Os espetáculos que o país já viu agora na Quinta da Caverneira

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Finalmente chegam ao Auditório da Quinta da Caverneira, em Águas Santas, os espetáculos que o país inteiro já aplaudiu.

O Teatro Art’Imagem apresenta os dois primeiros espetáculos da trilogia “Identificação de Um (O Meu!) País” – Do Estado Novo ao 25 de Abril. Assim, nos dias 5 e 6 de dezembro, estão em cena “O Fascismo (aqui) Nunca Existiu!” e nos dias 7 e 8, é apresentado o espetáculo “Os Anos que Abalaram (o nosso) Mundo!”

Os espetáculos são às 21h30, com exceção da sessão do dia 8, que será às 16h00.

O primeiro espetáculo de um trítico teatral denominado “identificação de um (o meu!) País” sobre a vida em Portugal nos últimos 70 anos, de 1945 até aos nossos dias. Esta primeira abordagem, estreada em 2017, abarca o período que vai de 1945, ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial e em que nasceu a personagem, um homem que dá testemunho de como foi viver em Portugal nesses tempos, até à manhã do 25 de Abril de 1974.

Um olhar muito pessoal, uma revisitação, uma retrospetiva do quotidiano da(s) vida(s) de um português e dos portugueses, através de alguém que, intervindo ativamente na vida política, social e cultural do nosso país, interpreta com os olhos de hoje, as suas vivências pessoais e os acontecimentos nacionais e globais que o marcaram como pessoa e nos marcaram como povo.

Como o poeta, diz a personagem, Viver para contar. Histórias, uma verdadeiras (ou mais ou menos) outras inventadas do seu pequeno mundo, próprias, da sua família ou dos seus vizinhos da ilha do Porto em que habitou durante a sua infância e juventude, misturadas com a vida das personagens e heróis que conheceu nos seus primeiros livros e filmes, na telefonia onde o mundo (ainda que censurado) entrava em sua casa…

O mundo em que vivi, vivemos! A pobreza, a fome, o medo, a condição e a luta das mulheres, as eleições do regime, o movimento sindical, as greves, a emigração, a tropa, a guerra colonial, a PIDE, a prisão e a tortura, as manifestações, as lutas, a igreja e o estado, os estudantes, a oposição, a descoberta do Teatro…a liberdade a (não) passar por aqui! A história do País, do nosso Mundo.

A segunda incursão à trilogia “A Identificação de um (o meu) País! depois de em finais de 2017 se ter estreado (Aveiro, Ponte de Lima e Porto) o primeiro espetáculo “O Fascismo (Aqui) nunca Existiu!”, tal como a primeira peça desta “tríade”, o texto principal da peça é original e “conta” a história de vida de uma personagem, um homem nascido em 1945 (27 anos, então) e que através das suas próprias memórias e do seu forte envolvimento na vida social, política e cultural vai acompanhando os grandes momentos que mudaram radicalmente a sociedade portuguesa.

José, Pedro ou mesmo Isabel, vive no Porto, é trabalhador de um banco, casado e já com dois filhos, rapaz e rapariga de 8 e 7 anos.

Não sendo apenas um espetáculo sobre a memória, a perceção hoje de uma vida vivida, física ou efetivamente, é também sobre a história de um país, de uma persona que carrega em si caraterísticas de diversas personagens, abordando factos precisos e acontecimentos reais, opiniões, perceções, testemunhos, a nível pessoal, político, social e cultural. Não se confundindo, os dois conceitos alicerçam-se porém em acontecimentos do passado, recordados hoje.

São dois espetáculos com Texto, Dramaturgia, Direção e Encenação de José Leitão.