O mais recente álbum de Rodrigo Leão é imperdível!…

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Creio que não é por acaso que este disco, a meu ver, autenticamente o “very best of” do músico e compositor, é editado com a insígnia “Deutsche Grammophon”, por si só, já uma inequívoca garantia de qualidade.

Agora de regresso aos álbuns de originais, tão ao meu gosto, Rodrigo Leão, averbou entretanto, no seu imenso palmarés, Música para as bandas sonoras dos filmes “The Butler – O Mordomo” e “A Gaiola Dourada”.

“O Retiro” sucede-se ao projeto “A Vida Secreta das Máquinas”, uma incursão experimental, que embora apresente marcas muito evidentes do carácter criativo do compositor, explora outras possibilidades tímbricas e estruturas musicais que na minha perspectiva, procuram novos territórios para o seu pensamento e expressão musical.

Arrisco com toda a convicção que este disco que Rodrigo Leão acaba de lançar, é o culminar de um percurso artístico, em busca de um ideal estético que aporte no máximo vigor e expressividade possíveis, o pensamento criativo do Músico.

Rodrigo Leão O Retiro

Claro está que teve a felicidade, porque é disso que se fala, quando se pode contar na produção de uma obra desta envergadura artística, com a colaboração de duas das mais competentes instituições artísticas no seu género, como é o Coro e Orquestra Gulbenkian.

O músico assina neste novo disco uma série de trabalhos inéditos, que foi compondo durante mais de seis meses, entre Avis e Lisboa, num tempo de retiro, durante o qual se quedou a meditar sobre o verdadeiro sentido da vida, e sobre a busca do lugar perfeito para a viver.

Se pensarmos bem, este traço filosófico acaba por estar sempre muito presente na sua Música, não raras vezes, capaz de nos remeter para ambiências quase místicas, ou de pura fruição musical a raiar a contemplação, inspirando quem a escuta, à procura desse mesmo sentido.

Creio que “O Retiro”, se for objecto de uma escuta serena e sensível, concretizada num ambiente tranquilo, em que nos possamos dispor exclusivamente à sua audição, cria em nós, uma especial predisposição para a contemplação meditativa, que nos vai fazendo oscilar entre a inquietação e a mais reconfortante calma, passando por momentos de uma sublime riqueza harmónica, que nos proporciona emoção e agradáveis sensações de bem-estar. É para isso, precisamente para isso, que eu quero ouvir, e escutar, Música.

Nota máxima

Se me pedissem para definir este disco, rebaptizando-o com outro nome, um novo nome que procurasse tanto quanto possível, identificar os seus atributos estéticos, não hesitaria em usar a expressão “Viagem à intimidade”, tal é o potencial introspetivo que ele aporta, e transporta para o ouvinte.

Dou nota máxima a este novo álbum e elejo-o como o melhor disco editado em Portugal neste ano de 2015, na certeza de que ainda iremos ouvir falar muito dele, por ser do meu ponto de vista, porventura, o álbum que assinala efetivamente, o início do auge da carreira do compositor Rodrigo Leão.

Além do Coro e Orquestra Gulbenkian, participaram também, o quarteto de cordas que habitualmente acompanha Rodrigo Leão, e é constituído por Viviena Tupikova, Bruno Silva, Carlos Tony Gomes e Denys Stetsenko. A estes músicos de excelência, juntaram-se igualmente Celina da Piedade e Selma Uamusse, que interpreta a canção “Melancolia”.

Este elenco de luxo, integrou ainda nomes como Steve Bartek (ex-Oingo Boingo e braço direito do compositor de Tim Burton, a quem se juntou também Danny Elfman) e o violoncelista Carlos Tony Gomes que colaboram ainda com Rodrigo Leão nos arranjos orquestrais, enquanto que João Eleutério foi novamente convidado para coproduzir o álbum.

Como nota complementar, mas que releva para a qualidade acústica do disco, o facto de ter sido gravado no grande auditório da Fundação Gulbenkian, sala com magníficas condições para o efeito. Acresce á relevância do local, o facto de a gravação ter sido realizada por um dos mais conceituados técnicos da prestigiada e lendária editora alemã “Deutsche Grammophon”, e um dos mais requisitados a nível internacional, o engenheiro de som, Tobias Lehmann.

Já este mês, Rodrigo Leão apresenta-se em concerto, no Coliseu do Porto, dia 18, e no Coliseu de Lisboa, nos dias 20 e 21, levando consigo para o palco, o mesmo elenco de luxo que partilhou as gravações e produções deste fantástico álbum.

De tudo quanto aqui escrevo sobre “O Retiro”, não retiro sequer a mais singela nota!…

 

Victor Dias

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