“Um dia sem rir é um dia mal gasto”

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A 23ª edição do Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia é uma iniciativa da Câmara Municipal da Maia com a direção artística e produção do Teatro Art´Imagem.

De 5 a 14 de outubro são apresentados 30 espetáculos, interpretadas por 25 companhias, embora o teatro nas estações de metro tenha começado a 3 de outubro.

A programação contém espetáculos de várias linguagens teatrais desde o teatro de texto, com abordagens contemporâneas, até teatro visual e físico, sem palavras, clowns e novo circo, marionetas e objetos e teatro de rua, músico-teatro, multi-comédia, cabaré e multidisciplinares, protagonizados por companhias portuguesas, espanholas, italianas e francesas.

As apresentações espalham-se pelo Fórum e espaços envolvente e até às estações de metro (Porto e Maia). Os locais dos espetáculos são: 1 espetáculo de abertura no Exterior do Fórum da Maia;

10 espetáculos no Grande Auditório do Fórum da Maia; 4 espetáculos para públicos familiares ao ar livre, no Auditório Exterior do Fórum da Maia; 3 espetáculos no CENTRARTE, café-teatro do Fórum da Maia; 9 espetáculos de animação no exterior do Fórum da Maia; 3 espetáculos de animação nas estações do Metro.

Festival único

José Leitão, do Art’Imagem, sublinha a expressão referindo que este festival é “único no país”, um certame que “homenageia o Cómico nas suas múltiplas facetas e disciplinas teatrais”. Ao longo de 30 espetáculos, em que o riso e o humor são o mote principal dos trabalhos artísticos programados, os espetadores não podem dizer, como num dito que li algures, que “o dia mais mal gasto de todos é aquele em que não nos rimos”.

Serão apresentados 30 espetáculos de artistas e companhias estrangeiras de várias regiões de Espanha,  da Galiza, Andaluzia, Leão e Castela, Madrid, de Itália, do Continente à Sicília, França e Inglaterra, de uma dupla luso-germânica e co-produções internacionais e de Portugal.

Pela primeira vez serão apresentados alguns espetáculos com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, o que torna o FITCM mais inclusivo e acessível.

Humor é arma poderosa

“A Eutanásia da Resignação”, a frase-slogan que enquadra esta 23ª edição do Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia, “sintetiza muito bem o grande propósito deste festival: usar o humor como arma poderosíssima ao serviço de uma cidadania não resignada, que recusa a apatia do comodismo e da insensibilidade social”, frisa o vereador da Cultura da Maia, Mário Nuno Neves.

Programa do Festival

Logo no dia da abertura, o feriado do 5 de outubro, um espetáculo ao ar livre, às 21h30, da Andaluzia, a Cia Vol’e Temps, “Mundos Papel”, novo circo, uma história perturbadoramente engraçada e emocionante para todos os públicos, e às 22h30 no Grande Auditório, a portuguesa Nova Companhia apresentará “Kiki”, um olhar sobre o Cabaret, o burlesco e o grotesco parisienses em forma de “teatro vaudeville”.

No sábado, dia 6, quatro espetáculos: Pelas 16h00, os franceses Cie.Du Fil A Retordre, com “T’ emmêlle pas!”(Não te atrapalhes!) uma peça em que se mistura o circo, com acrobacias e malabarismos, teatro, dança, mímica e música. Às 21h00, no exterior do Fórum, a dupla luso-germânica, os  MARIMBONDO apresentam “Clérikuss”, uma animação em que um padre e uma ajudante transportam um confessionário ambulante para quem se quiser aliviar dos seus pecados.

A dupla apresentar-se-á também nos dias que antecedem o Festival, em diversas estações do Metro no Porto e Maia. Ainda no sábado e pelas 21h30 subirá ao palco principal “Clásicos Cómicos”, dos espanhóis do Teatro Corsário, vindos de Castela/Leão,  cinco pequenas comédias do “Siglo de Oro” da autoria de outros tantos autores consagrados, tramas entre esposas, maridos e amantes, desta vez do ponto de vista feminino. Para terminar este longo dia teremos às 23h00, no Centr’Arte,  o grupo D’Orfeu com “Tia Graça – Toda A Gente Devia Ter Uma”, um “música-teatro” de homenagem às mulheres  que vivem nos bastidores de tantos músicos.

Domingo, 7, pelas 16h00, um co-produção entre França, Itália e Inglaterra, Mr.Bang/Teatro della Caduta, apresenta “Eccentric Clownerie Show”, um punk-clown que se intitula “o terrorista do riso”.  Pelas 21h00,  de novo os franceses da Cie Du Fil A Retordre agora com “Un Monde un Peu Meilleur”, um trio com malabarismos e voos circenses. Pelas 21h30 os italianos do Teatro Necessario apresentarão “Clown In Libertà”, um delírio cómico, um concerto musical continuamente interrompido por acrobacias, malabarismos, mímica,  pirâmides humanas e tudo.

Segunda, 8. Às 21h00  volta ao palco Mr. Bang, agora para apresentar passos de mágica e de bufão, a ironia e a provocação hilariante. Acaba a noite com um regresso sempre festejado. A última criação do grande Leo Bassi, “El Último Bufon”, a sua história e seus familiares, excêntricos comediantes que desde 1896 pisam os palcos e as arenas dos circos e teatros de todo o mundo. Ironia, humor e irreverência em palco, para uma noite que esgotará, como é costume, os 600 lugares do Fórum.

Dia 9, terça, às 21h00, Eva Ribeiro abre a noite com “Tomatas Me”, um louco ritual com tomates, música e boas gargalhadas e uma palhaça endiabrada, logo seguido às (21h30) de um trabalho dos galegos do “Mofa&Befa” que se “brincarão” em palco com os clássicos universais das letras e da ciência, com a peça “Cranios Privilexiados… ou Crítica da Razón Perralleira “, mordaz e cómica olhar ao atual “pensamento” da era digital.

Quarta, 10, é a vez, às 21h00, de se apresentar a Nuvem Voadora e o seu “Talvez”, um momento clown, uma bicicleta, uma árvore, música e poesia visual e depois será a vez de outro coletivo galega A Panadaría, com a sua premiadíssima peça “Elisa e Marcela” que nos “contam” numa espécie de comédia musical, irreverente e divertida, uma história real passada na Corunha em 1901(!), o casamento religioso de duas mulheres, uma delas passando por homem! Uma delícia.

Dia 11, teremos o Trio Giro com “Discos Pedidos”, uma viagem musical, cómica e teatral, que vai da “chanson française”, do tropicalismo aos anos 90 e a música portuguesa de outras décadas, terminando a noite com o Baal 17,  uma comédia mordaz sobre a ditadura brasileira estreada em 1973, com texto de Roberto Athayde. A sociedade brasileira de então (e agora?) numa sala de aulas sob a batuta da professora Margarida.

Sexta 12, é dia de três espetáculos. Com início às 21h00 apresenta-se o italiano Matteo Cifariello com numa absurda clowneria “Il Tuffo”, o primeiro artista a nadar num copo de água, seguindo-se no Grande Auditório o Teatro Extremo com “Mythos” uma “viagem” sobre a mitologia universal e urbana, onde sarcástica e grotescamente se analisa a condição humana numa farsa gestual e língua inventada dirigida pelo Joseph Collard, clown e mimo belga que trabalhou com o Cirque du Soleil. A noite termina no Café-Teatro com “O King vai nu”, do Umbigo Teatro, uma variação adulta do conto de Hans Christian Andersen passada no mundo da moda.

Dia 13 é sábado e teremos quatro espetáculos. Às 16h00 no auditório exterior o grupo hispano-francês Maintomano apresenta-se com um espectáculo para todas as idades, “Ekilibuá”, duas personagens em jogos de construção de plataformas lutam para subir sempre mais alto, teatralidade, acrobacia, equilibrismo, jogo de facas e manipulação de objeto em cena. 

A noite começa às 21h00 com o grupo Seistopeia e o seu “Soul Trio”, com três “soldados” do funk  a viajaram na década de 70 para nos fazer rir, cantar e dançar. Segue-se no palco maior os sicilianos “Dandy Danno & Diva G” que nos oferecerem “A Clown Fairytale”, um cabaret circense e comédia visual, as atribulações de um homem e uma mulher à procura do amor. A acabar esta  maratona teatral, Ana Lage apresentará o “contacontos “Vai ser tão bom, não foi?”, uma mescla de estórias tradicionais e memórias, pessoais e documentais,  sobre a moral, os bons costumes e o papel da mulher…à luz do pensamento atual.

E chega o último dia, no domingo dia 14, com a apresentação de três espetáculos. O primeiro à tarde e ao ar livre com a companhia galega Desincronacidas que nos levará para o mundo das “Ohlimpíadas”, uma combinação de dança e acrobacia ao ar livre, uma peça que olha o mundo como se fosse uma grande competição desportiva, humor, crítica e alegria.

Pelas 21h00 atuarão de novo o par hispano-francês Maintomano com “Sen Medo” num ensaio de poesia física e circo que fala de como subir…na vida. E vem o derradeiro,  com os sempre esperados e bem acolhidos Yllana, em estreia mundial com “Gag Movie”, a rodagem teatral de um filme numa divertidíssima sátira sobre a fama e a imagem da sétima arte, para rir e bem, como eles o sabem fazer.

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