Universidade Sénior é uma realidade para Nogueira e Silva Escura

0
226

O novo projeto da Universidade Sénior desenvolvido pela Associação Recreativa e Cultural de Nogueira e Silva Escura pretende iniciar o ano letivo brevemente.

A Associação registava uma lacuna na área social, explicou o presidente da Direção, Agostinho Silva, por isso aproveitou a oportunidade de uma candidatura ao Programa POISE (Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego), no sentido de obter financiamento para o projeto “Ao Som das Gerações” – projeto Universidade Sénior.

Para a concretização da iniciativa foi concebido um apoio de 140 mil euros que tem como foco a música, possibilitando a abertura da Universidade Sénior.

Agostinho Silva e Maria da Saúde Inácio, presidente e vice presidente, respetivamente da Direção da ARCNSE, em entrevista ao Maia Primeira Mão, explicam os meandros deste novo projeto.

Sobre o Projeto “Ao Som das Gerações”

De acordo com Maria da Saúde Inácio este é um projeto “que tem a ideia fundamental de envolver e motivar a população sénior não dependente e promover o envelhecimento ativo e saudável, especialmente com a música que representa um ativo cultural”, acrescentando que “acreditamos que a música pode ser um fator que mobilize as pessoas porque é algo que conhecem, que gostam de ouvir e a que têm família ligada.”

Prevê-se que o projeto abranja não apenas as comunidades locais, mas também outros concelhos e outras freguesias. Embora tenha sido pensado na freguesia de Nogueira e Silva Escura, o objetivo é que se os participantes idosos que se conseguirem locomover até ao local das aulas, o façam, de modo a fomentar a interação.

As atividades serão feitas semanalmente, com uma lógica de intercâmbios com outras comunidades. “A ideia é que as pessoas que venham do nosso grupo possam expor as suas habilidades musicais a outros grupos”, comenta Maria da Saúde.

A par desta informação, Agostinho Silva sublinha a importância da interação neste projeto, realçando o valor da família e amigos que irão funcionar como uma “alavanca” para motivar os participantes, que farão espetáculos, que reúnem familiares e amigos, de 3 em 3 meses.

imagem cedida pela ARCNSE

Participantes

Esta iniciativa está voltada para pessoas acima dos 50 anos, ativas e não dependentes de outros. O método inicial será o musical e prevê que os participantes não precisem de um instrumento nem de conhecimento prévio na área da música.

Os instrumentos serão fornecidos pelas Associação e o objetivo é que, em 2 ou 3 meses, os alunos consigam fazer uma apresentação em grupo.

Devido à pandemia Covid-19, os grupos serão mais pequenos do que o previsto inicialmente (em vez de 15 serão 10 pessoas), cada aula terá a duração de 90 minutos e o objetivo é atingir 120 pessoas nos primeiros três anos de funcionamento, que se encontram financiados pela candidatura ao POISE.

Além das aulas semanais, Maria da Saúde anuncia ainda os dias abertos: “os dias abertos serão momentos de convívio, onde os alunos da escola poderão mostrar o que fazem e o que aprenderam a possíveis novos integrantes”.

Financiamento do Projeto

A Associação obteve financiamento para a compra de instrumentos musicais e para a preparação do espaço para as aulas, como a insonorização das salas. Servirá também para a contratação de professores nos primeiros 3 anos e o objetivo é que com a evolução do projeto venha a ser cobrada uma taxa de inscrição e seja cobrado o custo de alguns atividades.

“Recorrer a professores para a Universidade em termos de voluntariado, também será uma opção, o que é normal nas universidades seniores. Mas, nesta fase, ainda estamos a mobilizar para o projeto financiado”, afirma Maria da Saúde.

Após referir o valor de 140 mil euros de investimento, Agostinho Silva afirma que “é importante realçar que temos funcionado com um investidor social – a Junta de Freguesia de Nogueira e Silva Escura – que nos providencia nesta fase de transição das obras a utilização de espaços da Junta e que é imprescindível neste projeto”, realçando também o contributo de Pedro Burmester, como padrinho do projeto.

O financiamento exige suporte social, que foi assumido pela Junta de Freguesia. Relativamente ao espaço, a vice presidente da Direção afirma que “o edifício é um polivalente, um espaço grande, que já é dotado de escritórios e salas e que está a ser preparado e insonorizado para que possam decorrer as aulas da Universidade Sénior.”

Apresentação do projeto e equipa ao público

O projeto foi apresentado na Sexta-feira (9 de outubro) e pretende iniciar já um “ano letivo”. Inicialmente é importante mobilizar de imediato um primeiro grupo. As pessoas ainda não têm um amplo conhecimento do projeto, mas Maria da Saúde garante que os técnicos e músicos responsáveis pelas atividades da Atividade Sénior têm tido um bom retorno de outras experiências similares: “sabemos é que os técnicos já têm experiência como escola de música e também com seniores e que tem existido um bom envolvimento e participação com pessoas de idade. Estamos com boas expectativas!”

Agostinho Silva gaba ainda a equipa de músicos admitindo que “temos muito bons compositores e músicos e o nosso padrinho é Pedro Burmester. Portanto, há todo um conjunto de meios que nos faz querer que vá correr bem. Além do mais, temos ainda a Academia New Concept Music que é nossa parceira para este projeto”.

Pedro Burmester_imagem DR

Objetivos a longo prazo e entraves da pandemia

Prevê-se que os participantes sejam capazes de adquirir em pouco tempo (2 a 3 meses) aptidões para a música e realizem pequenas apresentações, não apenas para a família mas também para idosos institucionalizados, ou em parceria com grupo de jovens e ajam ao serviço da comunidade.

A vice presidente afirma que serão tomadas as medidas aconselháveis pela DGS, mas não se demove dos seus objetivos: “há-de existir alguma fase em que juntaremos os jovens aos seniores e será algo diferente. Vamos utilizar o tempo destas pessoas para algo útil para a sociedade. Recuperar saberes e transformá-los, apelando às memórias.”