Um duelo com garfos (vídeo)

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Não foi a prova dos nove, mas sim a prova dos cinco. Que estavam para ser sete. Sete participantes. Estamos a falar do Duelo de Chefs Carte d’Or, que teve lugar na Casa da Agra, na passada quinta-feira, 20 de Maio. A “guerra culinária” está inserida no programa do Festival Gastronómico da Maia e tem como objectivo colocar lado a lado várias sobremesas. A vencedora ganha pelo sabor mas também pela originalidade. E desta vez, o vencedor foi o chef José Loureiro, do restaurante A Mesa do Chefe Silva, que participou pela primeira vez no duelo.

Sorte de principiante? Talento? Certo é que o júri ficou convencido. E com uma sobremesa que foi preparada de improviso. A receita para o sucesso de José Loureiro tem um nome: espiral de torta de noz com telha de amêndoa e gelado de côco. Uma sobremesa que foi fruto do momento. “Surgiu-me na ideia, naquela altura, fazer uma torta e enrolá-la. Depois criar umas argolinhas em espiral. O creme também me surgiu no momento, à base de natas, sumo e raspa de limão para contrariar o enjoativo de abóbora. A telha de amêndoa com o gelado de côco ficou a matar”, explica, entusiasmado, o chef vencedor, que foi “apanhado de surpresa” para participar no Duelo de Chefs. “Trouxeram-me para aqui, tinha um cabaz de produtos com que podia trabalhar e separei todos os produtos que queria para a receita”, acrescenta. “Simples”, considera o chef do restaurante A Mesa do Chefe Silva, um “novato” no que ao Duelo de Chefs diz respeito.

“Não estava mesmo à espera”, confessa José Loureiro, ainda a digerir não a sobremesa, mas sim a vitória. Vitória que saboreia agora em terras maiatas, mas o paladar do triunfo já era conhecido pelo chef, embora noutras paragens. “Já tinha ganho alguns prémios em Gondomar mas aqui é a primeira vez que concorro com outros chefs”, remata. E esta competição em tempo real “é um dos pontos altos do festival gastronómico da Maia”, lembra Rui Rodrigues, responsável pelo departamento de Turismo da Câmara Municipal da Maia. “É uma das componentes que tem a ver com a criatividade dos chefs de cozinha maiatos” e que já tem um objectivo definido. Adianta Rui Rodrigues que um dos grandes objectivos “é colocar no panorama nacional um ‘100% chef’ maiato”, ou, por outras palavras, um profissional de cozinha a “jogar” na primeira divisão da culinária. Culinária que também é arte. “Os grandes artistas são sempre na sua própria época uns incompreendidos, mas nós aqui não queremos ir tão longe e queremos mostrar que é possível dar um toque mais contemporâneo ao receituário tradicional”, esclarece Rui Rodrigues.

Os critérios para escolher a sobremesa vencedora foram não só o paladar da iguaria confeccionada mas também a ousadia, apresentação e inovação dos doces a concurso, que consistiam numa “fusão” entre doçaria tradicional e gelados Carte d’Or. Do júri fizeram parte o director da Escola de Hotelaria de Lamego, Paulo Vaz, o chef Álvaro Costa, responsável pela cozinha do Grupo Pestana, o representante da Prochef, chefe Alexandre e Carlos Madeira, que presidiu ao júri e esteve em representação da Unilever.

Pedro Póvoas