventuais reticências que a colaboração com um partido político concreto poderiam justificar”. De acordo com Mário Neves, há uma obrigação do município, por um lado, de “homenagear todos aqueles que decidiram combater corajosamente uma ditadura, denunciando os seus crimes, arriscando tudo, incluindo a vida, nesse mesmo combate, em nome de um Ideal e sobretudo em nome da Liberdade”; e por outro, “de manter viva, muito especialmente junto das gerações mais jovens, a memória de um regime que impedia o exercício das mais básicas liberdades, que usava as prisões arbitrárias, o desterro, o “bufismo”, a tortura e o assassinato, como instrumentos da sua perpetuação”.

O vereador entende que estes valores ganham outra dimensão, pois até vivemos tempos em que são frequentes as “tentativas de branqueamento do que foi absolutamente negro (embora tingindo de sangue)” e os “ventos que nos atiram detritos demagógicos e intrinsecamente totalitários, em que a memória é seletivamente apagada”.
Por isso mesmo, estes tempos em que vivemos obrigam toda a gente, em particular os “que prezam a Liberdade, o Conhecimento e a Democracia – à mobilização para o “contar” o que foi, para que nunca mais torne a ser, frisa Mário Neves”

Documentos originais com notícias de “resistência” na Maia

Em 1926, um golpe militar abriu portas a um processo que viria a instaurar uma ditadura em Portugal. O processo foi acompanhado da fascização do Estado e com ela surgiram as perseguições, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos, proibição de partidos políticos, proibição da liberdade de imprensa e imposição de censura prévia… tudo isto aliado à perpetuação de situações de miséria, fome e pobreza extrema.

A imprensa clandestina – particularmente o «Avante!» pela sua regularidade, ligação aos problemas e conhecimento da situação do país – era um informador que furava a censura, mas também um guia de ação, um orientador das massas com vista ao derrubamento do fascismo.

Dando expressão a uma grande – e pouco conhecida – diversidade de jornais clandestinos (alguns dos quais editados dentro das próprias prisões fascistas – a exposição inclui documentos originais, dos arquivos regionais do PCP, alguns dos quais inéditos, e destacará igualmente situações relacionadas com a Maia, seja pela notícia do «Avante!» de 1944 em que a população da Maia se manifestou contra a saída de bens alimentares para a Alemanha Nazi, seja pela homenagem que faz aos vários maiatos presos, alguns dos quais pela difusão de imprensa clandestina.

A entrada é gratuita. Terça-feira a Domingo: 10h00 – 22h00.

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