Noite fria de folclore nos Moutidos

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Numa noite demasiado fria para o primeiro dia de Agosto foram muitos os que não se deixaram intimidar pelos termómetros e foram até ao Parque dos Moutidos, em Águas Santas. O argumento foi o 33º Encontro Nacional de Folclore de Águas Santas, organizado pela Associação Cultural e Recreativa “Os Fontineiros da Maia”. Mas ali permaneceram na noite de sábado, apesar de haver quem soltasse desabafos como “vamos aqui apanhar uma gripe!”. E foram mais do que esperava o presidente da direcção, quando se apercebeu da temperatura sentida à noite.

Para além do grupo anfitrião, o festival deste ano contou com as presenças do Grupo Folclórico de Vilar do Paraíso (Vila Nova de Gaia), Rancho Folclórico S. Cristóvão, de Nogueira da Regedoura (Santa Maria da Feira) e ainda o Grupo Folclórico de S. Tiago da Cruz (Vila Nova de Famalicão). Pelo palco dos Moutidos desfilarem diferentes danças e trajes que reflectem as tradições de Portugal. Entre elas, “A Rusga”, com que “Os Fontineiros da Maia” abriram o encontro, numa actuação marcada por diversas danças de roda. Para trás, ficou uma semana de trabalho para preparar o Parque dos Moutidos, de forma acolher este festival.

A animação no Parque dos Moutidos já tinha começado na sexta-feira à noite, seguindo a actual direcção a estratégia dos últimos anos, de organizar um fim-de-semana cultural. No último dia de Julho, o programa desta festa no parque incluiu música tradicional e cantares ao desafio, com António Lobo (Felgueiras) e Camila (Penafiel). “Foi espectacular, as pessoas saíram daqui maravilhadas”, salientou o presidente da direcção, António Marinho. No domingo, durante a manhã e durante a tarde, houve actividades para os mais novos, com insufláveis e jogos tradicionais. Já ao final do dia, para encerrar esta festa no parque, houve música de baile a cargo do duo “Mistura fina”. Tudo isto “para começarmos a cativar a juventude aqui de Águas Santas”, confessou o presidente da associação.

A continuidade é a palavra-chave da actual direcção d’ “Os Fontineiros da Maia”, seguindo-se ao encontro de folclore actividades como o habitual passeio de homens e senhoras (separados), fazer a matança do porco e celebrar o S. Martinho, a passagem de ano e o Carnaval.

Antes dos grupos folclóricos, subiram ao palco representantes de diversas entidades. A representar a Federação das Colectividades do Distrito do Porto, Neves de Oliveira, e dirigindo-se aos grupos folclóricos ali presentes, sublinhou que “seríamos mais pobres”, não fosse “o trabalho voluntarioso que têm”. Alertando também para este trabalho foi a intervenção de Alfredo Soares Moreira, membro d’ “Os Fontineiros da Maia” mas a falar em nome da Federação do Folclore Português. Num recado a autarcas, deputados e governantes, sem esquecer a comunicação social, respondeu que “os grupos folclóricos não são uns coitadinhos”, mas sim aqueles “que defendem até hoje a identidade cultural do país”.

Numa reacção a esta “revolta”, o vereador do Desporto e da Acção Social da Câmara da Maia, Nogueira dos Santos, defendeu que estes grupos “têm que ser tratados com muito reconhecimento”, porque “defendem as nossas tradições”.

Marta Costa