Teatro amador chega às Noites da Caverneira

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Está de volta mais um ciclo das Noites da Caverneira. Desta vez, o Teatro Art’Imagem abre as portas do auditório da Quinta da Caverneira, em Águas Santas, aos grupos de teatro amador que estejam interessados em mostrar o seu trabalho. “Achamos que, para além da programação que fazemos anualmente, deveríamos abrir um espaço para o teatro amador. Num ciclo mais permanente, poderão fazer aqui os seus espectáculos”, explicou José Leitão, director do Art’Imagem, grupo responsável pela gestão artística da Quinta da Caverneira.

O primeiro grupo a inscrever-se foi o Fantocheiro, que sexta, sábado e domingo apresenta a peça “Vêm aí os mascarados”. O grupo foi um dos participantes da mostra “Maia ao Palco”, inserida na programação da última edição da Primavera do Teatro que decorreu em Março. “O abrirmos a Quinta da Caverneira aos grupos de teatro amador para apresentarem os seus espectáculos tem a ver um bocado com a dinâmica que se criou com o Maia ao Palco. Temos vindo a fazer, regularmente, reuniões com os grupos de teatro da Maia. E daí nasceu a ideia de, para não haver só uma mostra de teatro anual, os grupos também terem a possibilidade de utilizarem o auditório da Quinta da Caverneira para apresentarem os seus espectáculos”. Com este novo ciclo das Noite da Caverneira, o teatro amador junta-se à restante programação que tem levado até àquele espaço de cultura, o teatro profissional, workshops de teatro, leitura dramática, curtas-metragens, artes plásticas e música.

Na calha estão ainda mais dois grupos de teatro amador – Juventude Barcarense e Pé no Charco que, “em breve”, irão ter as suas datas agendadas para se apresentarem ao público da Quinta da Caverneira.
Voltando ao espectáculo “Vêm aí os Mascarados” que o Fantocheiro apresenta hoje e amanhã às 21h30, e no domingo às 17h00, Rogério Ribeiro é director artístico e autor da peça. Conta a história da máscara e da sua relação com o teatro ao longo dos tempos. É no fundo uma viagem desde os primórdios da humanidade até aos nossos dias. “Vamos começar desde o tempo dos humanóides, os feiticeiros. Passa pelos gregos, pelo teatro vicentino que recorreu muito à máscara. Vamos à comédia dell’art, damos um salto até ao Japão com o teatro noh. Depois, voltamos ao Ocidente e falamos do palhaço, e terminamos com as máscaras neutras, onde fazemos depois uma associação à máscara da comédia e da tragédia”, explica Rogério Ribeiro.
A entrada para o espectáculo será feita com dois Caretos de Trás-Os-Montes ao som da Gaita de Foles e do Timbalão. No final, o púbico sairá da sala com os Gigantones. A peça é constituída por vários quadros cénicos, “e dentro desses quadros cénicos tentamos aproximar-nos daquilo que é o sentido da utilização da máscara”, finaliza o director do Fantocheiro.
O bilhete para o espectáculo, que está indicada para maiores de seis anos, custa dois euros.

Pelo gosto de fazer teatro, desde 2002

O Fantocheiro, grupo de teatro amador da Maia, fez a sua primeira apresentação em 2002 com “A História da Carochinha” numa barraca de fantoches. Daí o nome do grupo. Desde então, têm-se mantido praticamente os mesmos elementos.
Mesmo sem estarem registados como grupo de teatro, todos os anos o Fantocheiro estreia uma peça na primeira semana de Maio.
Fazem parte do grupo, jovens que entraram com seis anos. O gosto pela arte de representar, fez com que ainda hoje se mantenham no grupo, com uma formação mais apurada. “Tinha a ideia que eles iam abandonar todos, porque agora começam a andar as saias e as calças pelo meio. Foi uma das razões para eu nunca ter oficializado o grupo, mas pelos vistos, isto está a pegar. Agora, estou a começar a pensar a sério no grupo. Querem fazer mais, e pronto, enquanto eu cá andar, faremos mais coisas”, finaliza Rogério Ribeiro.

Fernanda Alves