“A equipa sénior é o coração do Águas Santas, não só pela visibilidade que dá, mas como exemplo para os mais novos”

0
106

Joaquim Carvalho foi eleito em Novembro passado presidente da Associação Atlética de Águas Santas, sucedendo a Carlos Vieira, de quem já era vice-presidente. Em entrevista a PRIMEIRA MÃO, o novo líder do maior clube maiato de andebol fala dos projectos, ambições e limitações do Águas Santas.

PM – Como chegou ao Águas Santas?

Joaquim Carvalho – Estou no Águas Santas desde os 14 anos. Como jogador fiz toda a formação até aos seniores onde fui campeão nacional da 3ª Divisão e capitão de equipa. Depois fui seccionista da formação e desde há quatro anos que sou responsável pela equipa sénior. Com esta situação das eleições autárquicas e a candidatura de Carlos Vieira à Junta de Águas Santas, que ganhou, fui levado a assumir a presidência do clube.

Porque decidiu assumir a presidência?

As pessoas que estão na direcção do clube há muitos anos, incluindo Carlos Vieira e o presidente da Assembleia-Geral, Bragança Fernandes, entenderam que eu era a pessoa indicada para essa situação. Nem estava muito inclinado para isso porque isto não é fácil, exige uma enorme responsabilidade, mas também não podia dizer que não. Este clube diz-me muito, estou cá há 28 anos, e às vezes passo mais tempo cá do que com a família.

Terminou agora um mandato como vice-presidente do clube. Que avaliação faz desse período?

Nós estávamos na1ª Divisão e em termos de patrocínios as coisas não estão muito bem por causa da conjuntura económica. Por isso, dentro dos objectivos realistas a que nos propusemos, as coisas correram bem uma vez que conseguimos sempre a manutenção. Nas camadas jovens o trabalho é muito interessante até porque temos equipas em todos os escalões, algumas até na 1ª Divisão, e temos jogadores nas selecções nacionais.

A formação é sempre uma das apostas do Águas Santas. Que projecto tem para as camadas jovens?

Basicamente continuar o que está a ser feito. Isto é algo que nunca está acabado e há sempre coisas que é preciso melhorar. De resto é um trabalho de continuidade até porque as equipas da formação têm alcançado bons resultados. Aliás, cerca de metade do plantel sénior é composto por jogadores que vieram da formação.

E em relação ao clube? Vai haver mudanças ou é para continuar o trabalho de Carlos Vieira?

Quando surgem novas pessoas, surgem sempre novas ideias. Nós vamos personalizar o trabalho que fazemos, mas, de qualquer forma, muito contente ficarei se der continuidade ao trabalho que Carlos Vieira fez no clube.

Que prioridades tem para este mandato à frente do clube?

Na parte desportiva queremos continuar o trabalho realizado. Nós precisamos fazer obras nas instalações, até já apresentámos uma candidatura às instâncias que nos podem ajudar nisso. As carrinhas também precisam de ser substituídas porque estão a ficar velhas e com muito quilómetros.

É um presidente presente?

Sim. Sempre estive muito próximo dos treinadores que passaram por aqui. Aliás, ainda há um jogador na equipa que chegou a jogar comigo. Inclusivamente, se estiver no banco vibro muito durante os jogos. É preciso ver que a equipa sénior acaba por ser o coração do Águas Santas, não só pela visibilidade que dá, mas pelo exemplo que são para os mais novos.

O balneário sentiu muito a saída do técnico Paulo Queirós?

Com certeza. Eu penso que ainda há jogadores na equipa sénior que foram treinados pelo professor Paulo Queirós nos juniores. Por isso, é natural que eles tenham sentido a saída do técnico, tal como nós na direcção também sentimos.

Mas a ambição não mudou?

Não. Se estivermos conscientes do campeonato em que estamos inseridos e das limitações, temos ambições mas conscientes de que não podemos fugir muito daqui.

Jorge Borges foi recentemente contratado para treinador da equipa sénior. É uma parceria para durar?

O contrato do professor Jorge Borges é de um ano e meio. Pelo menos esse tempo ele vai ficar cá. O Águas Santas tem uma tradição de manter os treinadores durante muito tempo. Foi assim com Paulo Faria e Paulo Queirós. O facto de ser jovem também é uma característica do clube.

No que diz respeito à equipa principal, está satisfeito com prestação até agora? Ainda acha possível chegar ao objectivo do sexto lugar?

É muito difícil. Para os seis primeiros lugares nós temos os três grandes, FC Porto, Benfica e Sporting, o ABC, o Belenenses e o Madeira SAD. Eles têm orçamentos muito superiores ao nosso. Depois há o Sporting da Horta, o São Bernardo e nós. São muitas equipas a lutar pelo mesmo objectivo, daí ser muito complicado. Nós estamos num lugar que merecemos e estamos satisfeitos com o que temos feito.

Do que tem visto, aponta alguma equipa como principal candidata à vitória no campeonato?

Há três plantéis fortíssimos, o FC Porto, o Benfica e o Sporting. Dentro destes, que têm orçamentos elevados e uma estrutura suportada por clubes grandes, acho que o FC Porto leva alguma vantagem porque é campeão nacional e tem uma mentalidade vencedora. Acho que são os mais fortes candidatos a ser campeões.

O Águas Santas é um dos expoentes do desporto na Maia. É difícil arranjar parcerias?

Eu costumo dizer que no desporto nacional há duas equipas com representatividade e visibilidade para o concelho, que são o Castelo da Maia no voleibol e o Águas Santas no andebol. Mas é muito complicado arranjar patrocínios. Entendo que a conjuntura económica não está fácil, mas mesmo nós tendo por vezes transmissões televisivas, é muito difícil. É mais fácil canalizar para o futebol e para os clubes grandes.

E da Câmara Municipal da Maia têm sentido apoio?

Sempre contámos com a Câmara. Obviamente que agora nus moldes diferentes de há uns anos, precisamente por essa conjuntura diferente. Mesmo nos valores disponibilizados pela Câmara da Maia para o desporto tem-se sentido isso, há um decréscimo das verbas. Mas sentimos que temos sempre uma porta aberta na Câmara Municipal da Maia.

André Cordeiro