Xeque-Mate dá concerto comemorativo no Fórum da Maia no dia 27

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Xeque-mate - foto de João Peralta

O concerto comemorativo do primeiro álbum da banda maiata Xeque-Mate realiza-se no dia 27 de setembro, às 17h00. O heavy metal vai eletrizar o Fórum da Maia.

Formados no ano de 1979, na Cidade da Maia, os Xeque-Mate são referenciados como fundadores do Heavy Metal português, chegando mesmo a ser rotulados pelos media como sendo “os pais do heavy metal nacional”.

O seu single de estreia, “Vampiro da Uva”, lançado em 1981 e o álbum, “Em Nome do Pai, do Filho e do Rock ‘N’ Roll”, lançado em 1985, atingiram um enorme sucesso e, ainda hoje, são procurados por colecionadores do mundo inteiro.

A banda Xeque-Mate é formada por Xico Soares (voz), Joaquim Fernandes (bateria), Paulo Barros (guitarra), Artur Capela (guitarra), Tiago Costa (guitarra) e José Queiroz (baixo).

O vocalista Xico Soares e o baterista Joaquim Fernandes, fundadores da banda, estiveram à conversa com o Primeira Mão e falaram sobre o espetáculo de comemoração dos 35 anos do seu primeiro álbum e dos projetos que têm para o futuro.

O espetáculo comemorativo do primeiro álbum, no Fórum da Maia, terá início às 17h00 do dia 27 de setembro e é referenciado pela banda como um espetáculo com “música para toda a família, na procura de viver momentos engraçados e reviver o passado”.

Apesar das novas restrições devido à pandemia Covid-19 limitarem as comemorações e os acessos, Xico Soares e Joaquim Fernandes mostram entusiasmo para aquela que será a “festa de comemoração para uma reedição em CD do seu primeiro álbum Em nome do Pai, do Filho e do Rock ‘N’ Roll”. Só lamentam não ter sido possível, devido à pandemia, incluir no espetáculo, como inicialmente tinham pensado, alguns músicos convidados, como seria o caso do Ensemble Vocal Notas Soltas.

De forma orgulhosa e sincera, Joaquim relembra o álbum como um distintivo da música da época, descrevendo-o como “um marco histórico com toda a simplicidade e humildade que tem.” Continua, afirmando que os rótulos atribuídos à banda como “pais do heavy metal português” poderão estar relacionados com o facto de cantarem sempre na língua materna, o português, e à marca que deixaram na geração da altura.

Afirma ainda que embora o álbum esteja fora de circulação, continua a ser “muito procurado por colecionadores” e que é “um álbum que merece tudo”.

“Só paramos quando formos desta para melhor”

Embora separada desde 1989, a banda voltou a encontrar-se no ano de 2007 para um espetáculo que seria único, trazendo ao de cima algumas memórias. A afluência foi tanta que os músicos, recordando a amizade que os unia, voltaram a ensaiar algumas vezes, crescendo novamente como banda: “Tem sido uma experiência agradável, é quase mostrar à malta mais nova o que se fazia no passado. Não se trata de converter novos públicos, mas consideramos que o álbum que fizemos há anos continua perfeitamente atual”, afirma Xico Soares.

Os músicos referem que, atualmente, o sucesso não é algo que os preocupe como acontecia há alguns anos, quando lançaram as suas primeiras músicas.

Joaquim Fernandes salienta, convicto, que embora os anos tenham passado, o público dos Xeque-Mate mantém-se: “desde que aparecemos que criamos o nosso espaço, temos um público fiel”. E recorda o momento em que a banda se reuniu novamente em 2007, após 27 anos parada, com a sala cheia de um público que ainda sabia de cor a letra das músicas.

O guitarrista apela a que a sua geração esteja presente no concerto do dia 27 de setembro, possivelmente com os filhos ou netos, para demonstrar à família “que o que era feito no passado era bom”.

“É preciso voltar atrás para perceberem que o que se fazia antes era muito mais forte: enfrentávamos a sociedade, os Media. Era muito mais difícil”

Quanto aos temas preferenciais para abordar nas canções da banda, Xico Soares aponta o místico, a política e outras vertentes do quotidiano.

Joaquim completa com a prostituição, os presos injustos e outras temáticas da sociedade, que exijam atenção: “O nosso objetivo é mostrar as coisas, chocar um bocadinho. Chamar a atenção para determinados temas da sociedade, mostrar qual a nossa perspetiva sobre determinado assunto e como achamos que deveria ser feito”.

Os artistas adiantam que a reedição em CD, disponível a partir do dia do concerto no Fórum da Maia (dia 27 de setembro) será imperdível, contando com as músicas do “Nome do Pai…” na íntegra e com 3 bónus: uma música nunca antes editada (do ano de 1985) e as duas primeiras músicas gravadas em 1981 “Vampiro da uva” e “Entornei o molho”.

Acompanhando o CD virá um mini-livro com 20 páginas onde estará disponível toda a história da banda, juntamente com fotografias, biografias e cartazes da época.

Quanto à possibilidade de reeditar o álbum em vinil, agora de novo na moda, a banda diz que espera que este seja um plano futuro, mas que, para já, o formato em CD é o escolhido.

“Somos sempre ‘outsiders’ nos festivais nacionais”s

Quanto a perspetivas futuras, o vocalista Xico Soares mostra-se otimista e entusiasmado para possíveis e mais atuais projetos: “Temos malta nova a trabalhar connosco com novas ideias, mais recentes e isso poderá contribuir para uma sonoridade diferente.”

Joaquim Fernandes, guitarrita dos Xeque-Mate, lamenta que os festivais nacionais de Heavy Metal deixem a banda de parte nos seus cartazes: “Temos sido colocados à parte dos grandes festivais a nível nacional, como o Vagos Metal Fest, mas com a nossa nova editora temos esperança de para o ano dar um ou dois concertos”.

O vocalista refere as principais diferenças da música atual e a de antes, realçando a dificuldade pela qual se passava, antes, na divulgação de uma música que desafiasse a sociedade: “agora através das redes sociais é mais fácil e mesmo as rádios já estão muito mais abertas a passar este tipo de música, mas na altura desafiávamos os media, e portanto era muito mais difícil”.

Reitera que, mesmo atualmente, não há espaço para divulgação deste género musical, sendo que existe apenas um programa de rádio de Heavy Metal em Portugal. “Não é criado o espaço para passar este tipo de música. Depois existem as rádios online, que defendem este tipo de música como os Metálicos, o Tempo do Rock, mas nas rádios comerciais não passa”.

Quanto à constituição da banda, que com o decorrer dos anos tem tido novos integrantes, os artistas comentam entre risos: “estamos a comemorar uma data (35 anos de álbum) que é mais velha do que o nosso guitarrista mais novo que tem 33 anos. Outras pessoas como o Artur Capela, o Tiago Costa e sempre que possível o Paulo Barros (fundador dos Tarântula) juntam-se a nós.”

Os bilhetes para o concerto podem ser comprados no Fórum da Maia (presencial ou online através da bol.pt), na Biblioteca Municipal da Maia e no Maia Welcome Center. As normas da DGS serão seguidas, sendo que cada espetador que comprar o bilhete terá a seu lado os lugares bloqueados de forma a conseguir manter o distanciamento de 2 metros.
No final do concerto, haverá um espaço de contacto e cumprimentos aos músicos, no Auditório exterior do Fórum da Maia.