Maia ao Palco!

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Primavera do Teatro apresenta, este ano, uma novidade: a participação de grupos locais. "A Maia é um dos concelhos do país onde o teatro é mais valorizado”, destaca o vereador da Cultura

Com luzes, sem câmaras e muita acção, arranca na próxima terça-feira a terceira edição da Primavera do Teatro. O Dia Mundial desta arte cénica comemora-se daqui a uma semana e a Câmara Municipal da Maia, em conjunto com o Teatro Art’Imagem, decidiu presentear o público com uma novidade. Este ano, os actores desconhecidos da Maia saem do anonimato. Vão desfilar pelo Grande Auditório do Fórum da Maia as peças organizadas por seis colectividades maiatas, na primeira Mostra de Teatro de Amadores da Maia, baptizada de “Maia ao Palco”.

O Pelouro da Cultura da autarquia maiata já prometeu fazer subir o pano do “Maia ao Palco” todos os anos. Uma espécie de “commedia dell’arte” do séc. XXI, as colectividades maiatas, até agora desconhecidas, vão ter a oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido ao longo dos anos na principal sala da Maia e assim incentivar o intercâmbio de experiências com o público e também com as várias colectividades.

O “Maia ao Palco” vai ser experimental, amador, improvisado e sem rede. As gafes, a aparecerem, até são bem-vindas. Vão servir para melhorar a qualidade das peças, ajudar à escolha de novos repertórios e lançar o debate entre artistas e espectadores. Este ano, são seis colectividades, mas já há contactos de outras associações para a participação em futuras edições da mostra de teatro amador da Maia.

Além dos espectáculos teatrais, filmes e até um mini-musical, faz parte do programa uma oficina de expressão dramática. Da Grécia antiga até aos dias de hoje, o teatro mudou e, por isso, a Primavera do Teatro promove a dinâmica entre esta arte cénica e outras formas de expressão artística, como as artes plásticas, a literatura, o vídeo e o cinema. A multidisciplinaridade é uma das actrizes principais.

No palco do Pequeno Auditório do Fórum da Maia, em conferência de imprensa, o vereador da Cultura da Câmara da Maia, Mário Nuno Neves, considera o “Maia ao Palco” uma iniciativa “única no país”. Adianta ainda que "a Maia é um dos concelhos do país onde o teatro é mais valorizado" e lembra que, além da terceira edição da Primavera do Teatro e do novíssimo Maia ao Palco, o Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia tem sido “a pedra de toque anual do teatro no concelho”. O vereador considera que, além de drama e gargalhadas, o teatro é também “um instrumento de cidadania”. O teatro é “o primeiro arauto das rupturas necessárias, e uma vivência teatral significa uma vivência comunitária rica e activa”, acrescenta Mário Nuno Neves.

O responsável pela companhia de teatro Art’Imagem, José Leitão, diz que o “Maia ao Palco” era uma vontade antiga, “uma ideia que vínhamos a perseguir ao longo dos anos”. Em fase de ensaios, a peça final está a tomar forma, e a mostra de teatro amador é agora realidade e uma aposta clara. José Leitão adianta ainda que é vontade do Art’Imagem e da autarquia maiata dar outra dimensão à mostra de teatro amador, e quer “engrandecer e tornar uma coisa mais completa, um verdadeiro festival de teatro das colectividades amadoras”.

Programa cheio

Agora, as colectividades maiatas vão “enfrentar-se” umas às outras, e assim discutir “textos diferentes, maneiras de trabalhar diferentes e qualidades diferentes”. Catapultadas para o estrelato, além da representação, os grupos de teatro amadores vão também ter tempo para a discussão. Séria e não encenada, espera-se.

Entre propostas mais tradicionais e outras mais modernas, não se esperam conflitos, mas sim complementaridade. Do teatro de revista, como na peça “Sorria, está na Maia” até encenações baseadas nos textos do dramaturgo espanhol Federico García Lorca e dirigidas por profissionais das artes cénicas, como “A Casa da Bernarda Alba”, tudo vai passar pelo grande auditório do Fórum da Maia. Depois do festival de teatro, vai haver lugar para um encontro em forma de confronto. O responsável da companhia Art’Imagem, José Leitão, revela ainda que todas as companhias “vão ser obrigadas a ter um olheiro” em todos os espectáculos, para que o debate, no final do evento, seja possível. Quanto à participação da população maiata, no teatro, o futuro a Dionísio pertence, mas José Leitão supõe que “o público vai aparecer”, e deseja que “para o ano, o festival seja mais interessante e com mais companhias”. A ideia é “tornar anual” a mostra de teatro amador, reforça.

Sempre pelas 21h30 e no Grande Auditório do Fórum maiato, o pano do Maia ao Palco sobe, pela primeira vez, na terça-feira. Nos dois primeiros dias, a revista vai estar em grande. O festival abre, dia 24, com a peça “Tudo à Mistura”, do Grupo Dramático e Recreativo Flor de Pedrouços. No dia seguinte, é a vez da peça “Sorria, está na Maia”, orquestrada pelos Fontineiros da Maia, que convida o público não só a sorrir, como a… rir. Na quinta-feira, o pai do teatro português, Gil Vicente, visita do Fórum da Maia, através da “Rapsódia Vicentina”, encenada por João Sá e levada ao palco pelo grupo de teatro “Pé no Charco”. A rir se criticam os costumes. Sexta é dia de Lorca – Federico Garcia Lorca. Vítima da Guerra Civil Espanhola, levanta-se para abrir a porta d’“A Casa de Bernarda Alba”. Mas não entra, porque a peça é só de mulheres e para mulheres. Para ver Angústias (o nome de uma das personagens da obra de Lorca, e não o substantivo feminino) e todas as outras peças, basta desembolsar 1 Euro, o preço do bilhete. O festival termina com peças para os mais pequenos, como o mini-musical “O Rei Leão”, encenado por Daniela Costa, e “O Principezinho”, a consagrada obra de Antoine Saint-Exupéry, adaptada por Joana de Pinho e encenada por Carlos Frazão.

Do programa fazem ainda parte vários workshops de teatro, para públicos infantis e seniores, e também se leva o teatro ao cinema, com a exibição do filme “A Caixa”, uma adaptação de Manoel de Oliveira da obra do dramaturgo Prista Monteiro. Estas actividades têm lugar na Biblioteca Municipal José Vieira de Carvalho e precisam de marcação prévia.