São Frutuoso: um século de história

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As festas em honra do padroeiro dos agricultores já lá vão, mas a data continua a comemorar-se. E é uma data bem redonda. Nada mais nada menos que 100 anos. É a idade da capela de São Frutuoso, em Folgosa, o ponto fulcral das festas da freguesia. Um ano especial para a comissão de festas e para a população da freguesia. A comemorar o centenário, a capela está hoje de cara lavada e continua a servir de casa mortuária enquanto Folgosa não vê erguida uma nova infra-estrutura. Um sítio com muito para contar.

Para justificar a importância dos festejos, a comissão de festas decidiu “abrilhantar mais um pouco” as cerimónias, conta um dos responsáveis, Manuel Cândido Marques. Abrilhantada está também a capela, que recentemente sofreu obras. “Antigamente aquilo tinha um coro lá dentro que entretanto ficou danificado. No tempo do Padre Roriz esse coro foi deitado abaixo porque não tinha condições para poder ser utilizado. No ano passado, o coro foi feito de novo e ficou uma capela muito linda, tanto por dentro como por fora”, revela Manuel Cândido Marques.

Melhores condições para a capela centenária que começaram a ganhar forma quando “o Padre Orlando decidiu que algo tinha de ser feito para estas comemorações”, diz o responsável pela comissão de festas. A intervenção não foi fácil, principalmente na componente económica, “logo agora que as pessoas estão um bocado abaladas por causa da crise”, acrescenta Manuel Cândido Marques.

Mesmo assim, a população continua a identificar-se com a capela, pese a proximidade com a igreja de Folgosa, que oferece “muito mais condições aos habitantes”, diz o responsável pela comissão de festas. “Mas as pessoas continuam a gostar de visitar a capela, principalmente nos dias de festividade”, acrescenta.

Mais de 100 anos de história

É uma história com fiadeiros e pardais aquela que está por trás da capela. São Frutuoso queria seguir o caminho da fé, os pais não o deixavam. Primeiro estava a vida do campo e do artesanato. Um dia, ao guardar os pardais, São Frutuoso fez uso de uma porta que não impedia os pardais de voar dali para fora, do espaço onde se encontravam cativos. Os pardais quedaram-se no mesmo sítio, obedientes a São Frutuoso. Pelo menos é assim que reza a lenda. “Foi aí que os pais viram que Frutuoso era um homem de Deus”, conta Manuel Cândido Marques. São Frutuoso seguiu assim os caminhos do Senhor. Primeiro como padre, depois bispo e seguiu para a Diocese de Braga, onde acabou por falecer. Ficou a obra, ficou a capela, ficou a memória dos e nos habitantes de Folgosa.

Pedro Póvoas