Jovem da Maia parte para Marrocos numa aventura de descoberta e solidariedade

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Foto: DR
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Cláudio Soares é da Maia e Helena Pinto, do Porto. Os dois jovens partem para Marrocos no início do próximo ano num carro com mais de 20 anos e numa missão solidária. Ao longo de 9 dias vão percorrer várias cidades e vilas, como Midelt e Marrakech, ultrapassar parte do deserto do Saara e também contemplar as montanhas do Atlas.

Cláudio e Helena são dois amigos e estudam medicina na Universidade de Coimbra. Em fevereiro de 2022 irão aventurar-se por Marrocos num carro com mais de 20 anos e entregar bens solidários ao longo do percurso.

A UNIRAID é o projeto que dá oportunidade a jovens, entre os 18 e os 28 anos, de integrarem uma “viagem-aventura em que os participantes devem completar 6 etapas, navegando com um road book, ultrapassando todo o tipo de obstáculos, desafios e testes, com o objetivo de atravessar Marrocos de norte a sul e entregar 40 kg de material de solidariedade nas aldeias do deserto”, como pode ler-se no site oficial da iniciativa.

Assim, a MedCruisers, equipa formada por Cláudio e Helena, vai partir em missão no início do próximo ano.

Tudo começou em março, quando Cláudio Soares enviou uma mensagem a Helena Pinto, manifestando vontade de integrar o projeto. Helena foi saber mais informações e, rapidamente, percebeu que era do seu interesse também. “Nós falamos sobre isso ao longo de dois ou três dias, decidimos e inscrevemo-nos logo”, refere Helena Pinto.

Segundo Cláudio Soares, existem duas fases de inscrição. “Há uma fase de pré-inscrição, em que temos de pagar um valor inicial de 400 euros e, depois, temos até meio de dezembro deste ano para finalizar a inscrição. Esta tem um valor total de 1780 euros, com os 400 euros iniciais, já incluídos. O dinheiro serve para cobrir toda a logística lá, como os hotéis, a comida e o ferry que vamos apanhar em Algeciras.

Para além desse valor, precisamos também de dinheiro para tudo o que não está incluído, como o carro, as peças sobressalentes da viatura e o combustível”.

Fonte: MedCruisers

“Para nós, 40 kg de material solidário é pouco”

Os jovens afirmam que a inscrição foi efetuada bastante cedo, “porque o valor ainda é elevado e temos de tentar juntá-lo através de patrocínios”. O valor da inscrição inicial (400 €) “saiu do nosso bolso, mas o objetivo é angariar o resto através de doações”, explica Cláudio Soares. Embora nos últimos tempos tenha “sido difícil deslocarmo-nos fisicamente aos locais como restaurantes e cafés, que normalmente dão esses patrocínios”, os jovens já obtiveram algumas ajudas e encaram a situação com a premissa, “devagarinho chegamos lá”.

“Um dos requisitos da inscrição, para além de sermos estudantes universitários, é angariar 40 kg de material solidário” e que, segundo Helena, podem ser “brinquedos, roupa, calçado, produtos de higiene pessoal e material escolar”. Os jovens quiseram elevar a fasquia e estabelecer um objetivo mínimo pessoal. “Vamos fazer um concurso, com a ajuda de uma box de crossfit e, basicamente, quem ganhar com o peso máximo, vai ser esse o nosso limite”, já que para estes jovens, “40 kg de material solidário é pouco”, frisa Helena Pinto.

Os estudantes de Medicina iniciarão o trajeto em Tanger, e em 9 dias, percorrerão diversos locais ao longo de 6 etapas. Para isso, levarão um carro bastante antigo. “Um dos pré-requisitos é ter um carro com mais de 20 anos, com motor de origem e não pode ser um 4×4”, refere Cláudio Soares, acrescentando que “foi um colega nosso, que tinha um carro parado há já muito tempo, um Ford Fiesta de 1991, e que se ofereceu para nos emprestar. E como é um carro que não é usado ele disse que podíamos fazer o que quiséssemos. Nós ainda queremos personalizar o Ford e tivemos um episódio em que um pneu quase rebentou, porque o automóvel já está parado há muito tempo. Já foi para o mecânico onde nos trocaram as peças mais importantes”.

Fonte: MedCruisers

“Se o carro avariar a meio das primeiras etapas, somos obrigados a voltar a casa”

Helena confessa que um dos grandes medos relativos a esta aventura é “o carro avariar a meio das primeiras etapas, porque depois não podemos continuar e somos obrigados a voltar para casa”. “Levamos peças suplentes para trocar porque já se espera que ocorram algumas avarias. Mas algumas podem não dar mesmo para consertar. Por exemplo, se o motor avariar, não há forma de arranjar”, acrescenta.

Mas se a utilização de um carro com mais 20 anos pode parecer estranho para alguns, Cláudio explica que “o facto de ser um carro antigo ajuda, porque os carros mais velhos têm uma mecânica simples e isso é melhor na hora da avaria, por ser mais fácil de trocar as peças”. Mesmo assim, o jovem maiato explica que a UNIRAID disponibiliza um apoio de 24h aos participantes, para qualquer dificuldade que possa surgir.

As etapas iniciais, como explica Cláudio, “são as etapas solidárias em que vamos às vilas e cidades de Marrocos entregar o material. Até se costumam fazer algumas ações solidárias como ir a escolas, por exemplo. Depois temos a etapa de rally no deserto, em que não paramos muito e tentamos percorrer o máximo de distância possível. No final, temos uma etapa em que atravessamos as montanhas do Atlas”.

Atualmente, Cláudio e Helena estão a recolher material solidário no Porto e em Coimbra. “No entanto, já tivemos pessoas de outros locais a perguntar como poderiam contribuir, e arranjamos forma de amigos que moram lá nos fazerem chegar os bens”, refere Cláudio.

“Temos o NIB (0018 0003 4533 8365 0206 3) e o MBWay (915531472) disponíveis, para quem não tiver bens para doar mas queira contribuir na mesma. Acaba por ser útil para nós, pois o dinheiro também nos faz falta para podermos participar e para cobrir todos os extras, porque há coisas que não se incluem no valor da inscrição”.

Fevereiro parece ainda distante, mas os preparativos da viagem já começaram há algum tempo e estes jovens, com um desejo em comum, estão quase a cumprir o seu destino solidário e aventureiro.

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