Schubert e Mozart nas arcadas do QUARTETO OPUS 4

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Integrado nas festas do concelho da Maia em Honra de Nossa Senhora do Bom Despacho, realizou-se no passado sábado, 5 de Julho, na Igreja de Nossa Senhora da Maia, um concerto pelo QUARTETO OPUS 4, constituído por quatro jovens músicos, detentores de grande potencial técnico e artístico.

O programa incluiu o Quarteto de cordas, em Lá menor “Rosamunde” , op. 29, de Franz Schubert (1797-1828, e “Eine Kleine nachtmusik – Serenade 3”, Sol Maior, K. 525, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), numa selecção que marcou claramente um contraste entre dois ambientes musicais com um carácter muito diverso.

A primeira obra, de pendor inequivocamente mais introspectivo, bem reveladora do estado de alma do compositor, atormentado, à época, pelo conhecimento de uma terrível doença que haveria de o levar à morte prematura, foi interpretada com a sobriedade expressiva que a sua escrita e contexto histórico-cultural requeria, numa performance, a meu ver, muito conseguida, que soube tirar partido das extraordinárias condições acústicas do Templo, às quais, o Quarteto soube também acrescentar, uma contenção expressiva muito reveladora da maturidade artística que já logrou alcançar.

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Na segunda obra, foi possível constatar ao vivo, a versatilidade dos quatro jovens, que conseguiram imprimir à sua interpretação, todo o carácter “mozartiano”, que faz da Música do génio de Salzburgo, uma das obras mais inconfundíveis. Uma obra cujo estilo muito próprio, coloca Mozart, no top dos mais célebres compositores de toda a História da Música. Nesta interpretação não faltou o vigor e a alegria de viver que Mozart sempre transmitiu através da sua escrita. Alegria que é, sem dúvida alguma, uma das maiores virtudes que os musicólogos reconhecem em boa parte da imensa obra de Amadeus Mozart.

Gabriela Magalhães, violoncelo, Susana Magalhães, viola de arco, João Cristovão, violino e Miguel Gil, violino, tiveram uma noite de grande inspiração, na qual correram alguns riscos, tal é o grau de exigência do repertório que escolheram para o programa, nomeadamente no que respeita à escolha que fizeram, da obra de Franz Schubert, sendo que se trata de um quarteto de cordas, cuja interpretação requer uma certa coragem e muito trabalho. Coragem e trabalho são qualidades que não faltam ao OPUS 4, cujos frutos das suas ousadas apostas, estão à vista, ou melhor dizendo, à disposição dos ouvidos de todos quantos têm o privilégio de ver e ouvir os seus concertos.

Uma nota final, para o violinista Miguel Gil, jovem músico que averba já um currículo artístico com momentos de um certo gabarito, e que iniciou o seu percurso artístico, no Conservatório de Música da Maia, instituição que frequentou até ingressar no ensino superior artístico especializado na Música.

Victor Dias